quinta-feira, agosto 24, 2006

Interrompemos nossa transmissão...

Descobri uma nova diversão: assistir ao horário eleitoral gratuito. Se bem que não é qualquer horário eleitoral gratuito. Não tem a menor graça assistir à campanha presidencial, ou a de governador, de senador e deputados federais. Essas são muito produzidas, cheias de fru-frus, o Dominguinhos cantando, feitas por publicitários que cobram seu peso em ouro...

Eu gosto é da campanha para deputado estadual. De qualquer partido. Aquelas feitas no fundo do quintal do sujeito.

Deixando de lado a parte triste da coisa - muita gente despreparada concorrendo para um cargo de tamanha importância - o que se vê é uma sucessão de piadas. Parece coisa do Casseta & Planeta. Aliás, para quê Casseta & Planeta se os aspirantes a deputado, sobretudo aqueles de primeira viagem, são tão engraçados?

Começa pelos nomes. Eu não sei como é nos outros Estados, mas eu acho que os candidatos daqui pensam que Minas Gerais é uma roça de dez alqueires. Então, os candidatos se identificam simplesmente com os apelidos, sem mais informações. Carlin, por exemplo. Esse não diz nada, apenas que é o Carlin. Até onde eu saiba, Carlin é o marido da minha vizinha e ele, eventualmente, só é candidato a síndico do prédio. E não se parece em nada com o Carlin da TV.

E tem aqueles que dão mais informações: "Eu sou o Pinduca das "ambulanças". Quem vota em alguém que assim se identifica em tempos de sanguessugas e Planan?

Tem também a Gleida filha do Renatão. Essa é a única credencial que apresenta. Ser filha do Renatão. E roga por meu voto, por esse único motivo. O Renatão. Quem é Renatão? Sei não...

Mas tem um melhor, no quesito de apresentação curricular Não me lembro o nome do sujeito e isso pouco importa, já que ele não diz nada sobre a carreira, a vida, intenções como deputado, se eleito. Sua única plataforma política é sua mulher ser médica da Santa Casa. Isso mesmo. O moço vai lá, põe a cara na TV e diz: "eu sou o fulano de tal, minha mulher é médica da Santa Casa. Votem em mim".

Também acho muito sincero da parte de um outro candidato que informa:"eu e outros tantos jovens mineiros, queremos emprego. Por isso vote em mim". Eu também quero um emprego... de deputada estadual. Será que depois de eleito ( e empregado) ele vai arrumar uma boca na Assembléia para os "outros tanto jovens mineiros"?

Se eu fosse candidata qualquer coisa, eu não prometeria nada. Minha propaganda seria assim: Eu, com meu olhar mais grave para a câmera, dizendo: "Aposentados que enfrentam filas enormes para receber uma miséria de benefício, recém-formados desempregados, estudantes que querem uma universidade melhor, sem-terras, sem-tetos, sem-roupas, sem-nadas. Você, dona-de-casa. Você, pai de família. Vocês, blogueiros e leitores desse blog. É para vocês que eu falo. Conto com o seu voto." Viu? Falei pra uma pá de gente, não prometi nada e todo mundo já está querendo votar em mim.

Mas voltando a campanha eleitoral, o que vale ouro mesmo são os slogans de campanha.

Vai desde aquelas que aparecem em todas as campanhas, tais como "quem promete não cumpre", "Fulano de tal, quem conhece confia" (a cara do tal fulano de tal não é nada confiável, diga-se de passagem), até aqueles novos e inspirados slogans. Querem um exemplo?

O velhinho, bem caidinho mesmo, que aparece na TV, não diz seu nome, só o número e, na maior animação: "Deputado estadual 01010: Esse é o caraaaaaaaa!" Tem também o rapaz que informa unicamente que "tô aí, tô novo e tô animado!". Isso tanto vale para se eleger deputado, como para tentar arrumar uma "mina" hoje para noite. Tem também o que diz: "Sou incendiário e esbravejador" (que meda!)

Mas a melhor, a que ganha no quesito cara-de-pau é: "Tenha pena, vote na Lena!"

segunda-feira, agosto 14, 2006

Dia dos pais com um certo atraso

(Ficou meio pequeno. Creditem isso à minha ignorância internética. Mas dá pra ler. Se preferir, leia a tirinha no endereço http://www.calvinbr.hpg.ig.com.br/frame.htm)

E FELIZ DIA DOS PAIS!

Visitem

Até que eu consiga encontrar a Silvia pelos msn da vida (aliás, cadê você?) para que ela possa me dar uma mão nos links desse blog, resolvi fazer uma merecida propaganda aqui:

O blog se chama Fred Explica e o endereço é www.fredfavacho.blog.uol.com.br. Eu sei, eu sei, o Fred em questão é mesmo o meu cunhado. Pode parecer nepotismo mas não é. O blog dele é mesmo muito bom e vale uma visita e alguns comentários.

E assim que eu achar alguém mais esperto que eu nessas coisas de computador, o link estará ali do lado.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Sotaque

Li esse texto aí embaixo e descobri que, apesar de ter sido criada no Oeste Paulista e ter morado no Pará seis anos, eu sou definitivamente mineira. Ô sotaquinho que gruda, sô! Eu nunca consigo alguma coisa, eu "dou conta de". Eu sempre acho que quando a fila não anda ela "está agarrada". E no momento minha ocupação é "mexer" com o meu blog. O bom é saber que há pessoas que nos apreciam, como o Felipe Peixoto Braga Netto. Amei o texto e divido com meus amigos e amigas, principalmente, amigas mineiras. Aviso: é grande! Mas vale a pena.


Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?
Felipe Peixoto Braga Netto

Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos - oh sina - para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.

Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras? É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.

Um simples" mas" é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um "mas" nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser >ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende... Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é...

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode >parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou?, dizem: "ôndôtô?"). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço. Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sôo (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir". Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

- Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: - Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar: - Capaz...Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "tá fácil que eu faça isso", com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um "capaz..." como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "ô dó dôcê". Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:

- Ah, nem...>>O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...

Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto: - Você quer que eu "dou" um exemplo...

Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. as que são uma gracinha, ah isso lá são.

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...

Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar: - Ah, fui lá comprar umas coisas... - Que' s coisa? - ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

- Ele pôs a culpa "ni mim".

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "preocupa não, bobo!". E meus ouvidos. já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. e diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau pro cê", "tchau pro cês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra entendeu?

Deve haver, por certo, outras expressões... A minha memória (que não ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugestões. Como é uma pesquisa empírica, umas voluntárias ajudariam... Exigência: ser mineira. Conversando com lingüistas, fui informado: é prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha... Tudo. Naturalmente, em nome da ciência. Bem, eu me explico: é que, características à parte, as conformações físicas influem no timbre e som da voz, e eu não posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?

sábado, agosto 05, 2006

Mau humor

Eu preciso de música boa quando dirijo para poder aguentar os motoristas mau humorados e mal educados de Belo Horizonte. E para isso, no carro têm vários CDs para não ter que arriscar a ouvir rádio e ter uma surpresa ruim, tal como ouvir Marina. Então, vocês podem imaginar a minha tristeza quando eu descobri que o Rafael enfiou no CD Player do carro um CD do Ira! em cima do CD do Queen e agora os dois estão lá entalados A tristeza maior é pelo CD do Queen. O Otto gravou, só músicas bacanas, de uns discos mais antigões... cada vez que eu penso que o CD está lá entalado, dá vontade de chorar). Tentei fazer uma operação arriscada e sacrificar o CD do Ira!, mas só consegui entalar mais os dois. O jeito, então, foi vir para a casa da minha mãe ouvindo rádio. Inconfidência FM, a brasileiríssima!

Eu gosto dessa rádio, toca música bacana, tem o programa do Tuti Maravilha que é bacaninha, tem a música do Milton Nascimento, Profissão de Fé, todos os dias às 18 horas, em substituição à manjada Ave Maria... mas hoje tocava Paulinho Pedra Azul, aquela musiquinha insuportável do bem-te-vi, bem-te-vi, andar por um jardim em flor... E para ficar melhor, Flávio Venturini tocando...Espanhola! E para minha alegria ser completa... 14 Bis. Nem sei porque eu deixei tanto tempo o rádio ligado. É a prova de que esperança é mesmo a última que morre. Quem sabe o Chico desse as caras...

Resultado: fiquei mau humorada e mal educada. E descobri a solução do trânsito de BH: abolir das rádios qualquer sombra de música mineira.

quinta-feira, julho 27, 2006

De Porto Alegre

Eu em Porto Alegre, Otto em Belo Horizonte, Rafael em Belém e André na Bahia... Nesse exato momento, a minha é a família mais esparramada pelo Brasil.

Hoje foi o dia da audiência. Pois bem... a testemunha não mora mais em Porto Alegre, mas sim, em São Caetano. Parece que esse processo ainda renderá um passeiozinho a São Paulo. Ueba!

Daqui há quatro dias, é o centenário do Mário Quintana. A cidade está tomada de coisas sobre ele. Prato cheio pra mim. Fui até o Centro Cultural que funciona no antigo Hotel Majestic, onde ele morava. Tem uma exposição funcionando ali, as paredes cobertas de poesias dele. Fiquei lá por horas, lendo tudo. Minha intenção era ter trazido o meu livrinho do Analista de Bagé para Porto Alegre, sentar em uma praça e ler o livro curtindo o sotaque. Já pensou, ler "oigalê, índio velho!", "índio bem loco" um segundo depois de ouvir de conversar com um gaúcho? Mas está chovendo um bocado e sentar em uma praça está fora de cogitação. Então, essa exposição foi uma alternativa bem bacana.

Comi o famoso cachorro-quente do Rosário (absolutamente absurdo de tão enorme) e já estou chamando padaria de panefício, menina de prenda. Hoje vou conhecer o famoso Galpão Crioulo e comer um verdadeiro churrasco gaúcho. Ai, eu morro de inveja de mim mesma!

terça-feira, julho 25, 2006

Vou pra Porto e, bah! Tri legal!

Adoro andar de avião. Eu vejo um avião decolar e fico aguada de vontade de estar dentro. Sinto uma emoção tão grande quando eu vejo a aeromoça fazer aquela mímica engraçadinha dos procedimentos de segurança que meus olhos se enchem de lágrimas. Gosto dos lanchinhos de avião. E gosto principalmente da rapidez do avião. Acho que essa minha fissura atávica por avião é coisa de quem só voou a primeira vez aos 11 anos e depois passou muitos anos viajando do Pará até Minas de carro lotado, com pai e mãe na frente e três crianças briguentas atrás se engalfinhando, 200 malas, lanchinhos para a viagem toda, um bule de café renovado em cada parada para o pai, único motorista, não dormir, pacotes e mais pacotes de biscoito de maisena, uns vinte litros de água, hotéis de beira de estrada, diarréia, comida ruim...

Não é que esse mês eu estou matando toda a minha vontade de voar? Fui a São Paulo no início do mês e amanhã...dois dias em PORTO ALEGRE!

Tudo bem que é a trabalho, mas eu não consigo imaginar uma cidade mais chique nesse Brasil inteiro. Já separei bota, casaco, cachecol... mas disseram que lá está quente agora. É bem capaz mesmo. Comigo é assim: quando eu vou para Porto Alegre, lá está quente. Mas acho que é mais chique passar calor em Porto Alegre do que em Belo Horizonte. Já tenho planos: vou voltar falando tri bom, chamando os meninos de guris, comendo o "s" nos fins das frases... Ah! E se tudo der certo, mando buscar o Otto e os guris e fico por lá mesmo. Deu pra ti?

sexta-feira, julho 21, 2006

Sem filhos

Meu filho mais velho está em Belém, o meu mais novo está na Bahia... E como serei só eu e meu nego por uma semana e meia, preciso de sugestões: quais são os lugares em BH em que NÃO É PERMITIDA A ENTRADA DE CRIANÇAS? Nem em foto!!! É lá que eu vou.

terça-feira, julho 18, 2006

...mas os meus cabelos...

Desde já, advirto aos leitores homens que esse post será considerado por vocês fútil! É só uma mais uma das historinhas que povoam o universo feminino: a nossa preocupação desmedida com os cabelos. Se quiserem, podem parar a leitura agora e eu não ficarei ofendida. Se quiserem continuar, obrigada! E sejam pacientes!

Tudo começou com uma inocente escova de cabelos. Não a escova de escovar cabelos, mas o penteado. Feito pela minha mãe para quebrar meu galho que não tive tempo de ir ao salão. O cabelo andava muito alvoroçado (um eufemismo para algo com o aspecto de ninho de pardal). Lá estava eu sendo bem tratada por minha mãe, aproveitando o ventinho quente do secador no cabelo, o cafuné da escova, quase dormindo, quando, sem qualquer preparação psicológica, sou informada da existência de dois fios brancos. Não, não eram fios pequenos e nem estavam escondidos no meio da cabeleira. Eram enormes e estavam ali, bem por cima de tudo, na parte de trás do cabelo, onde eu não consigo enxergar e tomar uma atitude mais efetiva antes que as pessoas vejam. Meus dois primeiros fios brancos.

Ao contrário do que eu sempre imaginei, minha reação foi de muita tristeza. Sinceramente, me estragou o dia. Eu sempre me achei desencanada dessas coisas de vaidade, fiquei mesmo arrasada com a notícia. Essas coisas fazem a gente pensar na vida. O tempo passa, a gente envelhece, o cabelo fica branco, o peito cai... vamos parar por aqui senão eu começo a chorar. É claro que os malsinados fios foram devidamente estirpados, com toda a raiva possível.

Nem me venham com aquele papo para consolar a velhinha aqui de que você tem cabelos brancos desde os dezoito anos. Ter fios brancos desde a adolescência não é sinal de envelhecimento, é apenas uma característica genética. O sofrido é encontrar fios brancos no cabelo quando o colágeno do seu rosto começa a te deixar na mão e você está, seriamente, pensando em gastar uma pequena fortuna de três dígitos em um creme que vem em um pote minúsculo para passar no rosto e retardar o envelhecimento. Ô expressão que eu odeio: "retardar o envelhecimento". Quer dizer, correr enquanto tem pernas. Daqui a pouco elas falham e ele te encontra.

Me senti a Madame Min. Cabelos completamente caóticos (até então o caos do meu cabelo nunca tinha me incomodado) e... BRANCOS? Never! Jamais! Nunca! Era hora de tomar uma atitude de mulher. Pintar os cabelos? Não. Só dois fios não justifica tinta. Enquanto der, vamos arrancando um a um os que aparecerem. Então, o que fazer para não se transformar definitivamente na Madame Min. Ou pior: na Maria Bethânia?

Tomei uma atitude de mulherzinha (ando fazendo muito isso ultimamente!). Fui ao salão e fiz uma tal de escova de chocolate. Segundo a cabeleireira, é um tipo de escova progressiva que não deixa os cabelos muito lisos (gosto de um certo caos nos meus cachos), agride menos os fios, blá blá blá. E como toda frescura nova, cara pra burro.

Saí do salão com os cabelos escorridos, tipo chapinha, parecendo a Maga Patalógica e morrendo de medo de ficar assim pra sempre. Se bem que até que a evolução foi positiva. A Maga Patalógica sempre foi mais bonitinha que a Madame Min... menos desgrenhada. A cabeleireira ainda me fez a recomendação de não lavar os cabelos no período de três dias. O QUÊ? TRÊS DIAS? Mas meus cabelos são oleosos... Três dias sem lavar o cabelo e eu serei o Cláudio Venturini. Tudo bem ser bruxa, mas bruxa de cabelo ensebado é fim de jogo no Canindé.

Bem... o fim da história não é trágico. Os três dias se passaram, eu realmente fiquei parecendo o Cláudio Venturini e morri de medo de ficar assim para sempre. Mas lavei meus cabelos e eles ficaram lindos e soltos como os da Samantha, a feiticeira. Agora só falta treinar mais a minha mexida de nariz.

quinta-feira, julho 13, 2006

Para viver um grande amor

Eu ia escrever sobre as miudezas da vida, mas essas ficam para amanhã. Hoje é dia de comemorar. São 10 anos de amor. Amor pré-adolescente... O amor da minha vida. A minha melhor história. E se eu voltasse no tempo 10 mil vezes eu optaria por viver de novo esses 10 anos. 10 mil vezes.

Desculpem a pieguice, mas esse post é romântico e tem endereço certo. E como eu não consigo ser romântica sem ser piegas, tomo, de novo, emprestadas as palavras do Vinícius. Só para você, meu nego!

Soneto do amor total
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

quinta-feira, junho 22, 2006

O rebanho invade BH


Essa é a frase que estava em vários placas e relógios espalhados pela cidade. É a Cow Parade chegando a BH, as tais vaquinhas customizadas (assim denominadas pela Silvia). A publicidade em torno desse evento é impressionante.

Dizem que essa história de vaquinhas nasceu na Suiça, em 1998. Mas eu vos digo: a tal da cow parade nasceu aqui mesmo em BH, com a vaquinha que está na Rua Leopoldina desde que eu me entendo por gente. Até a idéia de pintar as vacas veio dali. Quem não se lembra dela pintada de zebra, azul, rosa com bolinhas amarelas, ...?

Pois bem. As vaquinhas do evento oficial ficarão expostas pela cidade por mais de um mês e, no final, haverá um grande leilão das vacas, com a renda revertida para o Servas. O impressinante mesmo é que já tem gente querendo levar um desses trambolhos pra casa. E, muito provavelmente, pagarão uma nota por isso.

Eu fico imaginando:

- Mulher, arrematei uma vaca!
- Ué, desde quando você negocia gado? Você não entende dessas coisas e tirou o dinheiro da poupança para comprar uma vaca?
- Não, amor, não é vaca de verdade. Você tem cada uma... É uma daquelas vaquinhas pintadas que estão pela cidade. Você lembra que você tinha achado elas bonitinhas?
- Achei bonitinha lá na praça. Porra, mas o que a gente vai fazer com isso? Isso não cabe dentro do apartamento.
- Cabe na sala, amor. As crianças podem subir na vaca para brincar... Ela pode ficar aqui, ó,... esse espaço aqui entre o sofá e o corredor cabe certinho.
- E como a gente passa para o outro lado?
- Por baixo das pernas, meu bem. Olha, dá certinho. E é coisa de caridade. Foi super barato. A grana que tinha na poupança deu certinho. Não fiquei devendo nada. E tem o galo, né? Você sabe que eu coleciono tudo sobre o galo. GALO DOIDO! GALO DOIDO!
- Você tirou dinheiro da poupança pra comprar uma vaca SÓ porque ela tem o símbolo do galo pintado? Ai... a minha viagem para Guarapari... Todo mundo de BH vai pra lá em dezembro, a praia lotada, e eu aqui... com essa vaca!
- Meu amor, foi pela caridade, pela caridade. Mas agora desce comigo lá na portaria que eles acabaram de entregar a vaca e aquele idiota cruzeirense do síndico disse que não quer aquele elefante branco atrapalhando a passagem na portaria do prédio. Que imbecil!. Não é nem elefante, nem branco. É uma vaca alvinegra. GALO DOIDO! GALO DOIDO!
- A GENTE VAI TER QUE CARREGAR ESSA MERDA AQUI PRA CIMA? MAS A GENTE MORA NO QUARTO ANDAR DE UM PRÉDIO SEM ELEVADOR!!!!!!

quarta-feira, junho 14, 2006

1 x 0... contra quem?

Eu tinha comentado com a Isis que ainda não tinha caído minha ficha de que nós estamos disputando uma Copa do Mundo. Dias normais, trabalho normal... até cogitei em ficar no escritório e adiantar meus prazos no horário do jogo.

Mas como eu sou doida, não jogo pedra em santo e adoro uma farrinha regada a cerveja, uma hora antes da partida eu já estava no Bar Dududu, com minha recém-comprada camiseta do Brasil, adquirida bem de última hora.

Ontem, depois daquele mirrado 1 x 0 contra a Croácia, eu que não estava muito ligando pra Copa, virei torcedora das mais fanáticas. Recitei mantras para todas as deidades védicas que eu conheço, rezei para Santo Antônio, o santo do dia, comecei uma novena perpétua de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e, como eu não sei fazer despacho em encruzilhadas, cantei todas as músicas macumbeiras do Vinícius e da Clementina de Jesus, à guiza de mandinga. E isso tudo só para conseguir um placar menos apertado nos próximos jogos... Austrália e Japão!

Imagina quando começarmos a disputar com seleções de verdade? Vou começar a frequentar um terreiro com urgência!

Epa rei, meu guia!

quinta-feira, junho 01, 2006

Salada de frutas


Minha vizinha preferida está desempregada há 4 anos. Depois de passar um sufoco e o marido quase perder o emprego também, começou a vender cosméticos de revista. Fez aquela propaganda "janela-a-janela" e eu fiquei de dar uma olhada em alguma coisa. É sempre uma boa opção de presente: um óleo de amêndoa para a mãe, um creminho para a irmã grávida, um shampoo para o filho pequeno da amiga... Praticidade: uma loja na porta ao lado.

Para mim, nada. Afinal, eu sou básica. Cosméticos, para mim, são shampu, condicionador, sabonete, desodorante e pasta de dentes. Todos colocados no carrinho do supermercado. Sem fru-frus. Tudo bem, tudo bem, um batonzinho de vez em quando para não ficar muito pálida.

Mas, apesar de toda minha praticidade, eu ainda sou mulherzinha (a Isis vai gostar dessa) e sucumbo a certas tentações femininas: curiosidade e prazo para pagar.

Assim sendo, fui dar uma espiadinha no que havia de novidade no mundo das futilidades e sai com uma caixa de sabonetes com aroma de limão. Tive a minha primeira grande surpresa com a indústria dos cosméticos: meu marido A-DO-ROU o cheiro, ficou todo animadinho e o tal sabonete rendeu vários momentos agradáveis. Nunca imaginei que algo tão singelo como o cheirinho da mousse que minha mãe faz de sobremesa pudesse ter um efeito tããão legal. Nem preciso dizer que o tal sabonete de limão entrou definitivamente para a lista básica de cosméticos aqui de casa.

Por causa disso e do tal pré-datado, ousei. Comprei um hidratante com o mesmo cheiro de limão. Se o sabonete fez sucesso, o hidratante então... entrou pra lista também.

Aí, papo de janela, minha vizinha falou para eu experimentar um creme esfoliante fantástico para os pés de castanha. Estava de bom preço, eu estava mesmo precisando de alguma coisa assim... comprei. E usei. Mais um campeão de bilheteria.

Já tinha comprado o sabonete, o hidratante e o esfoliante para os pés, resolvi folhear a tal revista dos cosméticos para saber o que as mulheres andam usando por aí. Foi quando me deparei com a linha de maracujá. Dei um pré datadão e pirei: comprei tudo. Sabonete em creme, óleo trifásico e um outro creminho que eu nem sei qual a finalidade. Fiquei cheirando igual a uma salada de frutas. Mas a pele está macia, brilhante. E meu nego agradou. E com essa dieta frugal, já emagreceu alguns quilos.

Agora estou para cometer a maior frescura da minha vida de mulherzinha: perfume de pitanga! Mas tenho uma certa preocupação. Será que dá para voltar a trás depois depois que eu acrescentar pitanga ao cardápio?

segunda-feira, maio 29, 2006

Receitinha massa

Estou num gripão que dá até desânimo... minha narina esquerda já não existe mais e até a madrugada de hoje, acho que perderei a direita também. E o pacote está completo: garganta arranha, cabeça dói, corpo ruim. Aí, me deram essa receitinha genuinamente mineira contra a gripe:

Cachaça, mel e limão.

Acompanhada de um prato de linguiça, mandioca na manteiga e um caldinho de feijão com torresmo e cebolinha por cima. Servidos em uma mesa de boteco, é claro.

E uns naldecons de vez em quando.

Não sei se cura mesmo, mas, por via das dúvidas, não deixo faltar nenhum item.

quarta-feira, maio 17, 2006

Mais uma dos pequenos

Sempre conto casos do Rafa aqui. Agora chegou a hora de dar atenção ao meu outro filhote.

Apresento-lhes DEDÉ, o meu cangaceirinho, e sua sabedoria desenvolvida nos seus dois anos e nove meses de vida:


Dedé: Vó, o que é isso?

Avó do Dedé: é óculos.

Dedé: E "pa" que é?

Avó do Dedé: É para eu poder enxergar.

Dedé: Eu só uso o olho.

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Cantoria hoje pela manhã:

"Caminhando e cantando e seguindo a canção

Nas escolas, nas ruas,

campeões dos campeões"



Estou criando um comunista. E corinthiano...

...Ai, meu Deus!

terça-feira, maio 09, 2006

Se fosse verdade...

Só pode ser mentira.

Essas notícias foram todas veiculadas em um telejornal de ontem:

1. Um prédio desaba no Pará. Mas só o primeiro andar é que cai. Apareceu até a imagem. O prédio já estava vazio e ninguém se feriu.

2. Ex-governador do Rio de Janeiro já perdeu quase seis quilos com sua greve de fome. Diz que só acabará com a greve quando tiver direito de resposta das acusações que lhe foram imputadas por vários veículos de comunicação. A birra, ops, a greve que já dura oito dias (nove com hoje) não tem prazo para acabar. Segundo o ex-governador chiliquento, o episódio fez com que ele se fortalecesse politicamente.

3. O senhor de meia-idade e guitarrista dos Rolling Stones Keith Richards se submeteu a uma cirurgia para diminuir a pressão do cérebro causada por um coágulo. Isto tudo porque o idoso senhor caiu de uma árvore na Nova Zelândia. Pra começar, o que fazia ele em cima da árvore?

Onde estão as notícias de verdade?

segunda-feira, maio 08, 2006

Programinha massa... sem filhos!


Ontem fui ao cinema SEM CRIANÇAS! Fui assistir Missão Impossível 3. Não amo o Tom Cruise, nunca amei nem mesmo quando era adolescente. Mas o vilão é o Philip Seymour Hoffman... Valeu o filme. Ele é mau. Ele é blasé, ele é inteligente, ele é irônico, ele é gordinho (meus preferidos), ele é elegante... mas, sobretudo, ele é MUITO mau!

E eu que ainda não tinha carteirinha de estudante, não assiti Capote no cinema. Agora vou ter que esperar chegar na locadora do Ronaldo.

segunda-feira, abril 24, 2006

Quero ser magrela



Ando pensando em uma mudança de vida. E tudo começou quando resolvi responder àquele perfil pessoal do orkut. Tem um campo lá para a gente colocar se é magra, atlética, gorda... Eu resolvi assumir: acima do peso. O que para uma mulher equivale a assumir uma aparência de hipopótama com as glândulas inchadas. Bem, talvez esse não seja ainda meu caso, mas se eu não tomar cuidado, o caminho até lá é bem curto.

Uma vez que eu nunca fui obesa, sempre tratei meu sobrepeso com eufemismos: "Não sou gorda, tenho estrutura forte". Ou: "meu corpo está ótimo. É melhor do que ser magrela e sem bunda." "Homens não gostam das magrelas." "Meu marido gosta assim". Ah! Tá! Até aparecer uma magrinha dando mole...

Uso ainda os eufemismos alheios para tratar do meu próprio recalque. Uma vez, a Vera Fischer, para justificar o trubufu que é a filha dela, falou: "Nós nunca seremos magrinhas como a Gisele Bünchen. Nossa estrutura física é mais para camponesa".

O Manny, o mamute da Era do Gelo diz: "eu não sou gordo, é todo esse pêlo que me faz parecer fofinho!"

Mas o melhor eufemismo que eu conheço é o da amiga da Bridget Jones, para falar das pernas grossas dela (em comparação com as maravilhosas pernas compridas de sua rival): "você tem boas pernas. Pernas de alpinista!

Pois bem. Cansei de ter estrutura física de camponesa e pernas de alpinista.

Agora como mato, aumentarei as aulas de yoga a partir da semana (era para ter começado essa semana, mas a professora, que está grávida, passou mal) e, em condições normais de temperatura e pressão, farei caminhadas. Minha meta é ser magrela em um mês. Será que dá?

domingo, abril 16, 2006

Ovos, coelhos e avós...



Quando meus filhos nem tinham nascido e eu ainda era a filha, ganhar ovo de páscoa era um acontecimento. A gente ganhava um só, comprado pelo pai e pela mãe (já que era um produto muito caro), comia um bombom no primeiro dia, um bombom no segundo e, se desse sorte do ovo ser um dos grandões, um no terceiro dia. A partir daí, começávamos a destrinchar as cascas do ovos que, dependendo do tamanho, levava mais uns três dias. Tudo devorado bem pãoduramente já que outro ovo só no ano seguinte. Bem... isso lá em casa, já que eu sou filho de dentistas e doces, só com parcimônia.

Essa semana, fomos comprar os ovos dos nossos coelhinhos e me enfiei no quarto círculo do Inferno (também chamado pelo Randall de Túnel do Terror) do Extra e das Lojas Americanas, onde ainda existiam ovos supostamente decentes e com preços aceitáveis. Mas também por esses motivos, a densidade demográfica daqueles lugares é simplesmente insuportável. As filas, então... Ficamos no Extra que as filas são mais rápidas.

O engraçado é que, hoje em dia, o chocolate é o que menos importa para os meninos. Ovo que presta (para eles, é claro) deve vir recheado de alguma quinquaria inútil e boba que será esquecida antes da Páscoa terminar. E existe um leque tão enorme de escolha, que as fábricas de chocolate contratam pessoas só para ficarem nos estabelecimentos mostrando esses bagulhinhos do mesmo jeito que a aeromoça faz a demonstração das saídas de emergência e utilização das máscaras de oxigênio nos aviões.

Escolhemos para o Rafa a um ovo que vem recheado com um chaveiro, tipo mosquetão e com uma luzinha, dos Quatro Fantásticos. O chaveiro era tão bacana que ficou para o Otto. E o André ficou com um KinderMaxOvo com uma bobagenzinha (que não durou 15 minutos) e chocolate fantástico. No fim, boas escolhas.

Nem preciso dizer que os ovos acabaram-se no café da manhã. E nem eram os primeiros comidos nesse feriado de Páscoa. A professora de cada um já tinha distribuído ovos para a turma, a professora de educação física, um casal de amigos... Ovo de páscoa hoje é produto ordinário.

E hoje eles ainda ganharão mais um... dos grandes... quinquilharia boa!!! Da avó e do... avô dentista!

E pensar que meu ovo durava uma semana...

terça-feira, abril 04, 2006

Ah! Os prazeres de uma sala escura...

Depois de um longo e tenebroso inverno esperando os filmes chegarem à locadora Silva Lobo para poder assisti-los, eis que eu fui ao cinema. O programa era levar os filhos para ver "A era do gelo 2". o que, de fato, fizemos.

Para poder me fazer entender melhor, eu tenho que contar que num passado algo distante, eu ia ao cinema quatro vezes por semana. Chegava a um ponto de não haver mais filmes em cartaz e eu ter crise de abstinência. Antes do Otto morar em BH, eu ia sozinha. Sempre achei cinema um programa para se fazer só. Não gosto de sair da sala e comentar o filme, principalmente se eu gostei muito, se me tocou. Não gosto de ir com alguém que comenta cada passagem do filme. Se o filme for triste, eu gosto de chorar e não quero ter que me explicar para a pessoa que me acompanhou o porque do nariz escorrendo e da cara inchada.

Assistir filme em casa não é a mesma coisa. Sempre tem um telefone tocando, um vizinho gritando, uma criança passando no corredor... Ou isso, ou assistir filme depois das 10 da noite. Aí, vem o sono e me derruba.

No entanto, depois de nascidos os filhos, cinema só se conjuminar um bocado de fatores: alguém para cuidar dos pequenos, dinheiro para as entradas, que não são baratas (já que para ter alguém cuidando dos meninos, cinema só no fim de semana), o Otto sem plantão, estar em cartaz um filme que valha a pena o dinheiro gasto e o esforço dispendido e, por fim, Júpiter na oitava casa de Escorpião. Ou, então, levar os meninos para ver filmes infantis. Então, ultimamente tenho me contentado com Harry Potter, filmes da Pixar e congêneres, o que também não é ruim. Hoje em dia, os filmes de criança são muito bacanas.

O problema de assistir filmes infantis em cinema é ter que assistir em uma sala lotada de... crianças! E que não são as minhas! As minhas, modestamente, são bem educadas e sabem se comportar no cinema. Ensinei para os dois que menino que fala durante o filme, faz barulho ou tenta se levantar, o bicho-papão põe dentro do saco e leva embora.

Mas os outros que não foram educados à maneira clássica... que coisa triste! Eles entram com quilos e quilos de pipoca, fazem barulho, batem o pé na sua cadeira, falam o filme todo, os pais ficam respondendo alto como se tivessem assistindo o filme no DVD de casa e, no fim, deixam toda aquela sujeira para alguém limpar. Porque os pais estão educando seus filhos para serem servidos! Ninguém tem obrigação com nada. Ah! E tem a namorada do tio das crianças querendo agradar a sogra, levando todos os sobrinhos chatinhos do cara, de uma só vez, para assistir o mesmo filme que eu... ai, que tristeza!

Tirando isso, o filme foi bom. É bacana ver a cara dos meus pequenos empolgados com a história, esperando para ver o que vai acontecer depois e sair do cinema com aquelas expressões deslumbradas que eu entendo tão bem.

Mas isso me dá uma saudade de quando eu era assídua frequentadora de todas as salas de cinema de BH, quando assistia a filmes não-infantis... Tudo bem, acho que mês que vem Júpiter estará na oitava casa de Escorpião... se eu conseguir juntar todos os outros fatores... quem sabe?