Terça-feira, Junho 03, 2008

Top do top

Fui assistir Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, É CLAAAAAAAAARO! Como não ir se Indy é um dos meus amores há vários anos?

Ir ao cinema, hoje em dia é uma tortura. O cara do meu lado comentava que a roupa do Indiana Jones não tinha se sujado em tal cena, que o Harrison Ford estava velho pro papel, que ninguém acerta nada com chicote de tal distância e que o chapéu nunca cai! Hello, sujeito-mal-educado-que-fala-no-cinema: é o Indy! Ele consegue acertar qualquer coisa com o chicote, ele só se suja se quiser, o chapéu nunca cai e... não! O Harrison Ford não está velho para o papel! Está perfeito como sempre! E está mais lindo assim, de cabelos grisalhos. Olhando bem, ficou parecido com meu pai... Freud explica!

Aliás, ele abalaria meu casamento. Não o Harrison Ford, mas o Indiana Jones.

Explico a declaração acima, antes que isso se vire contra mim: eu e o Otto outro dia estávamos jogando essa conversa fora. Quem abalaria nosso casamento? E só valeria personagem de ficção.

O Otto resumiu sua lista a um trio matador: Kate, de Lost, Dra. Cameron, do House e a O-Ren Ishii (Lucy Liu), de Kill Bill. Devo concordar com ele. Ainda bem que elas não são de verdade.

Minha lista é um pouquinho maior e se eu divagar muito, temo que ela cresça demais. Então, resolvi que só o top do top do top que vai pra minha lista. A ordem aqui é randômica. Não consigo eleger o dono do meu coração.

Indiana Jones, claro! Lindo, corajoso, com um sorriso de bambear as pernas e parece com meu pai.



John McClane



Mais um coroa pra minha lista. Porque toda mulher gosta de um homem complicado. E ele fica charmoso mesmo todo estropiado e sujo de sangue, fuligem, com a roupa em farrapos.

Obi-wan Kenobi




Novo... velho... tá, esse é o único que o personagem cujo ator que o interpreta abalaria meu casamento também. Ewan McGregor... Mas o Obi-Wan é maravilhoso velho! Aliás, acho que eu me apaixonei quando ele era velho, já que o conheci assim antes de conhecê-lo novo.

Gregory House




Meu amor pelo House já é público e notório. Quinta-feira a noite, das 23 às 00 horas não sou de mais ninguém. Irônico, mal humorado, mal educado, complicado (o mal das mulheres!), magrelo, viciado em analgésicos... mas inteligente, talentoso e ainda sabe tocar vários instrumentos E GOSTA DE ROCK! Não é o homem perfeito, mas tem qualidades que superam de longe os defeitos, admitam!

Mark Darcy



Porque ele é inglês! E é o homem perfeito!! Sortuda da Bridget Jones!

Daniel Cleaver



Porque ele é inglês! E é um lobo mal! Como eu ia dizendo... que mulher sortuda essa Bridget Jones! Não entendo como ela faz um diário só pra falar mal dele.

Charlie, de Quatro Casamentos e um Funeral.



Eu realmente gosto dos ingleses! (ou será que é do Hugh Grant?)Tão tímido... E ele fez a melhor declaração de amor de todos os tempos para a Carrie. Tão linda que ela não entendeu.

Por fim, o Primeiro-ministro David, de Simplesmente Amor:



Acho que estou sendo repetitiva...

Bom... deve ser o Hugh Grant mesmo, ou a dancinha que ele faz, que parece meu pai dançando (sempre meu pai!)... Ou o fato de ele gostar da gordinha... admiro isso em um homem.

Eu ainda ia colocar o James Bond do Pierce Brosnan (inglês, bem vestido...) e o Jamaicano, do Heroes (esse só porque eu gosto de olhar mesmo), mas tive que parar por aqui porque o Otto quebrou dois dedos meus e está difícil digitar.

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Às compras

No Mercado Central:


- Por favor, me veja aí 50 gramas de Curry? (pronunciei assim mesmo com cu, porque eu nunca soube se a pronúncia disso é inglesa ou francesa ou qualquer outra bosta dessas)

- O que?

- Curry!

- Mas o que é isso?

- É aquele tempero laranja que parece um açafrão picante.

- Aaaaaaaah, bom! Caunrrrrrry! (enrolando a língua duzentas vezes para pronunciar o "r"

Eu, que nem sabia que a pronúncia era inglesa, humilhada com o inglês do vendedor, respondi:

- (humilhada) É isso, Caunrrrrrrry!

Recebo o saquinho. E o que vem escrito no saquinho com caneta bic azul? CÃNRRY!!

- Ahhhhhhh! Cãnrry!!!!!!!!!!!

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No Camelô em São Paulo - Isso é que é medo da RAPA

Depois de muito andar atrás de uma camiseta do Corinthians para o meu filho maloqueiro e sofredor, em todas as lojas da Praça da Sé até a 25 de março, apenas para descobrir que apesar da péssima fase, a camisa alvinegra é superfaturada, e me recusando a pagar R$ 110,00 em uma camisa de criança, eu me decidi, meio envergonhadamente, apelar para a bucaneiragem.

- Tem camisa infantil do Corinthians aí?

- (camelô meio assustado, disfarçando) Claro que não!!! Aqui a gente só vende artigo original, a gente não vende camisa falsificada!

- Ok, obrigada!

- (camelô antes meio assustado, agora meio sorrateiro, falando baixinho e ao lado da barraca, meio mocado) Moça, moça! Psit! Volta aqui!

- Oi.

- (ainda sussurando) A camiseta que a senhora quer é deste tamanho mais ou menos? - afasta as mãos uns 70 centímetros uma da outra indicando o tamanho.

- É. Pra 9 anos.

- Então a senhora volta aqui às 11:32, dá três voltas na barraca e diga a senha "passarinho quer cantar". Um agente meu entregará a camiseta para a senhora em uma sacola plástica verde, sem marcas. São 15 reais em notas não marcadas.

(é claro que o Rafa ficou sem a camisa)

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No Shopping dos Orixás

Isso tudo porque meu marido, culto que é, resolveu saber a história de cada um dos orixás.

E lá vamos nós para o Shopping dos Orixás, na Rua Goitacazes, comprar fascículos da Revista dos Orixás, a publicação mais conceituada do ramo. Ele vestido de branco, é claro. Nem preciso dizer que foi recebido com honras de pai-de-santo.

Otto: Por favor, quais os números da Revista dos Orixás a senhora tem aí?

Vendedora: Ah, tem tudo! Tem Oxumaré, tem Ogum, tem Iansã, tem Oxum, tem Xangô, Pombagira, Tranca-rua, Seu Zé Pelintra...

Otto (separando, calmamente, as revistas por muuuuuitos minutos): quero essa! Quero essa também! Essa também.

Eu: Nego, vamos embora. Estamos atrasados.

vendedora, me dirigindo um olhar penetrante:... no tempo dele!

Eu: desculpe!

Otto: Pronto! Vou levar essas 5: Ogum, Iansã, Oxum, Xangô e Oxóssi.

vendedora, dirigindo um olhar maléfico pro Otto: Não vai levar Seu Zé?

Otto: é claro!

Segunda-feira, Maio 05, 2008

Conflito de gerações

"Peguei um balaio, fui na feira roubar tomate e cebola
Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura
“Aí minha véia, deixa a cenoura aqui
Com a barriga vazia não consigo dormir”
E com o bucho mais cheio começei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar"

Ia eu ouvindo e batucando no volante do carro. Adoro Chico Science. Chico Science me fez muito bem. A batida retumba na minha cabeça e afasta os pensamentos tristes. Me sinto revolucionária, me sinto ousada, me sinto livre, me sinto jovem, me sin...

- Ué, Rafa, que cara de tédio é essa, filho? Não gostou da música?

- Ah, mãe. Não gostei muito não. É música de velho, né?

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Feriado em Sampa

Eu tinha feito uma lista no início do ano de projetos para 2008. Mas mestre Cartola já tinha avisado que o mundo é um moinho... Os últimos acontecimentos da minha vida me mostraram que projetos são apenas projetos. Se eu chegar respirando no fim do ano, já fiz muito.

Mas... enquanto respiro, posso viver situações felizes, por que não? E é pra isso que eu vou a São Paulo. Encher meus pulmões de família e amigos e um pouquinho de CO2. Eu nem deveria fazer minha usual declaração de amor a São Paulo e à Mooca para não ser repetitiva. Mas já sendo repetitiva...
Meus planos para São Paulo, dessa vez, se resumiam a comprar um All Star (porque aqui em BH All Star custa R$ 64,90! Um roubo!), um CD do Creed, um da Nina Simone e, no mais, ficar dentro de casa jogando mau-mau, comendo pizza de escarola e curtindo família.

São Paulo é mesmo foda, foda, foda. E aí eu não consigo deixar de sair para olhar a cidade, ver as meninas bem vestidas, as mal vestidas, as gordinhas da Mooca (já que, hoje em dia, sou uma delas), ouvir velhinhas com sotaque italiano, tomar meu mate gelado e comprar All Star a R$45,00 nas Grandes Galerias (a propósito, dessa vez foram dois). Creed e Nina ficaram para o dia 27 de maio, quando eu for fazer uma audiência lá.

E essa ida a São Paulo foi especial já que recebi essa visita linda vinda da beira do Oceano Atlântico: minha querida amiga Mari.

(foi muito assunto e muita cerveja!!!)


Depois de quase 19 anos longe uma da outra, nosso lema era 1 cerveja para cada ano separada. Mas trocamos a quantidade por qualidade e o saldo foi 4 Stellas Artois (claro!!!!), 1 Newcastle Brown Ale só para experimentar, 2 Serramaltes. Isso no primeiro dia! (É claro que foram dois dias! Vocês acham que eu ia deixar minha Maroca ir embora só com uma botecada??? Grudei nela e consegui segurá-la comigo até o outro dia de noite!) No dia seguinte, mais Serramaltes e uma Bohemia na casa do meu cunhado. Muito riso. Muita conversa. Muita alegria. E amizade inundando todos os lugares pelos quais a gente passou. E ainda teve o telefonema pra Isis e o encontro com a Fabi que não estavam nos planos!!! Encontro duas amigas queridas, falo com outra, tomo cervejas a rodo, tenho um marido compreensivo que não me deu nenhuma bronca por eu ter chegado às 3 da manhã meio altinha... É... a vida é boa!

(saca só nossa cara de felicidade, a porção de Lula a Dorê e os copos cheios. Dá pra reclamar da vida?)


Ah, e ainda fui à Exposição Star Wars no outro dia. Vou reclamar de quê?

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Eu quero é ir embora, eu quero dar o fora!

Eu sempre amei esse canto do mundo aqui. Apesar de não gostar do Cruzeiro e nem do Atlético. Apesar de detestar o Clube da Esquina. Apesar de não comer comida mineira Apesar de ter um sotaque tão misturado por essas minhas andanças pelo Brasil que nem sotaque mineiro eu tenho. Apesar do meu marido ser de São Paulo.

Eu sempre gostei daqui, apesar de... Ignorando uns e outros defeitinhos da cidade, mas sabendo do resto todo que aqui existe e que era tão bom. Gente bacana e hospitaleira, qualidade de vida em uma capital e mais umas e outras propagandas da PBH, que quase me convenciam.

Agora eu não amo mais. Agora que minha mãe virou uma estatística: mais uma vítima do trânsito e que, apesar de estar com todos os ossos no lugar, está estropiadinha e dolorida. Agora que um idiota sem carteira de motorista bateu NA TRASEIRA do carro do meu pai, com meu irmão no volante e pediu um exame toxicológico PARA O MEU IRMÃO. E a polícia civil ATENDEU!!!!! E apreendeu a carteira de quem precisa de um carro pra trabalhar!!!!!! Agora que eu conheço o Hospital Odilon Berhens e seus pacientes viciados em crack, putas que brigam de garrafa em punho e jogam umas às outras contra um muro de chapisco, miseráveis morrendo de dengue sem ninguém para olhar por eles. E minha mãe, machucada no meio dessas pessoas.

Eu quero outro lugar pra viver! Onde não tenham idiotas dirigindo sem carteira atrapalhando a vida de gente fina, elegante e sincera; onde não tenha um hospital tão desumano; e onde o clássico futebolístico não seja Galo x Raposa.

Sexta-feira, Março 28, 2008

Festa no Céu

Pai,

Você já está aí há mais de 10 dias, deu pra rever os parentes todos, matar a saudade de quem já tinha ido antes de você, sentir o clima, conhecer gente nova, se instalar e tal... então, agora vou contar a surpresa que prepararam pra você. Você não imaginou que ia chegar aí no Céu e não ia rolar nenhuma festinha, né?

Pois bem.

Tio Ildeu vai fazer a comida. Jantar bacana, farto, gostoso como aqueles que a gente comia no Papa Chibé. Pedi até pra ele providenciar um Pato no Tucupi.

A segunda parte das comemorações é o show. Esse foi mais difícil de arrumar, porque tive que pedir ajuda de um bocado de santo. Não conheço pessoalmente nenhum músico famoso, mas o São Jorge mandou meu recado pro Vinícius de Morais. Ele é bem relacionado, conhece uma galera ótima aí e toparam fazer uma batucada em sua homenagem. Afinal, quando alguém tão bacana chega ao Céu, tem festa, né?

Pedi muito cuidado na escolha das músicas. Depois de muito discutir, decidiram: o Ray Charles vai cantar Georgia on my mind, a sua favorita. Pedi para ele cantar Ruby, porque eu gosto muito também. O Freddy Mercury vai cantar I was born to love you, Love of my life e mais qualquer outra do Queen que você quiser. Ele tinha aquela fama de estrela aqui, mas disseram que o cara é bacana demais. É só pedir que ele canta tudo o que você quiser. O Louis Armstrong vai cantar What a wonderful world. John Lennon e George Harrison me deram muito trabalho. Eles não queriam cantar sem Paul e Ringo. Mas o Vinícius, com todo seu talento diplomático conseguiu uma canjinha deles: If I feel e Yesterday. Depois da parte internacional do show, vem o melhor: os brasucas. O Cazuza vai cantar Exagerado, a Clementina vai de Incompatibidade de Gênios (lembra aquela "Doutor, jogava o Flamengo e eu queria escutar/Chegou/Mudou de estação começou a dançar"). Depois vai rolar uma roda de samba com Vinícius, Cartola, Noel e Adoniran Barbosa. A Clara Nunes vai cantar Iracema, naquela versão que você gostou. A Elis também vai dar uma passadinha pra cantar "O bêbado e o equilibrista". E pra finalizar, um dueto do Luiz Gonzaga e do Gonzaguinha (pedi pra ele cantar Sangrando sem falta).

Mas não se canse muito no show, porque o tio Ismael marcou uma peladinha pro dia seguinte e o Garrincha já confirmou presença.

Divirta-se, meu velho! Seja feliz! Eu te amo todo dia!

Segunda-feira, Março 17, 2008

Meu amor foi embora!

Este talvez seja o texto mais difícil que eu já escrevi na vida.

O título é a frase que minha mãe disse à enfermeira que mediu sua pressão ontem depois que meu pai morreu. Foi a frase mais triste, mais linda, mais dolorida e mais verdadeira do mundo.

Quem conheceu meu pai um pouquinho sabe de seu amor pela mulher, pela família que eles criaram, pelo flamengo e pelo cooperativismo. Isso dava pra saber sobre ele em cinco minutos de conversa.

Quem conviveu um pouquinho com ele sabe de sua honestidade, de sua garra e de sua vontade de viver. É por isso que é tão inacreditável que ele não esteja mais aqui conosco.

Quem conhece meu pai como eu conheço sabe, além de tudo isso que eu contei aí atrás, que grande avô que meus filhos e meu sobrinho tiveram, que ele sabia "fazer o tatuzinho mamar", "dava cuca" e que a única bronca que dava nos netos era dizer "patati patatá". Os melhores conselhos saiam dos seus lábios, o melhor carinho vinha das suas mãos. Ele não tinha vergonha de dizer que amava, não tinha vergonha de pedir um cafuné. Era bravo e doce. Era amigo a ponto de, apesar de flamenguista, torcer para o corinthians pra não ver meu filho triste. Ele era orgulhoso da mulher que ele conquistou e dos filhos que ele criou. E nós somos orgulhosos dele.

Pai, o mundo sem você é tão triste que dá vontade de pedir para parar tudo.

Funeral Blues
W. H. Auden

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana, meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta pois nada mais poderá ser bom como antes era.