terça-feira, março 28, 2006

Coisa de saci


Desde que eu morei no Pará, ouço dizer que saci é criatura zombeteira, que adora aprontar pequenas sacanagens. Então, quando o leite azeda, quando as lâmpadas queimam, os aparelhos estragam, os objetos somem... coisa de saci.

Eu posso falar dessa criatura com um know how surpreendente pois faço parte da Associação Nacional dos Criadores de Saci, órgão reconhecido pelo Ministério da Agricultura. Crio, em minhas fazendas imaginárias (pois é o tipo adequado de fazenda para se criar sacis), a raça Saci Cumulae, vulgarmente conhecido como Saciaçu dos olhos verdes, muito comum em terras mineiras.

Comecei minha criação depois de uma viagem a Lavras Novas. Eu e o Otto viajamos sem as crianças, ficamos em um chalé muito simpático, localizado no meio do mato, com uma vista maravilhosa, coisa bem romântica. Mas eu deveria ter desconfiado da existência de sacis nas redondezas quando vi uma peneira de cruzeta pendurada na parede da entrada do chalé...

Logo no primeiro dia, meu único par de brincos sumiu. Uma das minhas únicas vaidades é sair com brinco. Não saio sem. É o mesmo que estar nua. Então, vocês hão de entender porque eu fiz o Otto revirar o quarto todo atrás dos meus brincos, sem qualquer sucesso. Olhamos em todos os cantos, até dentro do frigobar. Afastamos todos os móveis... nada. Os brincos apareceram, sem qualquer explicação, no último dia de minha estadia em Lavras Novas, ao lado do criado mudo... Lembrando que esse móvel também foi afastado, escarafunchado, devassado... coisa de saci. Sem contar que nessa mesma viagem a luz acabou e ficamos no escuro toda a última noite, aquela que tínhamos reservado para sair para um forró que acontece todos os sábados na cidade. O saci conseguiu boicotar nosso último programa. De qualquer forma, a viagem foi muito boa e despertou meu interesse pela espécie.

Pois bem. Chegamos a esse mês. Ao que parece, uma rês (é assim que chamamos) desgarrada foi parar em meu apartamento. É claro que ninguém viu o saci ainda. É muito difícil de vê-los. Mas os pequenos desastres domésticos vão se sucedendo... Primeiro, a televisão queimou, todas as lâmpadas da casa queimaram e todos os aparelhos que dependiam de pilha pararam de funcionar... coisa de saci, óbvio! Depois, para a tristeza do Otto, pifou o som do carro. Fora a sacanagem de ficar detonando o portão da garagem, que uma noite dessas passou abrindo e fechando sem ninguém acionar o controle.

Hoje, ele fez pifar os dois chuveiros lá de casa, logo pela manhã nos obrigando a tomar banho frio.

Acho que estou precisando vender essas minhas fazendas de criação de sacis. Alguém se interessa?

sexta-feira, março 24, 2006

O que deu nessa gente?


Já tinha ouvido falar mas ontem eu vi o cartaz: o Steve Martin teve a pachorra de achar-se no direito de representar o Inspetor Clouseau em um famigerado remake da Pantera Cor-de-Rosa (O cartaz aí do lado é dos DVDs dos filmes antigos. Me recuso a colocar o do Steve Martin).

Meu coração doeu! O que dá nesse povo de Hollywood para achar que remake da Pantera Cor-de -Rosa é bacana? E para achar que o Steve Martin é bacana? Quem será o Sr. Kato, então? O Jackie Chan? Nem mesmo o Kevin Kline fazendo o papel de Dreyfuss me dá ânimo para assistir esse absurdo.

E já que estamos falando de absurdos, há alguns, bem improváveis, que eu gostaria que acontecessem:

1. Que o George Lucas tivesse outra epifania e resolvesse fazer mais uma trilogia Star Wars. Talvez até com os mesmos atores da primeira. Só que a Lea, agora, não iria ficar tão bem de biquini quanto naquela época. Mas, paciência!

2. Que a Meg Ryan deixasse de achar que tem capacidade para ser atriz dramática e voltasse aos papéis de par romântico do Tom Hanks.

3. Que a Helen Fielding escrevesse mais uns Diários de Bridget Jones e a Renée Zellweger (só o Google mesmo para me ajudar com o nome dessa aí!) topasse engordar novamente os 10 quilos em troca de alguns milhões em sua conta bancária.

4. Que um estúdio comprasse os direitos das Crônicas Arturianas do Bernard Cornwell e fizesse uma trilogia (sempre esse número) só com atores ingleses. Poderia ser o Judy Law como Rei Arthur, o Ralph Fiennes como o Lancelot (que no livro é malvadão), a feiona Helena Bonhan Carter como Morgana e o Keith Richards como Merlim.

5. Que voltasse a passar nos cinemas as comédias românticas da Audrey Hepburn.

6. Por fim:

Que alguém tivesse a disposição e o bom senso de recolher todas as cópias espalhadas pelo mundo dessa insensatez do Steve Martin, antes que toda uma geração ache que ele, e não o Peter Sellers, é o Clouseau!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém!

terça-feira, março 14, 2006

Às vezes, as coisas acontecem em BH

Notícia do site do Chevrolet Hall:


"Março 2006

Orquestra Manguefônica - Nação Zumbi e Mundo Livre S/A juntos no palco
25 de março
Horário:
sábado às 23h
Preço:
R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia)Meia entrada válida para menores de 21 anos, maiores de 60 anos e estudantes credenciados. Os benefícios não são cumulativos.Formas de pagamento: Cartões de Crédito, Cartões de Débito e DinheiroPontos de Vendas:Bilheterias do Chevrolet Hall (de segunda à sábado de 12h às 20h, domingo e feriado de 14h às 20h)Ticketmaster: teleingressos -0300 789 6846 e pelo site
www.ticketmaster.com.br
Piso:
3º - Arena
Projeto Tempo Bom apresenta Orquestra ManguefônicaAs bandas Nação Zumbi e Mundo Livre S/A juntas no palco da Temporada de Verão Chevrolet HallJuntar os músicos da Nação Zumbi e do Mundo Livre em uma única banda sempre foi um desejo antigo de Chico Science e seus companheiros do Mangue Beat, um dos movimentos culturais mais importantes do país. Esse sonho dos mangueboys se transformou em realidade na poderosa apresentação da Orquestra Manguefônica, em São Paulo, dentro do projeto “Disco de Ouro”, do Sesc Pompéia, que apresenta o resultado de uma pesquisa feita entre 12 críticos musicais sobre “quais seriam os dez grandes álbuns da música brasileira”. Os seis discos mais votados são apresentados, em arranjos de grandes nomes da atualidade. Quem abriu o projeto foi “Da Lama ao Caos”, primeiro disco de Chico Science & Nação Zumbi.O álbum, de 1994, foi completamente recriado no palco pela Orquestra Manguefônica, uma parceria da própria Nação Zumbi, atualmente liderada por Jorge Du Peixe, depois da morte de Chico Science, com os companheiros do Mundo Livre S/A, liderada por Fred 04. Este encontro rendeu um super show. Aquela tinha sido a primeira vez que as duas bandas se uniram para uma apresentação única no palco.O repertório do show segue a ordem do CD: “Monólogo ao Pé do Ouvido”, “Banditismo por uma questão de classe”, “Rios, Pontes e Overdoses”, “A Cidade / Boa Noite do Velho Faceta”, “A Praieira”, “Samba Mokossa”, “Da Lama ao Caos”, “Maracatu de Tiro Certeiro”, “Salustiano Song”, “Antene-se”, “Risoflora”, “Lixo de Mangue ”, “Computadores Fazem Arte” e “Côco Dub (Afrociberdelia)”.Agora a Manguefônica apresenta esse trabalho aos mineiros, em única apresentação no Chevrolet Hall.Classificação: 16 anosInformações: 3209-8989."



Muito provavelmente eu não vou. Além de ser plantão do Otto, é aniversário da minha mãe. Mas não podia de deixar de convidar meus amigos Sandro, Silvia e Denise para virem a BH. Olha a motivação aí!

Vou ser tia!!!

Minha irmã está esperando um bebê. Estou tão feliz que o mundo tem que saber. Não podia deixar passar essa notícia sem registrá-la aqui. Podem me parabenizar!

sexta-feira, março 10, 2006

A culpa é do Detran

Eu bem que tento: leio bons livros, aboli de vez às novelas e ao Biguibroder, não como mais no McDonalds, tento ser gentil com as pessoas, faço yoga, canto mantra, rezo de vez em quando, respeito os mandamentos, tudo isso para poder evoluir espiritualmente, cumprir meu carma e na próxima vida vir como tataraneta do Bill Gates. Mas é impossível! Dirigir em BH não vai deixar que eu alcance o Nirvana.

Não coloco culpa em nosso obreiro prefeito Pimentel, o melhor prefeito da América Latina(!) , nem em suas inúmeras obras espalhadas pela cidade, mas nas pessoas horríveis a quem o Detran, por um equívoco imenso, concede Carteira de Habilitação.

Não sei como é o trânsito nas outras cidades. Só dirijo aqui. Já me contaram que em São Paulo é pior. O trânsito pode até ser, mas as pessoas são mais civilizadas, creio eu. Aqui a gente se depara em cada esquina com gente mal educada, machistas babacas e o pior tipo de motorista (se é que assim se pode chamar): os motoristas púberes. E eu, que normalmente sou uma pessoa razoavelmente educada, me torno uma bruxa desbocada que envergonharia até a Derci Gonçalves.

Não é que no sábado passado, indo para a casa da minha mãe, entrei naquele engarrafamento eterno da Rua Jacuí, agora agravado pelas obras da linha verde. Dei bobeira e fui cortar a Jacuí por uma daquelas travessas que dão acesso à Nova Floresta. Engarrafamento quilométrico. O trânsito andava, passavam uns dez carros e parava. Essas coisas não me tiram do sério, como já disse. Fui para lá sabendo que haveria engarrafamento. Fui preparada para esperar. E, para minha surpresa, tinha até alguns gentis motoristas que deixavam espaço livre para nós, que pegamos a travessa da Jacuí, entrar para o bairro.

Na hora que eu cheguei na esquininha, depois de uns 20 minutos de espera, eis que vem um desses meninos de colégio que durante a semana só andam de ônibus escolar e pegam o carro da mãe no fim de semana e fecha o cruzamento.

Pedi, por favor (sempre pensando em limpar meu carma nessa existência), para ele dar uma rezinha. Ele tinha espaço para essa manobra, não custava nada e o trânsito na rua dele ia demorar a fluir novamente. E eu pedi com muita educação, juro! Isso só para ouvir um irônico: "só porque você quer, tia!"

Aí, é que meu carma foi arruinado. Falei todos os palavrões que eu conheço na frente dos meus dois filhos. Por que será que depois dos trinta a gente vira tia de qualquer pivete cuja a mãe habita a Guaicurus? Pulei por uns dois minutos no banco do carro, para deleite do pivete. Quando eu vi que o moleque estava era se divertindo às minhas custas, comecei a pensar em me acalmar. Liguei o CD do Elton John - Daniel para me inspirar a fazer maldades, claro! -, fui esfriando a cabeça... e esperei mais 30 minutos até o trânsito abrir e o fiodaputinha seguir seu caminho até a pqp. E todo esse tempo, olhando para a cara da criatura, imaginando 257 formas de matá-la, todas precedidas por uma torturazinha básica.. Até pensei em dar uma esbarradinha na porta do garoto... Depois é que eu me toquei: o moleque fez de mim uma megera rancorosa!

Não fiz nada contra o motorista-criança, é claro. Mas a intenção foi tão forte e meu ódio por ele foi tão intenso que eu acho que na próxima encarnação virei como um chiclete pisado.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Ai que ressaca!!!


Há um tempo atrás eu li um texto do Luís Fernando Veríssimo sobre a ressaca. Era engraçadíssimo, ainda que, até então, eu nunca tivesse curtido uma ressaca. O mais engraçado era sobre a ressaca de licor de ovo, segundo ele, única hipótese em que a lei brasileira permite a eutanásia. Eu sempre ri dessa crônica como uma expectadora de fora, alguém que (repito: até então) nunca teve que suportar a tortura do dia seguinte.

Então, chegamos a esse sábado. Assistimos ao show dos Stones na casa da minha mãe, porque minha TV queimou com os raios do dia do chuvão. Como o show terminou tarde, as crianças já estavam dormindo, eu e o Otto decidimos passar no Bar Dududu tomar uma única cervejinha, coisa rápida, pois sem crianças por perto a casa era toda nossa...

Primeiro erro: passar em um bar. Por que não fomos logo para casa? Mas o bar é gostoso, a Lu e o Dudu são gente boníssima... vamos!

Segundo erro: em vez de sentar em uma mesinha, sentar no balcão e ficar de prosa com a Lu e com o Dudu. A prosa ficou muito boa e as cervejas foram chegando muito rápido. Várias delas. Geladíssimas. E estava um calorão...

Terceiro erro: ficar no bar depois que a Lu foi pra casa assistindo o Dudu botar cerveja do dia seguinte para gelar. Papo vai, papo vem, conta já paga e eis que surgem mais umas três saideiras (que estavam além da conta do meu organismo) patrocinadas por Dudu.

Aí... eu já estava tonta mesmo, fiquei ouvindo a conversa de bêbado entre o Otto e o Dudu. Discutiram Santo Agostinho, Madre Teresa de Calcutá, Jesus, família, de onde viemos, para onde vamos e qual é nossa missão ... é, porque tonto fala sério! Algo assim: "É, tipo, Santo Agostinho é o cara! Porque ele, assim, o cara mais foda do mundo! Tipo muito foda mesmo!"

Pois bem... fomos para casa. O Otto, que já teve ressaca, fez todas as macumbas pós-bebedeiras que ele conhece e acordou novo. Ainda teve a consideração de me fazer beber um copo d'água para reidratar. Acho que por isso não morri. Eu caí na cama com força. E aí... a cama girou para um lado, para o outro, até eu acostumar com o balanço das ondas e dormir.

Dia seguinte... nenhuma Dona Neusa Aldina, nenhuma dona Lisa Dor por perto! Acordei com uma dor de cabeça, estômago péssimo e pressão lá no dedão do pé. Fiquei assim o domingo todo e até a tarde de segunda. Acho que minha cerveja estava batizada. Bem que eu senti um leve gosto de licor de ovo....

Pelo menos, agora, eu posso entender perfeitamente o que quis dizer o Veríssimo. Mas a crônica perdeu um pouco da graça... pelo menos, por enquanto.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Outra de escola

Aproveitando o tema aí em cima e já que os personagens já foram devidamente apresentados, vou contar mais uma história dos meus "Anos Incríveis".

Na segunda série, ainda apaixonada pelo Ivandro-loirinho-clonezinho-do-Roberto-Leal (paixão essa que perdurou até a quinta série), nossa sala de aulas foi avisada da eleição para representantes de sala. Cada um votaria em um menino e uma menina e a professora apuraria os votos em voz alta na frente de toda a sala. Os mais votados representariam a turma o ano todo.

O Ivandro, que tinha altas aspirações políticas e aproveitando-se de meu amor profundo, me perguntou se eu não votaria nele e, em troca, ele votaria em mim.

Eu, que tinha altas aspirações românticas e aproveitando-me da ambição dele, topei na hora.

Na hora da apuração, a professora ia abrindo os papeizinhos e cantando os votos:

Ana Helena e Ivandro... Karin e Ivandro... Flávia e Ivandro... Solange e Ivandro... Juliana e Ivandro (esse era o meu)... Renato e Karin... Eduardo e Karin... Luciano e Karin... Ivandro e Juliana (esse era o dele).

A turma, que não era nada boba, somou dois mais dois e... se eu votei nele e ele votou em mim, logo, estávamos namorando! Ninguém imaginou um conchavo político, pensaram só em romance.

Foi meu momento de glória no primário. Por quase um mês, todas as meninas morreram de inveja de mim, imaginando que o garoto mais lindo da turma gostava de mim.

Ah! Na apuração, deu Ivandro e... Karin, lógico!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Esse msn...

Ontem a internet do escritório deu pau. Aí, tive que fazer umas pesquisas de jurisprudência para um recurso que ia ser protocolado hoje e fui na lan do lado do escritório. Não resisti, abri o msn e... 20 minutos e três reais depois, o estrago! Esqueci aberto quando fui embora. Entrou um cara e conversou com todas as minhas amigas que estavam on line. Resultado: uma descobriu e me contou (obrigado, Denise!), outras três não querem mais falar comigo porque acham que eu sou uma tarada. Mas tem uma que quer marcar um encontro ainda para esse fim de semana, sem o Otto... E ainda pediu para eu ir de mini saia. Ui...

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

O primeiro dia do resto da minha vida

O meu Rafa entrou para a 1ª série do ensino fundamental. Eu sei que para ele a 1ª série é importante, mas, na verdade, não tem aquele gostinho de novidade. Ele continua na mesma escola e com os mesmos colegas. E o principal evento da primeira série de antigamente, aprender ler, ele não terá, pois já veio alfabetizado da educação infantil (pré-escola de antigamente)

Mas não pude deixar de ficar empolgada. Porque eu ainda me recordo bem do meu primeiro dia de aula na 1ª série A da Escola Estadual de Primeiro Grau Enrico Bertoni, em 1980. Eu tinha a exata noção, mesmo aos seis anos de idade, que dali por diante minha vida não mais seria a mesma.

Para mim, tudo foi novidade. Eu vinha de outra escola. Aquela era escola de "gente grande", e não um lugar para "criancinhas", como era o caso da Escolinha Castelinho, onde eu tinha estudado até o ano anterior.

Nós, os novatos, ficávamos no pátio - que era enorme - esperando nossos nomes serem anunciados no auto-falante, informando a sala que iríamos estudar. Aí, fingindo a maior naturalidade do mundo, nos dirigíamos pela primeira vez a nossa "primeira-sala-de-aula-de-escola-de-verdade", como se fizéssemos isso todos os dias.

Eu, particularmente, já estava nervosa desde o dia anterior. Não tinha nem dormido. Meu coração quase saia pela boca e, quando chamaram meu nome, tive medo de não conseguir andar até a sala.

Mais de uma coisa aconteceu aquele dia: além do meu primeiro dia de aula, amei pela primeira vez e tive também minha primeira desilusão amorosa.

Estava eu lá no pátio esperando a chamada, quando ouvi o Ivandro Maciel Jr., um garoto loirinho, cabelinho estilo pajem, clone do Roberto Leal, enfim, o menino mais lindo do mundo, dizer para o Renato Righetti: "olha, aquela é a menina mais bonita da escola. Será minha namorada". Olhei para trás e eles olhavam em minha direção. E continuaram falando de mim (achei eu), a garota mais bonita da escola. Me apaixonei pelo garoto naquele instante.

Chegando na sala de aula, o menino já estava lá. Mas nem olhou na minha direção. Logo depois de mim, chegou a Karin Samorano. O menino foi até a mesa dela e disse que ia ser o namorado dela daí por diante. Isso bem ao meu lado. Ela, sim, era a garota mais linda da escola. Loirinha, olhos azuis, roupinha de laço rosa. Um pesadelo!

Até tentei esquecer a sensação maravilhosa daqueles cinco minutos em que eu fui a garota mais bonita da escola em minhas ilusões infantis. Mas aí era tarde... já estava apaixonada! E de coração partido.

domingo, fevereiro 05, 2006

Sumiu...

Eu tinha escrito ontem um texto de aniversário para minha irmã e esse texto sumiu no limbo da internet. Antes de ela ler... Acho que é a lei de Murphy dando as suas caras. A Cris sempre disse que eu nunca escrevi sobre ela em mais de um ano de blog. Quando escrevo... o texto some!!!

Não tem problema, escrevo novamente.

Eu tinha dito que a Cris acaba de entrar para nosso seleto clube: "O Clube Das Que Já Sabem De Tudo e Não Esqueceram De Nada". Com uma vantagem: sem barriga! E com cara de 20.

Falei ainda e repito que ela é "A Amiga", daquela que compra a briga, bate em quem me ofende, toma raiva de quem briga com meus filhos. Minha hermana, minha amiga, minha comadre...

Se o texto voltar, ela vai saber que eu não menti. Se não voltar... Parabéns, Cris! Amo-te

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A cidade não pára

O primeiro apartamento que morei logo que me casei foi um pequeno, de dois quartos, na divisa dos bairros Colégio Batista e Floresta.

Do meu quarto, eu via o clube Florestinha. Toda noite de sexta ouvia o bingo ser cantado. Era tão monótono que embalava meu sono: "Vinte e dois... dois-dois... dois patinhos na lagoa... vinte e dois... Próxima pedra: trinta e três... três-três... a idade de Cristo... trinta e três".

Da área de serviços, a vista era o Túnel da Lagoinha, cartão postal da cidade e barranco em cima do Túnel onde alguns meninos que deviam estudar ali no Orvile Carneiro iam fumar um baseado.

Mas minhas vistas preferidas eram as da sala. Logo abaixo da minha janela, um quintal com uma horta fantástica, com vegetais variados e completamente absurda de se encontrar em uma cidade como Belo Horizonte, além de um galinheiro (pois é, eu dormia com o bingo e acordava com o galo cantando). E mais adiante, uma pintura de Tiradentes na lateral de um prédio da Via Expressa. Tiradentes, não. Alferes Joaquim José da Silva Xavier. De farda. E em baixo da figura, a frase: "se todos trabalharmos juntos, poderemos fazer desse país uma grande nação".

Eu sempre gostei daquela pintura, apesar dos traços muito comuns. Primeiro, porque não era uma pixação; coloria a cidade, sem polui-la. Depois, porque não retratava Tiradentes pré-enforcamento, mas o Alferes Quincas com sua bela farda, uma figura rara nos livros de História. E sempre que eu passava ali por perto, vinham recordações boas da época em que eu abria minha janela e Tiradentes entrava na minha sala.

Pois bem. Dia desses, passando pela Via Expressa, vi que não há mais a pintura. Acabaram com o Tiradentes. Pintaram a parede de azul e no lugar da minha estimada pintura, uma propaganda de tintas. Horrorosa. Poluente. De mau gosto.

A cidade não pára, a cidade só cresce...

Espero que, pelo menos, a horta e o galinheiro continuem lá.

Meus piolhinhos

Para angariar elogios, interjeições meigas (do tipo "ôôôô!!!!") e dar vazão à minha corujice, foto dos meus pequenos.

Esse é o Rafael, meu negão com seu sorriso lindo:


Esse é o André, meu cangaceiro, em pose parodiando Chaplin:



Ôôôôôôôôôôôôô!!!!!!!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A velha doida sábia da montanha

Em uma conversa com a Silvia, dessas que a falta de assunto predomina e a gente viaja na maionese (essas sempre são as melhores), expus para ela meu projeto profissional futuro (ou vocês pensaram que eu iria morrer advogada e ir para o inferno?).

Primeiro de tudo, compraremos um sítio, de preferência nas montanhas. Otto e eu. Lá plantaremos tudo quanto é tipo de erva medicinal. E eu terei uma barraca no Mercado Central, que se chamará "Dona Juquinha das Ervas". E é assim que eu serei conhecida. Enquanto o Otto fica na montanha com seus discos, seus livros e nada mais, eu venho passar dois ou três dias por semana em BH para atender minha clientela no Mercado Central. Tem que ser lá. Em uma barraca de canto, meio escondida. Vou ser daquelas velhinhas que sabe qual é o chá, a simpatia, a cura para cada mal da humanidade: frieira, pedra nos rins, impotência, depressão, calcanhar rachado, falta de dinheiro, unha encravada, falta de amor... Serei a velha doida sábia da montanha, como disse a Silvia (www.cambalhotas.blogspot.com).

Para isso, vou criar também um lay out de velha sábia: Cabelos compridos até a cintura. Brancos como neve. Tintura, nunca. E eu vou fazer uma trança bem compridas e fininhas, de cabelo ralo velhinha. Rosto enrugado. Jamais usarei calças compridas. Só saias até o pé. Bem coloridas. Ou vestidos indianos. O terceiro olho entre as sobrancelhas para criar aquele ar de alguém que sabe alguma coisa que os outros não sabem. Nada de óculos. Velha sábia que se preze não enxerga com os olhos. Muitos colares, cada um com um significado. E um guizo no pé para fazer barulhinho quando eu andar. Tatuagens azuladas nos braços enrugados. .

Essa serei eu até os 853 anos. Aí eu sumo. Porque com matuta velha é assim. A gente vai encolhendo, encolhendo até desaparecer.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Duzentos reais????


Declaro, para os fins de Direito, que sou pobre no sentido legal, não podendo arcar com os custos do show do U2 sem prejuízo de meu sustento e de minha família.



Fiquei chocada com o preço do show do U2... R$ 200,00???? Caramba!!! E ainda deu tumulto nos postos de venda?? Quem tem tanto dinheiro assim pra gastar com um show?

Confesso que, por um breve instante, eu cheguei a sonhar com a remota possibilidade de ir a São Paulo assistir ao U2. Eu em minha inocência pueril, achei que, já que não haveria gastos com estadia, só passagens e entradas (que, por óbvio, teriam preços razoáveis), eu e Otto assistiríamos o show e voltaríamos belos e fagueiros para Belo Horizonte, com um pequeno buraquinho no orçamento que trataríamos de tapar nos próximos meses. Seria apenas uma pequena irresponsabilidade e ainda visitaríamos a família lá em São Paulo.

Eu, egoísta que sou, fiquei muito feliz quando acabaram-se os ingressos. Bem feito pra quem ficou na fila. E só assim pra eu para de pensar bobagem.

Ai, ai... então, se eu comprar a passagem para o Rio, acampar na praia Copacabana já guardando lugar próximo ao palco (veja só como eu sou viva: economizo e ainda garanto boa localização), talvez eu não seja pisoteada e veja os Rollings Stones!!! Sempre preferi o Mick Jagger mesmo. O Bono é muito bonzinho pro meu gosto.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Carro velho... carro velho pra quê?

Ontem, com uma satisfação moderada (foi menor do que eu achei que seria) e um enorme alívio (esse realmente grande), terminamos, às duras penas, de pagar as prestações do carro.

Por cinco deliciosos minutos pensei no que eu faria com os quase R$ 500,00 reais a mais do meu salário.

Pensei em algumas opções: livros, discos, roupas, cinema, show do U2 em São Paulo mês que vem e, pelo menos, uma ida à Lavras Novas lá pra julho.

Aí lembrei: IPVA, seguro obrigatório, taxa de licenciamento, algumas multas, o conserto do motor que foi bem caro, alguns outros pequenos consertos que deverão ser feitos brevemente, seguro... Será que sobrará dinheiro para a gasolina?

sexta-feira, janeiro 06, 2006

E tudo por causa de um telefonema...

Esse post começou a ser elaborado a partir de um simples telefonema profissional dado ontem.

Liguei para o Departamento Pessoal de uma das empresas que eu atendo pedindo cópia de um documento para poder fazer um recurso. O rapaz que me atendeu assim me respondeu: "Daqui a pouco eu te dou um feed-back".

Na mesma hora veio na minha cabeça a idéia de um regurgito de bebê, sabe aquele leitinho que volta quando o bebê está cheio? Ou então aquele gostinho desagradável da comida super temperada que você comeu no almoço de ontem e não fez a digestão ainda? Para mim, feed-back é isso. Ou então, em um trocadilho infame, digno do "Ingrêis procêis", feed-back (corruptela da expressão "filho do beque") é o filho do jogador de futebol, muito possivelmente gerado com uma loira oxigenada e reconhecido após um teste de DNA. Exemplo: O feed-back se chama Vandergleison Alberto da Silva Júnior.

Não sei quanto a vocês, mas essa linguagem pasteurizada ISO-9000, me deixa meio mau-humorada. Ainda usando o exemplo aí de cima: por que o rapaz simplesmente não disse: "daqui a pouco eu retorno a ligação" ou "daqui a pouco eu te passo um fax" ou ainda, "já te mando o documento"? Respondo: por preguiça de pensar. É muito mais fácil utilizar meia-dúzia de frases pré-cozidas do que elaborar uma nova, ainda que simples.

Há outras expressões largamente utilizadas hoje em dia e que muito me incomodam. "Estabelecer paradigmas" é uma delas. Que saco isso. Tenho a impressão que as pessoas nem sabe o que estão falando e usam porque soa bonito. "Temos que estabelecer paradigmas". Por cacoete profissional meu, paradigma é, em uma ação onde o objeto é uma equiparação salarial, o sujeito de melhor salário e paragonado é o reclamante, o autor da ação. E ponto final.

Outra expressão que me deixa muito macha é "quero otimizar meu tempo". Que mania é essa de inventar verbos? Otimizar, além de tudo, é uma palavra horrorosa que aos meus ouvidos soa tão pobre quanto a onda de gerundismo que assola nosso país.

Aliás, quer me deixar quicando feito uma bolinha de borracha de tanta raiva é me falar "eu vou estar te enviando", "nós vamos estar retornando" com aquela vozinha profissional meio anasalada. A vontade que eu tenho é responder para o ser "Ah! Muito obrigada. E eu vou estar te mandando para a puta-que-o-pariu. Boa tarde." Provavelmente, a primeira pessoa que falou "eu vou estar fazendo essa merda" foi um pobre-diabo que se achava fluente em inglês e comprou um desses cursos gravados em fitas/cds e fez uma tradução porca. Falou em voz alta, achou lindo o que disse e disseminou essa porcaria do Oiapoque ao Chui.

Vejam bem: minha revolta não é contra as pessoas que falam ou escrevem errado, até porque por mais que a gente capriche e estude, é muito difícil ter uma redação impecável. Também não sou uma purista xiita que detesta estrangeirismos. A língua é dinâmica e todos os dias fazemos uso de alguma palavra de origem estrangeira e isso se traduz em enriquecimento. O que me deixa revoltada é o empobrecimento da língua portuguesa com umas bobagens pré-fabricadas, feitas por e para pessoas com preguiça de pensar, quando há tantas opções melhores no Aurélio Buarque de Hollanda. E olha que eu estou falando da edição de bolso!

E pensar que tudo isso começou com um simples telefonema de rotina ... estou precisando urgentemente de 1/4 de lexotan.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Om shanti namaste


De todas as minhas novidades de 2005, a melhor e que vai permanecer na minha vida nesse ano que se iniciou e, se possível, nos anos que seguirão a esse, é a yoga.

Pois bem, meus amigos. Faço yoga, sim. Há mais de 6 meses. E gosto.

Devo confessar que, no início, eu também estranhei muito. Eu sempre mantive essa fachada agnóstica e materialista que há dez anos atrás dava um certo charme a uma estudante de Direito. Combinava com o discurso esquerdista decorado. E com a atitude crítica com tudo na vida.

Passado os anos e para evitar que as pessoas tentassem me converter para suas respectivas religiões (já que um ateu é sempre um alvo muito visado dos praticantes de alguma religião) e, a exemplo do meu marido e do Vinícius de Morais, passei a me declarar filha de Xangô, afilhada de Zambi. Mas, hoje, depois de refletir acerca das coisas imateriais da vida (por que não? sou capaz disso também), confesso, com toda precisão, que sou uma quase-católica, daquelas que não têm muita paciência para missa, padre e papo de céu e inferno. Porém, sou muito devota de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. E acredito na doutrina kardecista. E nas entidades do candomblé. E nos Vigilantes do Peso. Isso é que é sincretismo religioso.

No entanto, andava com meu lado espiritual meio em stand by. Isso desde que ouvi uma musiquinha em uma missa que falava que nós, seres humanos, somos completamente desprezíveis, mas Deus, eu sua enorme sabedoria, nos ama assim mesmo. Não me acho desprezível. Existem realmente seres desprezíveis no mundo, mas a maioria dos que eu conheço (e aí me incluo) são bem aprazíveis. Sinceramente, essa não é uma boa maneira de atrair o público. E depois reclamam que as igrejas estão vazias...

Essa e outras cositas reforçaram minha atitude "semi-atéia/quase-católica" com a vida e me afastaram de toda e qualquer prática dita espiritual.

Por esse motivo mesmo, demorei mais de um ano até me decidir a assistir a primeira aula de yoga, já que confundia yoga com um tipo de religião. Achava que ia ser perda de tempo. E tinha medo de ter uma atitude desrespeitosa. E também porque sempre fui meio preguiçosa com qualquer coisa que envolvesse algo parecido com ginástica e isso eu sabia: rola ginática na yoga.

Pois bem. Em razão do convite ter partido de uma grande amiga minha e por causa de uma certa curiosidade também, assisti àquela primeira aula, de forma muito desconfiada e acanhada.

Tive algumas dificuldades no início. Para praticar yoga (que é uma prática corporal e mental, não espiritual. Não é, definitivamente, uma religião, agora eu sei...) a pessoa tem que desenvolver uma certa capacidade de abstração, o que é meu ponto fraco. Não tenho essa capacidade. Eu desvirtuo a imaginação. Querem um exemplo: a professora ordenava que imaginássemos um portal de luz. Para mim e minha imaginação estreita e mundana, esse portal era sempre de neón, meio Las Vegas, muito cafona. Imaginar uma luz azul entrando pelas narinas e iluminando meu corpo todo? Eu pensava em mim mesma como um tipo de Hulk azul cintilante... Acho melhor parar por aqui nas abstrações.

Mas por que fui à segunda aula e continuo a praticar até hoje? Naquela mesma primeira aula, houve um exercícios em que a professora falou para nos vermos completamente iluminados (o tal exercício do Hulk azul) e disse: "perceba que você é um ser de luz com metas muito elevadas na sua vida". Viram a diferença: de desprezível a ser de luz com metas muito elevadas...

Ah! E os exercícios físicos são todos gostosos de fazer, a dificuldade e intensidade aumentam gradativamente, sem forçar o corpo. Depois de seis meses, estou tããão elástica...

Ah! E tem o relaxamento, que é a última parte da aula... em plena quinta-feira eu recarrego as baterias como se tivesse descansado o fim-de-semana todo.


Então, om shanti namaste (que quer dizer "a divindade que habita meu ser sauda a divindade que em ti habita"). Bonito, não?

terça-feira, dezembro 13, 2005

É sempre lindo andar...

Sexta-feira eu desembarco em São Paulo. Não me canso de declarar meu amor a essa cidade. E motivos para gostar de São Paulo não me faltam:

Mooca: andar pela Mooca, principalmente acompanhada do meu sogro é um passeio único. A gente passa na lotérica, faz uns joguinhos na mega e lotomania (coisas que não têm a menor graça quando feitas aqui em BH) e faz planos para gastar o dinheiro.

Feiras livres: Primeiro passeio que faço assim que chego a São Paulo. É quase um ritual para saber que estou em São Paulo mesmo. Cheguei. Estou de férias. Ir a uma feira livre ouvir o vendedor falar: "aí lindá, vem ixprimenntá um pedaço di mannga, lindá! Tá docinha. Uma por déis real".

Avenida Paulista: A primeira vez que estive em São Paulo, como toda boa caipira, quis ir de metrô até a Avenida Paulista. E ela é a rua mais bonita do Brasil mesmo. Desde a Casa das Rosas (ou como diz o Randall Neto - www.febrealta.blogger.com.br -, Coupê Mal Assombrado da Corrida Maluca) até a Avenida da Consolação. É lá que tem um McDonalds em estilo rococó. E por ali andam os executivos de terno elegantérrimos misturados com adolescentes de cabelo colorido e tanto piercing pelo corpo que mais parecem pára-raios.

Cinemas em horários alternativos: antes do meio dia e depois da 23 horas. E com preços alternativos. Perfeito para quem está de férias.

Sotaque paulistano: música para meus ouvidos mineiros. Aliás, cabe aqui um parentesis. Meu sotaque original é do estado de São Paulo. Santo Anastácio. Oeste Paulista. Puxava os erres com vontade. Depois de 16 anos de Belo Horizonte, eu falo mole.

Cruzamento da Ipiranga com São João: é piegas, mas quase chorei a primeira vez que estive lá.

Orgias gastronômicas, mais conhecida como comilança: nona italiana... preciso explicar?

Chocotone: é claro que BH tem chocotone. Até das mesmas marcas que têm em São Paulo. Mas é mais gostoso o que eu como lá. Aquele que a Dona Maria, a nona italiana, escondeu de todo mundo especialmente para mim.

Rei do Mate: não há essa delícia por aqui.

Andar pelo Centro com o Otto: minha melhor companhia para todos os passeios. E tomar um mate no Rei do Mate no fim do passeio.

Parque do Ibirapuera.

Pizza de mussarela do Palucci.

Amigos, família, sobrinhos...

E o principal: não trabalhar, não passar nem perto de computador, não falar de Direito do Trabalho, aliás, nem saber o que é Direito do Trabalho, empresa, preposto, recursos, prazos, por dez dias inteiros... ou seja, um sonho!

E cadê a sexta-feira que não chega?

domingo, dezembro 04, 2005

As + enferrujadas



Esse é o nome de um disco que eu comprei em uma mesa de boteco. CDzinho pirata. Eu sei, pirataria é crime, mas o CD é daqueles que os caras fazem uma seleção própria, não tem em loja para vender... tecnicamente, não é pirata.

Devo confessar que, além de tudo, comprei o CD por causa de uma paixão adolescente... o A-Ha. A primeira faixa: Take on me.

Como toda garota de 15 anos do fim da década de 80, que usava sutiã de ombreira da mãe, tênis Redley sem cadarço, calça bag e madeixas desfiadas à la Cláudia Raia, eu suspirava por esses rapazes com cabelos estranhos. E, junto com a minha irmã, passava a tarde toda ouvindo o disco e decorando as letras para poder cantar nas festinhas de fim de semana.

Tinha até outras musicas legais no CD, tais como Daniel, do Elton John (eu gosto de Elton John, sim, vai encarar?) Essa música, Daniel, sempre me faz lembrar uma passagem de um livro do Stephen King, onde o malvadão, depois de espancar a mulher grávida até levá-la ao aborto, lava as mãos ensanguentadas, assoviando candidamente a melodia. Desde então, sempre que eu faço uma maldadezinha (não tão horrível como a do rapaz do livro), eu assovio essa música.

Mas voltando ao A-ha: primeira providência ao entrar no carro: ouvir Take on me, claaaaaaaaaaaaro. No talo. E começar a dançar freneticamente no banco. Até o carro chacoalhar. E a cantar aos berros, em um êxtase brego-nostálgico... até ser interrompida por meu digníssimo nego:

- Ju, se eu fosse você não vibraria tanto com um CD que se chama "As + enferrujadas".

Aposentei o CD. Nada como ter alguém que lhe empresta o senso de ridículo quando o seu falha.

terça-feira, novembro 29, 2005

E o papai noel?



Discussão sobre os presentes de Natal. Rafael pediu um brinquedo caro, bobo, inútil e que com uma semana, certamente, fará parte do acervo dos "brinquedos encostados" que vivem no limbo da bola azul.

Mãe do Rafael: Rafa, dá opções para o Papai Noel, meu filho. Escolha mais de um brinquedo. Assim, se ele não achar um, compra o outro.

Rafael: Mãe, mas é o meu Natal!

Mãe do Rafael (assumindo o papel de mãe e tentando - apenas tentando - dar uma lição de moral na criança): Não, não é só seu. O Natal é de todo mundo. É o aniversário de Jesus. E o Papai Noel tem que pensar em todos e...

Rafael (muito sério): Mãe, EU SEI que Papai Noel não existe!

Mãe do Rafael, detestando o rumo da conversa (daqui a pouco ele vai falar que sabe o que é sexo...): Mas e os presentes que você ganha todos os anos?

Rafael (ainda sério): Alguém que está perto de mim e ouve o que eu peço, compra os brinquedos. Naquele ano lá, foi o tio Gubas.

Mãe do Rafael: Filho, se você não acredita em Papai Noel...

Rafael (interrompendo): Mãe, não é que eu não acredite em Papai Noel. Ele NÃO EXISTE!!!

Mãe do Rafael: !!!!!!

Que porcaria que é perder as ilusões... E eu, que já tinha me convencido que Papai Noel existe...