quinta-feira, fevereiro 03, 2011

2011

Sem planos, só anseios:

Saúde, sanidade, paz e amor. E se não for pedir muito 'um trocado pra dar garantia'.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Sobre meus meninos e o show no telhado

Sinceramente... não sei porque esse auê todo por causa do show do Paul McCartney. Nem acho que ele é isso tudo. Na verdade, nem nunca foi tanto assim. Mick não gostava dele. Keith não gostava dele. Me lembro porque eles sempre me diziam isso. Na verdade eles não gostavam do John também. Tinham uma certa simpatia pelo Ringo. Na verdade, eu os apresentei. Ringo é um cara legal.

Fui a um show do McCartney quando ele ainda tocava na banda. Isso foi em 1969. Naquela época, eu era uma artista de vanguarda, com pouco dinheiro e talento duvidoso. Mas era bem gostosinha. Eu vivia em Londres e tinha como amigos mais próximos Mick e Keith. Era um pouco mais velha e experiente que eles. Ensinei muita coisa para eles. Éramos um trio. Eu morava em um sotão no centro de Londres. Era meu cafofo. Eu dizia que era ateliê. Pensando bem, tirando a moldagem dos pênis dos dois e uma escultura de minha gata Angel, eu não produzi muita coisa. Mas estou me perdendo aqui... Bom... onde eu estava mesmo. Ah! Mick e Keith. Eles sempre estavam comigo. Vivemos loucuras. Os três. Ora com um, ora com outro. Ora os dois sem mim. De vez em quanto, tudo junto e misturado. Não me lembro de todas nossas loucuras. Ninguém daquela época se lembra de todas as loucuras que fez. Na verdade, eu usei tantas substâncias naquela vida que eu tenho bad trips em minha atual existência careta.

Bom... mas voltemos ao show da banda do McCartney. Eu era amiga do Ringo. Já contei isso? Cara legal, entrou naquela banda de gaiato, mas sabia aproveitar o que a vida tinha lhe oferecido. Ringo convidou, eu fui. Um lance no telhado da gravadora. Achei bacana o show ser no telhado. Curto telhados. Fui. Levei minha gata Angel. Ela também curte telhados.

Fui também pelas drogas e pela birita. Ringo me pediu pra não levar meus meninos (era assim que eu chamava Keith e Mick), porque poderiam causar problemas. Não contei pros meninos que eu ia. Foi um bom show. Também não me lembro direito, já que rolou mesmo muita birita e drogas naquele dia. Mas me lembro que pensei: 'acho que esses rapazes são mesmo melhores que meus meninos, como andam dizendo por aí'. Dias depois, usei esse argumento em uma briga com o Mick. Ele jogou uma garrafa de wisky na minha cara e eu fiquei sem dois dentes na frente. Fiquei banguela. Eu era chamada de 'a groupie banguela'. Injustiça. Eu não era groupie. Eles é que vinham ao meu cafofo. Eu não viajava atrás eles. A gente viajava junto.

Voltando ao show. Foi bom. Até mais que isso. Foi um show muito bom. Excelente mesmo. Mas não me lembro direito. Já disse que não me lembro direito? Saí de lá com George. Acho que o levei pro meu cafofo. E acho que Keith estava lá. Acho que rolou briga. Ou uma confraternização. Não sei. Nunca me lembro bem das coisas daquela época. Dizem que isso é normal depois que a gente morre.

Um ano depois, ainda sem os dentes da frente, eu morri. Disso eu lembro. Foi em 1970. Meus meninos estavam em turnê. Só me encontraram vários dias depois. Minha gata Angel já tinha comido minha orelha esquerda. Meus meninos fizeram um belo funeral para mim. Foi realmente muito lindo. Teve música, birita, substâncias. Teve gente que transou lá mesmo, no funeral, perto do meu caixão. Eu pedi para alguns amigos fazerem isso. Ato de última vontade. Era o que eu queria: amor, confraternização e loucura. E caixão fechado, porque eu não estava muito bonita de ver.

Pois bem. Nessa encarnação, eu não fui em um show sequer dos meus meninos. Falta de oportunidade, eu acho. E uma coisinha também contribuiu para esse desencontro. Também não fui em show do Paul McCartney. Porque meus meninos não gostavam dele.

Procurei meus meninos nessa vida. Já falei isso? Não? Pois é. Procurei. Lembram do último show deles aqui no Brasil? Eu ia naquele show. Cheguei ao Rio, comprei ingresso e tudo o mais. Só que resolvi procurar por Mick e Keith antes do show. Foi difícil, burlei segurança e tudo o mais. Bom... Mick não acreditou em mim, ficou irado, me processou e hoje eu há uma ordem restritiva contra mim. Não posso me aproximar dele. O mínimo é 5 km. Não posso nem mesmo comprar um ingresso de show dele. É por isso que eu nunca fui em um show deles. Keith, cujo coração sempre foi mais puro, acreditou em mim. Mas também lembrou de meu lance com o George e ficou meio ressabiado. Hoje, a gente troca uns e-mails mas coisas não são mais como antigamente...

O texto acima foi produzido durante a chamada "Operação Marajó", o regime hipocalórico que eu estou sofrendo para poder não fazer (muito) feio nas minhas férias. Creditem os delírios à fome que eu tenho passado. Ou acreditem em tudo. Não me lembro mesmo direito das coisas. Já disse isso? Ah! E eu gosto do Paul McCartney. Nessa encarnação. Apesar de ainda preferir o George. Uh!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Hoje meu nego faz 41 anos!

Cada vez mais lindo, mais cheiroso, mais interessante, mais bacana. Versão 4.1. Uma loucura!

Te amo!

quinta-feira, novembro 04, 2010

Novidades

O ponto alto do meu ano foi essa passagem de outubro pra novembro!

Nesse feriado encontrei pessoas que eu amo muito e fazem parte da minha vida há mais de vinte anos. Alguma eu não via há 20 anos!!! Quero todos perto de mim sempre!

Dia primeiro nasceu José Roberto Fortunato Bruno! Filho do Lysso e da Camila, meu pretinho básico e mais um flamenguista pro clã dos Brunos (titia já providenciou o uniforme). Queria muito que meu pai saisse lá da nuvenzinha pra ver seu neto xará!

Meu coração é só amor, saudade e vontade de ficar junto dos meus!

segunda-feira, outubro 18, 2010

Decidido: de hoje em diante não ouço mais música que eu não ame!

Quando eu digo amar, é amar mesmo! Porque música que eu não gosto eu já não ouço mesmo. No meu mundo não existe pagode, axé, funk, sertaneja, sejam elas as versões universitárias ou Mobral da coisa.

Mas minha atual decisão é muito mais abrangente.

Daqui pra frente eu não ouço Djavan, Clube da Esquina, Paulinho Pedra Azul ou Moska, Ana Carolina, Lenine, Baleiro, Chico César, Nando Reis, rock barango dos anos 80 ou qualquer outra dessas coisas que antes, às vezes, eu suportava por amizade, para não caçar confusão, porque estava no elevador, ou em uma festinha de um colega, ou no Biri Biri (se bem que lá eu ouço qualquer coisa e nada me incomoda). Nem Cássia Eller, que antes eu ouvia por amor ao Otto, não será mais aceito. A não ser Que o Deus Venha. E Je ne regrette rien. E Um tiro no coração. Só. Elis, somente as músicas que ela cantar do João Bosco e Aldir Blanc. Enjoei.

Agora, para eu ouvir, eu tenho que amar!

E meu embasamento para tal decisão é puramente convicção espiritual:

Quero morrer ouvindo as nega! Ou Nina Simone ou Beth Carter ou Ella Fitzgerald ou Aretha Franklin ou Etta James ou Billy Holliday ou Clementina de Jesus. Quero que minha última música seja My baby just care for me. Ou Roxá. Ou Embala eu (essa deleita os ouvidos e já encomenda a alma junto).

O mundo anda tão complicado, tão violento, que de uma hora pra outra eu posso morrer de susto, de bala ou vício (essa música eu ainda ouço) e aí, a última lembrança que eu terei desse mundo será... Maria Gadú??? Ah, por favor!

quinta-feira, outubro 07, 2010

Eu não sou Serra!

Nada mais irritante do que aqueles spans que a gente recebe de todo lado. Mais irritante ainda, receber aqueles de conhecidos, que querem, a todo custo nos convencer a votar, neste ou naquele candidato, mas não utilizam a plataforma super legal do candidato que acreditam. Preferem jogar na lama o adversário e pra isso vale qualquer coisa: chamar o cara de anti-cristo, inventar, usar o site da TFP (essa foi o melhor de tudo) para tentar me convencer!!!! Engraçado é que eu só recebi isso de eleitores do Serra. Não recebo nada disso dos meus amigos que votam em outros candidatos.

Então, apenas para clarear os fatos:

EU NÃO VOTO NO SERRA! NÃO QUERO PSDB NA PRESIDÊNCIA. JÁ SOFRI DEMAIS COM 8 ANOS DE FERNANDO HENRIQUE!

Um amigo meu, mais perebado que eu, disse que o Serra é o único candidato comprometido com nosso estilo de vida. Estilo?? Que estilo, cara pálida? Porque se você não notou, tem muito tempo que minha vida não tem estilo. E nem a sua! E, pelo menos no meu caso, eu devo muito disso ao Fernando Henrique Cardoso!!! Então, a menos que me convençam que o Serra vai fazer tudo tudo tudo diferente dos governos tucanos que aí estão (e o que foi em paz, graças a Deus!), eu não voto no Serra.

Eu não vou votar na Dilma também. Pelo simples fato de que eu estarei em SP e vou justificar o voto. Não achei que a Dilma merece tanto assim meu voto a ponto de eu cadastrar voto em trânsito. Então, queridos amigos tucanos, fiquem tranquilos! Mas eu torço pela Dilma. Pelas razões anteriormente expostas.

Se quiserem algum dia que eu vote em um candidato, me mandem o site do sujeito, as propostas, o que ele fez na vida. Campanha tem que ser limpa!

Ou então, deixem minha caixa de e-mail em paz!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Sobrevivi. Com sequelas. Nada muito sério ou que me leve a ouvir música sertaneja. Só um pouquinho de Clube da Esquina. Vamos ver se a lerdeza passa ou a sequela é definitiva.

Bom... como consequência de minha inconveniente sobrevivência... os livros são meus! o cachecol ainda é meu! o violão é meu! os dvds e miniaturas do star wars são minhas! ahahahahaha (risada malévola)

Mas ainda estou precisando de carinho e chocolates. E Stellas também. Aceito visitinhas e bis de limão.

Au revoir.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Ato de última vontade ou uma gripe me assassinando.

A quem interessar possa: gozando de minhas faculdades mentais (o tanto quanto os delírios dos 38,8ºC de febre e a gripe galopante que estraçalha meu cérebro permitem), deixo registrado minha última vontade: meu violão semi-novo deixo para meu filho Rafael. Meu deslumbrante cachecol vermelho para minha irmã Cris. Meus DVDs e minha coleção de miniaturas do Star Wars deixo para meu filho André. Meus livros do Ariano Suassuna, principalmente a Farsa da Boa Preguiça autografado, e os CDs da Clementina e do Adoniran ficam para meu amado nego que sempre soube compartilhar comigo essas paixões.Meus DVDs Audrey Hepburn para minha mãe. Para meu irmão e para Camila, sua amada, deixo meu Tim Maia Racional. Minha camisa do Flamengo fica para o José Roberto, meu sobrinho não nascido para que desde cedo ela saiba as coisas certas da vida. Meus livros do Nick Hornby ficam para quem souber apreciar.

Me enterrem de pretinho básico e bota. Não deixem que passem batonzinho vermelho nem rosa em mim.

Adieu.

R.I.P.

terça-feira, agosto 31, 2010

Sobre nós, os esteticamente macios ou regras para o bem viver entre pessoas de pesos diferentes ou confissões de uma gordelícia

Acho que nem quando meu pai era vivo e dizia com toda sutileza e doçura que era capaz "Você está tão gorda que vai morrer e eu vou ter que criar seus filhos!", eu me sentia tão patrulhada.

Aliás, hoje há uma patrulha ferrenha contra nós, os esteticamente macios.

E nem venham me dizer que a questão é a saúde e não a estética. Para quem olha, o que conta é SÓ a estética! Os adeptos da vida saudável tratam o emagrecimento com outra abordagem. Utilizam-se de outros argumentos: longevidade e bem-estar! A perda de peso é acessória.

Os olhos sensíveis, cuja gordura alheia incomoda, são os que patrulham. Daqui um tempo, vão instituir blitz contra a obesidade. Vão me mandar descer do carro, me pesar. Depois, vão me mandar embora apenas com uma multa e alguns pontos a menos na carteira. No meu caso, é apenas sobrepeso. Mas coitados dos realmente obesos! Esses vão ter seus veículos e carteiras apreendidos. Infração? Dirigir gordo. Gravíssimo!

Outro dia, lendo o blog da Maíra tinha o texto falando de uma parente cujos comentários a respeito das outras pessoas era apenas: "Você viu o fulano? está imenso!"; "E a ciclana? Emagreceu 20 quilos."; "Meu filho está obeso! Você nem vai reconhecer quando encontrar com ele".

E eu nunca tinha notado, mas eu escuto esse papo pelo menos uma vez por dia, vinda de fontes variadas, de gente que nem se conhece. Fulano engordou, beltrana emagreceu!

Que coisa chata ficar patrulhando a adiposidade alheia! Deixem meus pneus em paz!

Por conta da opinião dos outros já fiz loucuras. Tirando anorexia e bulimia, o resto eu já fiz em nome da boa forma: dietas radicais, sibutramina (que quase custou meu casamento, mas me deixou magrinha), floxetina, shake, laxante, vigilantes do peso, caminhada, corrida (certa feita, com um tombo humilhante), ioga... E todos deram certo por um tempo e apenas parcialmente. Afinal, quando a gente entra numa de emagrecer, a meta que nos impomos é realmente ambiciosa: se para o meu tamanho é considerado como peso ideal de 51 a 62 quilos, é claro que eu vou querer ficar com ... 49 quilos. Não há como evitar a frustração.

A questão é que eu já fui magra. Magrinha. Até meus 24 anos, eu nunca tinha feito uma dieta, nem sabia pra que servia. Então, quem me conheceu nessa época cobra de mim minha antiga magreza, como se ao invés de ter ganhado peso, eu tivesse exterminado uma raça de passarinhos raros da Amazônia. Falta mandar me prender. Excesso de pança.

Nesses 12 anos em que eu luto contra meu peso não consegui usufruir nem mesmo de uns 2 anos de magreza. Isso se eu juntar todos os períodos em que eu fui magra. Os outros 10 anos foi a sensação de inadequação que reinou.

É claro que é bacana ser magra, entrar numa roupa linda sem ter que fazer trambique, jejum prolongado, ficar bem de biquini... Eu também queria isso. Mas hoje eu estou com 36 anos, passei por duas gravidezes, nunca fui de fazer exercícios na vida (e agora meu corpo sofre com minha indolência pretérita) e gosto de comer. Não dá pra agora, querer virar Gisele, né? O que tento hoje é ser saudável, ainda que isso não seja o esteticamente correto. Quer saber? Foda-se o esteticamente correto! Eu quero ser é gordelícia!

A gordelícia não é magrinha, mas é bem cuidada. Unhas feitas, depilação em dia, cabelinho bonitinho, batonzinho, roupa bacana... A gordelícia tem sempre alguém do lado que saberá apreciar todos os benefícios de sua abundância! A gordelícia tem amor próprio em cima, tem atitude. Vê beleza na opulência! Viva o peitão e o bundão!

Então, de hoje em diante, seja eu gordelícia ou eventualmente magra (durante o efeito de uma dieta qualquer!), neste momento solene, eu decreto as regras da boa convivência entre pessoas de pesos diferentes (porque aqui eu vou falar sobre os gordos porque a minha vivência me leva a isso, mas vale também para aqueles magrinhos que são importunados por sua falta de peso):

1. Não falar para a pessoa frases como: "você precisa emagrecer!", "você está gorda!", "por que não tenta uma dieta?", "você não quer emagrecer?". Gordo também tem espelho em casa, também sobe em balança! Gordo sabe que é gordo E QUER EMAGRECER! Seja por razões estéticas ou de saúde, nós morreremos tentando ser magros, acreditem!

2. Não fazer fofoca do peso alheio! Ficar comentando que fulano engordou ou emagreceu não trás nenhum benefício à conversa e só mostra a futilidade do interlocutor.

3. Se um gordo disser "eu estou gordo", tente não tecer comentários a repeito. É apenas uma frase solta, um lamúrio, uma constatação melancólica. Não é uma brecha para você dar uma lição de moral utilizando expressões como "vergonha na cara" e "força de vontade". Isso só estimula nossa vontade de nos empanturrar com bobagens. Se você tiver muuuuita intimidade com o gordo em questão, pode até passar uma dieta, dar o endereço de um endocrinologista ou do vigilantes do peso. MAS ISSO SÓ SE ELE TE PEDIR!

4. Nunca xingue ninguém de rolha de poço, Shamu, bola, balão, bolo fofo ou qualquer outra coisa esférica. Dói! Aliás, gordo tem nome. Não chame ninguém de gordo.

5. Se você encontrar um amigo que já foi gordo e emagreceu troque a expressão: "Nossa, você emagreceu!" por "Nossa, como você está bonito" ou "Nossa, como você está bem". É muito mais simpático!

6. Não fale do rosto bonito de um gordo para elogiá-lo. É crítica mascarada de elogio. Terrivelmente grosseiro.

7. Pare de tentar mudar as pessoas. Isso é preguiça (ou medo?) de admitir os próprios defeitos. Olhe mais para si mesmo e vai descobrir que há algo a ser trabalhado. Viva e deixe viver!

8. Seja feliz!

E viva a diferença!

sábado, agosto 07, 2010

Isto é mesmo verdade? Acho que achei meu blog favorito e me desculpem meus amigos blogueiros.

http://lojaloiseau.blogspot.com/

Quero qualquer coisa daí.

sexta-feira, agosto 06, 2010

Ontem mesmo eu disse que não conseguia mais escrever sobre meu pai.

Mas ando com muita vontade de falar sobre ele, de encontrar pessoas que conheceram ele e que não tenham aquela saudade reverencial que transforma todo mundo que já morreu em alguém fantástico. Porque meu pai não precisa disso pra ser fantástico.

Eu não sou uma pessoa de sentir falta. Não aquela falta urgente, de querer a pessoa do lado agora. Talvez por ter morado "em tanta casa que nem me lembro mais" e ter amigos espalhados por todo esse mundão de meu Deus, ou por já ter namorado à distância (mais de uma vez)... eu não sinto muito disso. Sinto saudade. E saudade é gostar de alguém que está longe. E como gostar é algo bom...

Dele eu sinto saudade todo dia. Mas tem sempre algo dele sempre perto de mim. Meu filho é a cara dele. Uma piada repetida. Coisas que eu ou meus irmãos falamos e que sabemos que era o que ele falaria. Mas tem coisas que fazem falta e que ele levou embora.

Eu ia começar a falar dos seus conselhos. É normal, afinal, uma filha sentir falta dos conselhos de seu pai. Bom... na verdade, não sinto. Não que ele não tenha me dado alguns bons conselhos na vida. Deu. E até hoje eu penso quando vou fazer algo, no que ele faria no meu lugar. Era um homem muito ponderado e isso é um bom parâmetro. Mas minha mãe sempre foi melhor conselheira e mais ponderada. E ela está aqui pra isso.

Mas sinto saudade do seu irritante bom humor matinal. Acordava 6 da manhã cantarolando, sentava no sofá de olhos fechados com um sorriso besta até despertar e depois ia passar um café pra todo mundo fumando um cigarrinho. E EXIGIA que os outros viventes comungassem desse estado de espírito.

Tinha também a sua folga urgente. Se ele pedisse algo, tinha que ser atendido de pronto. Se demorasse, virava stress. Ficava magoado, fazia beicinho igual menino. "Então, não quero mais". Vixe, quantas brigas eu tive com ele por isso. Aliás, o beicinho... Bom... beicinho é humildade demais. O beiço era um capítulo a parte. Meu pai quando ficava amuado afinava o lábio superior e engrossava em cinco vezes o de baixo e juntava as sobrancelhas. Fazia uma cara que só meu filho André consegue, por força da genética, reproduzir com perfeição. Eu tenho a maior vontade de passar raiva no André de vez em quando só pra ver ele fazer a cara do meu pai..

Ah! E seu sabetudismo... Ele dizia: "Minha filha, quando papai fala, ou foi ou é ou será". E não sei se ele sabia tudo mesmo ou era sorte dele eu fazer as perguntas certas, mas nunca consegui pegá-lo em uma pergunta onde ele não soubesse a resposta.

Tinha também seu bom senso, sua calma e sua vontade de resolver as coisas. E talvez essa preocupação excessiva nos tornava tão seguros tenha feito seu coração enorme, mas fraco, como pudemos descobrir, pifar.

Ah! E que falta faz sua preguicinha depois do almoço! Eu (ou minha mãe, ou a Cris... ele adorava esse tanto de mulher em volta dele!) sentava no sofá e lá vinha ele deitar a cabeça no colo e ele pedir um cafuné. Mas exigia que o cafuné fosse feito do seu jeito. "Enrola o dedo no cabelo e puxa". Era exigente até com carinho.

Tinha também seu humor escatológico herdado por todos os filhos. Piadas de peidos e diarréias eram suas favoritas. Vômito não, porque vômito não tem graça. É um infortúnio da pessoa. Vocês que não são nascidos Bruno não vão entender a beleza de uma piada de cocô. Nem vou tentar explicar.

Tinha também sua vocação de avô. Ele dizia que ser avô era muito melhor do que ser pai.

Pai, se der, sai daí da sua nuvenzinha, larga a prosa com o vô, larga o paparico da vó e dá uma chegadinha aqui nesse mundinho complicado no dia dos pais. Dá uma olhada nos seus filhos, olha os meninos que estão crescendo que nem bolinho no forno, dá um cheirinho no seu xará que ainda mora na barriga da Camila, dá um beijo na mamãe.

Te amo todo dia.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Ontem deu a doida na nega e comecei a arrumar tudo. Desci meu armário abaixo e fiz a limpa geral anual. Como eu não sou uma pessoa consumista, pouco saiu do meu armário, mas mesmo assim, a sensação de limpeza é gratificante.

Resolvi também dar uma cara nova a esse blog tão esquecido. De tão esquecido já estava ficando melancólico. De tão melancólico já estava beirando ao inexistente. E esse blog me acompanha há tanto tempo, já me ajudou em tantas passagens complicadas da minha vida, servindo de terapia a quem não tem dinheiro para pagar uma, que eu não poderia deixá-lo de lado.

O problema é que eu quero fazer tudo ao mesmo tempo e sempre tenho algo começado incompleto: é o cachecol pela metade pendurado no tear, é o violão encostado, são quatro fuxicos dentro de uma sacola, conversas pela metade, o firme propósito de emagrecer esquecido por um pudim... Quero dar cabo dos meus começos para fechar os pacotinhos e não pensar mais no assunto.

Acho sinceramente que não sou uma pessoa séria.

terça-feira, agosto 03, 2010

Testando layout novo. O que vocês acham?

segunda-feira, julho 12, 2010

In My Life
(The Beatles)

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I've loved them all.

But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you,
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.
In my life I'll love you more.


Todo ano é isso, eu não sei o que dizer e roubo de alguém mais talentoso que eu. Dessa vez John e Paul me ajudaram.

Eu amo seu cheiro
Amo a turminha que a gente fez juntos
Amo nossa casa, que é um lugar cheio de risadas e gritos e bagunça e papel picado e música e bola
Amo quando rimos das mesmas coisas
Amo tudo que a gente faz juntos
Amo ficar perto de você
Amo sentir saudade de você

In my life, I love you more, neguinho!

terça-feira, junho 15, 2010

Em matéria de Copa do Mundo, eu não sou uma pessoa das mais animadas. Ainda não consegui não torcer pelo Brasil, que era o meu objetivo nessa Copa. Eu queria torcer pra qualquer um desses países do Leste Europeu que não jogam nada e acabar com a Copa logo nas eliminatórias. Mas simplesmente não consigo torcer contra o Brasil.

O problema é que o meu "não-não torcer" não é exatamente "torcer". Mas tenho filhos, eles estão empolgados. Não dá pra ser a chata da mãe que não participa, né?

Pra vocês terem ideia, apenas ontem eu arrumei uma camisa pra assistir aos jogos no Bar Dududu. Bom... ir pro Bar é a parte boa da coisa.

Na verdade a tal camisa funciona mais como uma camuflagem para não ter que responder a perguntas como "por que você não está com a camisa do Brasil? por que você não é patriota? por que você torce contra?". Então, arrumei essa camuflagem que me custou R$ 7,99 e é bem feinha, mas me protege das perguntas dos patriotas de chuteira, que lembram que são brasileiros apenas em época de Copa.

Isso é irritante. Aliás, na minha lista de coisas irritantes da Copa, o Galvão e o torcedor chato estão no topo. Mas essa Copa é Iso 9000 em matéria de chatices: tem essas cornetas desgraçadas que juntas fazem um barulho de uma caixa de marimbondo gigantes. E tem as unhas decoradas. Ah, e as dancinhas de comemoração dos jogadores. Rebolation, baby! Quer dizer...

quinta-feira, maio 27, 2010

Que o Deus Venha
Cazuza / Roberto Frejat / Clarice Lispector

Sou inquieta, áspera
E desesperançada
Embora amor dentro de mim eu tenha
Só que eu não sei usar amor
Às vezes arranha
Feito farpa

Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto
Continuo inquieta
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais

Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É o inesperado

Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida


Estou com essa música na cabeça há dias. Mas não tenho coragem de pegar o disco da Cassia Eller para ouvir, senão meu marido vai querer ouvir as outras 12 músicas e ainda tenho bad trips com a overdose de Cássia Eller que ele me deu há alguns anos atrás.

E eu ando inquieta, áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha.

Peraí que eu vou ali ouvir a música escondidinha.

segunda-feira, maio 17, 2010

Preciso, velho! Preciso mesmo! Uma casinha no interior com um cachorro chamado Ah, Muleque!, uma gata chamada Audrey Hepburn e uma horta. Pra eu começar a ser a mulher das ervas. Varanda e rede. E uma mesa de pingue-pongue. Preciso também de uma base facial oil free porque a minha não é oil free e está detonando meu rosto. Um corte de cabelo urgente que me deixe a cara da Leandra Leal nessa novela nova que vai passar. Uma idinha pra Sampa comer pizza, tomar uma(s) Stella(s) com minha cunhada, curtir um friozinho e rever meus amados. Ah! Preciso também emagrecer e deixar de sentir meus joelhos gritando (o que elimina a pizza, mas não a idinha a São Paulo. Nem a Stella.). Preciso voltar a caminhar. Um empreguinho novo, de preferência lá no interior e que seja em uma área completamente diferente. Um no qual eu não precise usar salto alto nunca. Quem sabe, de mulher das ervas??? Preciso deixar de ser enxerida e de meter esse meu nariz chapoquinha onde não sou chamada.

quarta-feira, abril 21, 2010

Quem não tem colírio usa lente de contato

Cá estou eu de novo... sem um tostão para utilizar na aquisição de bens materiais de primeira necessidade, tais como óleo de Maracujá da Natura, serum reparador para meus cabelos chiliquentos e, principalmente, minhas lentes de contato. Conclusão: minha pele está seca, meu cabelo está muito sincero e estou de óculos de novo.

Eu não uso óculos apenas para ler, para fazer bonitinho, para ficar charmosa. Quando eu não tenho grana para as lentes (porque eu uso as descartáveis, que são as apropriadas para o meu caso), meus óculos só podem ser substituídos por uma bengala branca e um cão guia, porque minha miopia já atingiu níveis alarmantes. E eu não gosto de óculos. Nem dos escuros.

Eu sei, eu sei, tem gente que gosta, faz parte do visual e fica até muito bem. Mas aposto com vocês que essas pessoas são muito mais bonitas sem óculos. Estou certa?

Com óculos, eu me sinto uma senhorinha. Sinto que eu deveria mudar meu nome para algo que comportasse um "dona" antes, tipo "Dona Mariquinha", "Dona Antonieta"... Eu de óculos sou a Dona Juju (ou a Dona Otta, porque Dona Juliana não cola). Etelvina... Etelvina é um bom nome. Etelvina, minha filha... Mas onde eu estava mesmo??? Ah, nos óculos.

Cara, óculos suja, fica embaçado, marca o nariz... E em dia de chuva, então?? Míope não pode sair em dia de chuva porque senão tem que ficar tirando os óculos e limpando o tempo todo. E quem vier me falar que consegue ser elegante de óculos, tente combiná-los com um vestido de festa. Ah! Visualizou? É uma daquelas nerds que toma chá-de-cadeira naqueles bailes de formatura high school de filminho dos anos 80.

Nunca entendi quando a Elis cantava "eu quero a esperança de óculos". Óculos não me dá esperança. Óculos me tira as esperanças todas. Óculos me dá bode. Lentes de contato... ah! essas sim, fazem meu mundo ficar melhor.

Então, mudem, por favor, a letra da música, que eu quero a esperança de lentes de contato!!! Ou então, perto de mim, só cantem "Eu não nasci de óculos/Eu não era assim, não!".

sexta-feira, abril 09, 2010

Eis o post deletado:

Discussão religiosa a vista

Olha... não curto muito isso de discutir religião, mas desde que a faxineira do prédio veio com o papo de que estou com encosto e olho gordo e não sei mais o que, ando ficando meio puta com o preconceito religioso.

Tenho minhas convicções, as pratico, não fico (aliás, não ficava) escrevendo delas porque são pessoais e intransferíveis e só a mim interessam. Mas hoje eu terei de sair do armário aqui no blog até para poder explicar o que eu estou sentindo.

Eu frequento centro espírita. Faço Estudo Sistematizado da Doutrina e amo essa fé que alia muito estudo e caridade. E apesar de ter minha vida completamente envolvida com o Espiritismo, eu ainda não me intitulo espírita, já que ainda falta muito pra eu melhorar antes de me considerar como tal.

Então, além do meu "encosto" (deixa ele quieto, que ele é amigo) dois episódios que eu agora vou narrar justificam a minha saída do armário.

O primeiro foi uma amiga minha dita atéia (se é que existe essa palavra), falar mal do Chico Xavier, referindo-se a ele da pior maneira possível. Faltou dizer que o cara é pedófilo. Aliás, não faltou.

Meu, foi a primeira vez que eu perdi a paciência com ela, juro. Fiquei chateada mesmo. Eu sou de Uberaba. Nem precisava frequentar centro para saber da vida do cara. Quer dizer, conheço a obra social dele porque eu vi acontecer, ouvi meus pais desde cedo falarem dele. E essa amiga sabe disso. Então, a ofensa foi proposital? Espero que não. Mas o que justifica esse ataque? Saí em defesa do Chico, claro, apesar de achar que ele nem precise realmente de discussão desse tipo. Sua vida e seus atos falam por si. O cara ajudou uma porrada de gente, trabalhou incansavelmente sua vida toda, sempre teve uma palavra de conforto, um gesto de carinho, sempre sereno, sem receber nada em troca. E quando eu digo nada, é nada mesmo.

Não estou dizendo para ninguém assistir ao filme sobre a vida dele. Eu nem mesmo fui (Ah! mas eu vou!). Mas antes de falar mal dele, vai até um cinema e apenas olhe o tamanho da fila. Só olhe. E depois disso, tente melhorar, fazer algo pelo próximo, ter um pouquinho de amor ao seu semelhante. Contagie-se com a bondade dele.

Segundo fato foi os guris do Santos que não entrarem no Lar Espírita onde vivem crianças com paralisia cerebral. Ficaram no ônibus. Li isso lá no blog do Randall e fui atrás da notícia para saber do que se tratava e porque a polêmica.

Porque a pricípio, eu concordei com os meninos. Ninguém é obrigado a entrar onde sua convicção religiosa não deixa. Mas... analisando mais a fundo, eu achei um ato de preconceito!

Eles sabiam para onde iam quando sairam de casa, já que o lugar chama-se "Lar Espírita não sei das quantas". Mesmo assim, entraram no ônibus e chegaram até a porta do lugar. E isso só para se recusar a entrar. Mostrar para a imprensa que ficou na porta, que não traiu suas "convicções religiosas". Ah! E demonstrar descaso com a convicção alheia, já que ficaram batucando na porta. O lugar, meninos, era um local de cuidado com pessoas portadoras de necessidades especiais mantido por espíritas. Não era um centro. Ignorância desses guris. Ah, e dá licença, mas aí tem preconceito sim!!!

Não quero convencer ninguém a seguir uma religião qualquer. Fico imensamente feliz que cada um ache e siga seu próprio caminho. Eu mesma ainda estou procurando o meu. Até porque acredito que Deus seja um cara tão massa que criou vários caminhos para se chegar a Ele (isso talvez gere comentários bíblicos, porque Jesus disse que ele é o caminho). Mas uma coisa é certa: ninguém deixa de ser Seu filho mesmo quando não acredita em Sua existência. Ponto.

Pois bem. O que se pede aqui não é tolerância com a escolha alheia. O tolerante pensa ser superior ao tolerado. Se acha magnânimo. Suporta. "O outro é um bostinha e mesmo assim eu o tolero". Não é isso. TODOS SÃO IGUAIS. Tá lá na Constituição. Ninguém deve ser tolerado. Todos devem ser é RESPEITADOS! Então, por favor!!!!! RESPEITO!!!! Seja você católico, evangélico, espírita, budista, hindu, xintoísta, telúrico, druída, wicca, ateu, agnóstico, umbandista, vigilante do peso, daime, naturalista, por favor!!!! RESPEITO!!!! RESPEITO E RESPEITO!!! É bom e eu gosto. Ah! E um pouco de amor ao próximo também cai muito bem.
Cometi um crime de lesa-blog e deletei um post. Antes de surgir qualquer comentário. Foi cagaço meu. Nem era pra tanto, não tem nada demais lá. Mas eu tenho essa eterna mania de querer ser Poliana e não querer ser polêmica e transformar tudo o que eu falo em consenso. Mas o que está neste blog é apenas o que eu penso e não a verdade universal. E se eu tenho sistema de comentarios é pra galera comentar mesmo, a favor ou contra ou nem aí ou fazendo propaganda de seus próprios blogs. Se eu não quisesse opinão, eu simplesmente tirava o sistema e indicava o xizinho no canto direito do alto da página.

Pois bem. Ele está salvo no computador lá de casa e eu vou republicá-lo assim que eu chegar lá. Sem cortes. Comentem.