terça-feira, fevereiro 03, 2009

Minha voz continua a mesma...

Notaram a diferença no blog? Ainda não? Não, não mudou a cor. Não!!! Também não mudou o tipo de letra. Prestem mais atenção, por favor!! Olha lá em cima! No título.

Pois é. Em virtude das novas regras de ortografia da Língua Portuguesa, esse blog agora atende pelo singelo nome de Balaio de Ideias e não mais Balaio de Idéias. Mas se quiserem podem chamá-lo também de Zé.

O acento aí no "ideias" acabou. Também não existe mais trema na Língua Portuguesa. E mais um monte de outras regrinhas que tem me deixado de cabelo em pé. Vou ter que voltar pra escola ou contratar um revisor aqui pro blog e para as minhas petições.

E o que é aquela regra dos hífens? Colocaram onde não tinha, tiraram os que existiam. Confesso que estou com meda!

Bom... de qualquer forma, são os tempos "mudernos" e a gente tem se adaptar a eles porque quem fica parado é poste e "atualizar" é verbo que nunca cai de moda.

Agora é acostumar com esse nome estranho...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

As faixas

Lá estão as faixas de pano pintadas na frente de todos os colégios da cidade... Eu morro de inveja, sabe? Eu nunca tive meu nome pintado na frente do colégio, até porque eu estudei em Tucuruí e vim para Belo Horizonte para prestar o vestibular. Então, nunca fui aluna de nenhum desses colégios daqui que encomendam essas faixas tão deliciosas.

De qualquer jeito, minha faixa não seria das mais bacanas. Muito caretinha, na verdade. Juliana AB (na época, eu ainda não era F, apesar de morrer de vontade de ser), Direito, Milton Campos. Mais careta impossível. Faculdade tradicional de filhotes de juristas. Logo eu, que tenho alma porra louca, que deveria ter feito História ou Filosofia na Fafich, fui estudar na faculdade mais careta do planeta. Não me entendam mal. Gostei da faculdade, porque não gostaria? Fica no ponto mais alto da cidade, a vista é fantástica, o ensino é bom, o curso OK...

Mas o mais importante é que lá eu conheci outros como eu. Não era só eu que tinha alma "Jimi e Janis" naquela faculdade "Ivete". Glauce, Nelson e Gracinha. Almas revolucionárias em um meio careta. Não fazíamos nada demais. Apenas gostávamos de música, de teatro, de discutir o sentido da vida, Marx, felicidade, Lupicínio Rodrigues ou qualquer outra coisa que nos parecesse cabeça o suficiente. Meio malas, na verdade. Mas éramos charmosos. Na verdade, nossa malice consistia em sermos também "filhinhos de papai". Pais mais pobres, é verdade, mas que pagavam com muito custo nossas faculdades. Com exceção da Gracinha, minha heroína proletária já naquele tempo, que arcava com o custo de seus estudos. Não tínhamos dinheiro pra nada. No meu caso, o dinheiro do meu pai pagava a escola e mais nada. Dureza total. O resto eu conseguia com um estágio mal remunerado e dando aulas de matemática para minha xarazinha, a Juliana, na época na 4ª série primária (devo dizer, neste momento, que minhas aulas não comprometeram seu aprendizado. Hoje, minha Juju é professora de português, formada pela UFMG, o que me faz sentir muito, mas muito...velha).

Pois bem. Mesmo sem grana, tudo era divertido. Eu e meus amigos duros juntávamos os tostões para tomar pinga no clubinho "junto à fogueirinha de papel" ou dividir uma cerveja e um caldo de feijão no Woods, ou íamos pra casa de um de nós comer comida de mãe que era a coisa mais barata e gostosa do mundo. Ou pra casa da Gracinha cantar. Lá tinha um piano e a família mais musical que eu já conheci na vida.

Mas voltando às faixas. Adoro todas essas faixas. Mas as que me causam a maior de todas as invejas são aquelas com a sigla mágica: "UFOP". Universidade Federal de Ouro Preto. O curso pouco importa. Se fosse pra estudar lá, eu faria História, Farmácia, Engenharia de Minas, ou qualquer coisa desde que fosse lá. Imagina ter 18 anos, morar longe da família em um lugar como Ouro Preto.

Imagina eu, com minha alma hippie, estudando em Ouro Preto, morando numa república, num daqueles casarões antigos, junto dos meus iguais... mas aí eu não ia ser a alma "Like a Rolling Stone" no meio de um mundo "é o bicho é o bicho vou te devorar crocodilo eu sou". E não teria encontrado minhas almas irmãs nesse mundo.

Onde estão eles, meus amigos? Fácil. Glauce eu encontrei essa semana. Linda, igualzinha, mansa, doce, lenta, passional, carinhosa. Parece que o tempo não passa pra ela. O Nelson casou com a Lalá e hoje é meu "cumpadi". Colocamos Otto e Lalá no meio da nossa amizade, nossos filhos são amigos e estamos sempre juntos. Meu irmão mais que todos os outros. A Gracinha, minha heroína, está em London, London. Nos falamos sempre. Ou vocês acham que eu ia deixar para lá grandes amores como esses?

quarta-feira, janeiro 07, 2009

A primeira do ano

Acabou 2008. Tá lá, ó... marcadinho no calendário da minha vida, junto com 1973 (quando eu nasci), 1980 (entrei pra escola), 1984 (Tucuruí), 1990 (quando eu saí de Tucuruí), 1996 (quando eu casei com meu amor), 1998 (quando eu me tornei mãe) e 2003 (quando eu me tornei mãe de dois). 2008 entra como o ano que meu pai foi embora.

Saio de 2008 com um excedente de 20 quilos, a primeira pressão alta (altinha, pero no mucho), 35 anos, mesmo emprego, mesmos problemas, sem meu pai... mas eu cheguei até aqui e isso é alguma coisa, né não? E até que me saí bem...

Tem também a turma que ficou e que foi muito importante para eu atravessar esse ano: minha família e meus amigos.

Na passagem para 2009, não pulei as 7 ondinhas porque não estava na praia, mas fiz todas as outras mandinguinhas que eu deixei de fazer em 2008. Yo no creo em brujas... Não fiz as mandingas na passagem de 2008 e deu no que deu. Então, rolou calcinha branca, lentilha, folhas de louro e algumas metas pessoais bem difíceis, mas não inatingíveis. Esse ano vou testar minha determinação em várias áreas da minha vida. Algumas metas são a longo e longuíssimo prazo. Determinação, disciplina, paciência e trabalho, muito trabalho. Isso eu exigo de mim. O resto é o que eu desejo: paz, felicidade, amor, trabalho, generosidade, prazer, pensamentos novos, atitudes novas e saúde, muita saúde!

E isso é pra mim e pra vocês também!

É isso. 2009 chegou e o bicho vai pegar!

quarta-feira, dezembro 10, 2008

3.5

Não tem aquela história que a cada 7 anos os planetas se alinham num ângulo esquisito ou Saturno dá uma volta não sei onde, ou quem é de Marte vai pra Vênus e quem é de Vênus vai pra Maracangalha e a gente entra em uma crise escrota só explicável "horoscopicamente"??

Pois então, dia 6 eu inaugurei minha 5ª crise. Não que as outras 4 tenham sido relevantes. Na verdade, eu nem as notei. Mas acho que só o fato de fazer 35 justifica estar em crise. Talvez seja só fricote meu. Eu tenho muito dessas coisas. Ou talvez seja esse ano de merda que insiste em não acabar.

Pelo menos a inauguração dos 35 foi regada a cerveja gelada, cercada de família e amigos mais que queridos. Posso dizer que dia 6 foi um dia bom no meio desse 2008 não muito bom.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Sonhos de André

Essas historinhas são só pra comprovar que as preocupações de criança e adulto são bem diferentes, mas o stress é o mesmo. Tadinho do filhote!

I

Sábado de manhã. Bem de manhã mesmo. Num horário que só a mãe dessa família costuma estar acordada. O menino acorda esbaforido e corre pela casa gritando:

- Eu sou de pele de novo, eu sou de pele de novo!

- O que foi? - pergunta a mãe.

- Eu não era mais de pele. Tinha virado de madeira. E agora eu sou de pele de novo!

E chora aliviado, abraçado à sua mãe.


II

Essa madrugada:

- Pai, estou assustado.

- Com o que? pergunta o pai, sonolento.

- Com o aedes aegypti gigante.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Mal eu decido voltar para a ioga e descubro que a nova trama criminosa da Globo das 9 horas se passará na Índia e será escrita pela Glória Perez.

Que bosta, pra dizer o mínimo! As salas de ioga vão ficar hiperlotadas, que nem aquelas de aula de dança cigana e dança do ventre em outras novelas da dita cuja.

Bom... se eu decidir mesmo voltar e comentar o fato aqui, que fique registrado que eu já fazia ioga antes disso virar modinha de novela.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Eu sei, eu sei... desculpa de mulher é TPM. Não sei se é a maldita, ou se é essa chuva que não pára, a semana que não acaba... mas o mundo está chato, eu estou azeda e meu cabelo está péssimo.

Só quero a minha casa, uma camiseta do Otto bem velhinha, um cobertor, rosquinha Mabel, chocolate quente e "Orgulho e Preconceito" (a série, não o filme) no DVD.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Ele fez de novo

Nada contra cantar música do Wando, o colecionador de calcinhas sujas, quando se está bêbado, numa mesa de boteco, com amigos mais bêbados ainda. Mas isso desde que se tenha bebido o suficiente para esquecer os detalhes da performance. Acredito até que o próprio Wando não se leve lá muito a sério e beba um tiquinho pra cantar essas músicas.

Mas o Caetano extrapola. Ele pega a breguice do mundo e leva a sério. Pior... ele se leva a sério! E faz tudo isso sóbrio!!!

Primeiro ele grava a música dos Caracóis do Rei Roberto. Ok... na época ele podia se permitir a certas excentricidades e eu ainda o amava.

Depois ele ataca de Peninha... Duas vezes... Na época eu ainda relevava esses deslizes por causa de Tigresa. Já não o amava mais, mas o cara tinha feito Tigresa, O Ciúme, Chuva, Suor e Cerveja... isso não se apaga assim de uma biografia.

Mas... Moça?!? "Moça, sei que já não é pura/ Teu passado é tão forte, pode até machucar"??? Cacete, Caetano!!!!!!

Aguardem: a próxima vai ser Garçon, do Reginaldo Rossi.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Obama é o 44º Presidente americano.

É algo curioso num país que tem possui uma associaçãozinha chamada Ku Klux Klan.

Não que eu ache que o Obama vai fazer alguma coisa diferente do que os outros Presidentes americanos tenham feito com o resto do mundo. Ele é só mais um que vai colocar em prática a lei da "farinha pouca, meu pirão primeiro". Só a cor dele é novidade. A política será a mesma. Quanto a isso, quero muito estar enganada.

Na minha opinião, ele é mais simpático que o John McCain e, pela última experiência de Democratas na Casa Branca, os próximos 4 anos serão bem mais bacanas que os últimos 8. Eu tinha um certo xodó pelo Clinton. Ele pisou na bola, assumiu, pediu desculpa, tocava sax, era simpaticão, transou com a gordinha... respeito um homem que aprecia as gordinhas...

De qualquer forma, George W. Bush vai sair da Casa Branca. Isso é ou não é uma boa notícia??? Já vai tarde!!!

sábado, outubro 25, 2008

Lealdade, Humildade, Procedimento


"Nunca vão nos defender
Sempre vão nos criticar
Mas eu quero que se foda
Largo minha família
Pra te ver jogar"


Duas coisas que vocês devem saber antes de ler esse post:

Primeiro, eu sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza

e

Segundo, o bar Ponto de Encontro, na Avenida do Contorno seria apenas mais um copo sujo que vende cerveja gelada, torresmo cabeludo e carne de panela de cor duvidosa boiando em gordura e que possui banheiros sem condições de uso.

Seria...

Mas, quando chega a Fiel BH, a torcida mais bacana que eu já vi na vida, o Bar Ponto de Encontro deixa de ser o bar pé-de-chulé e vira um templo de adoração ao Timão.

A Fiel BH é o que o nome já diz: a torcida organizada, um pedacinho da Gaviões da Fiel aqui em Belo Horizonte.

Eles marcam seus encontros para assistir jogos sempre pelo orkut. E a coisa é fantástica. Eles divulgam o local, data e hora e os adeptos concordam em participar apenas informando que estão "envolvidos".

É assim:

Corinthians x Ceará
25/10/2005, 16 horas, Bar Ponto de Encontro

e os fiéis respondem:

Otto: envolvido

Nunca vou te abandonar: envolvido

Corinthiana, maloqueira e sofredora: envolvida

Mas ainda que você não esteja oficialmente "envolvido", se você chegar lá com o firme propósito de torcer pelo Corinthians, você será bem-vindo.

E o que eu, uma vez flamengo, sempre flamengo, fazia lá?

Bom... dois dos meus amores são corinthianos, maloqueiros e sofredores e hoje, diante da perspectiva de o Corinthians voltar para a 1ª Divisão, não havia como ficar longe do templo. Fui com o firme propósito e alguns hinos na ponta da língua. Só não tinha camisa do time pra vestir, mas isso é mero detalhe.


"Salve o Corinthians
O campeão dos campeões
Eternamente
Dentro dos nossos corações
Salve o Corinthians
De tradição e glórias mil
Tu és o orgulho
Dos desportistas do Brasil"


E chegando lá tivemos uma grande surpresa... não muito agradável, diga-se de passagem Não apenas a Corinthianada de BH tinha marcado de assistir ao jogo lá. O bar, que não tem lá muito espaço físico, também era o local escolhido para a concentração de uma micareta quarqué da "Ivete". Portanto, havia ali, lado a lado com os corinthianos um mar de abadás verdes e azuis com o nome de "Ivete" na barriga. Pensei... "isso não vai dar certo".

Por sorte, os micareteiros foram super educados (ou ficaram inibidos com a corinthianada presente).

Pois bem. Delimitamos território: nós (e me coloco aí no meio dos fiéis), que necessitávamos das TVs, ficamos dentro do bar onde os aparelhos estavam instalados. E eles (malditos micareteiros) ficaram nas mesas de fora. E o nosso barulho foi tanto, que nós encolhemos os micareteiros.

"Dá-lhe, dá-lhe, ôôô
Dá-lhe, meu Corinthians
Você é minha vida
O meu grande amor"


Hoje foi o Grande Dia do Curintia! Era só o timão ganhar, o Barueri perder e, tcharan! Primeira divisão!

Nem preciso dizer que assistir ao jogo não foi o mais importante pra mim. Fiquei lá assistindo à torcida. Todos vestidos com a camisa do time, instrumentos musicais, charangas ensaiadas na ponta da língua. Quase um estudo antropológico.

Começa o jogo e eles começam a cantar como se o time, lá no Pacaembu, pudesse ouvir sua música:

"Aqui tem bando de louco
Louco por ti, Corinthians
Pr'aqueles que acham que é pouco
Eu vivo por ti, Corinthians

Eu canto até ficar rouco
Eu canto pra te empurrar
Vamos, vamos ver o timão
Vamos ver o timão
Não pára de lutar".


E lá estava todo tipo de corinthiano: tem aquele quietinho, que só assiste e reza, tem os charangueiros que tocam todos os hinos e cantam o tempo inteiro e dão alma ao lugar, pai e filhos (os meus), mãe com bebê de 6 meses no meio daquela zoeira e fumaça de cigarro, o tiozão que senta sozinho pra poder olhar os shortinhos das garotas do Axé que de vez em quando entravam para buscar uma cerveja ou ir ao banheiro, as maloqueiras sofredoras que sofrem e choram quando o time ganha, a flamenguista disfarçada...

No intervalo, eles dão um tempo na bandinha pra poder tomar uma água, respirar um ar, mas ainda assim se ouve os comentários: o curintia é do caralho! Fiel é fiel, mano!

Pois é. Uma das coisas mais bacanas em Belo Horizonte, Minas Gerais, é aquele pedacinho de São Paulo lá. De fato... o Curintia é do caralho! E fiel é fiel, mano!

"Ai, ai, ai, ai, (aiaiai)
Está chegando a hora
O dia já vem
Raiando, meu bem
SEGUNDA tô indo embora".

domingo, outubro 19, 2008

A popozuda

- Amor! Abre a porta! Paga o táxi!

- Não abro! Você não estava dançando um funkão lá no casamento?? Pode voltar pra festa e dormir por lá!

- Amor, você me deixou na festa sozinha e sem dinheiro pro táxi. Abre essa porta, paga esse táxi e a gente conversa. Você está enganado. Não era eu dançando o funkão!

- Era!

- Não era! Você se enganou! Eu estava conversando com minha tia-avó.

- Era você! Eu fui te puxar da pista e você não veio comigo!

- Meu amor, abre a porta, paga o táxi. Não era eu. Eu nem gosto de funk. Eu detesto. Eu sou é roqueira! Imagina se eu ia dançar funk...

- Era você! ERA VOCÊ SIM! Você não quis sair da pista. Disse que era da Gaiola das Popozudas!

- Tá, era eu... mas foi uma musiquinha de nada! Dancei com minhas primas. Foi rapidinho! Não seja exagerado...

- Exagerado? Exagerada foi você subindo a saia pra parecer a Mulher-Melancia. Você dançou todas as músicas! E desceu até o chão. Até o chão.

- Me desculpa! Foi só uma vez! Foi a má influência da Bebella e da Renata. Dá um desconto. Era casamento da minha prima!

- Mas eu fui te buscar na pista e você gritou "agora eu sou solteira e ninguém vai me segurar".

- Desculpa...

- O funk eu até desculpo... mas qual é a desculpa que você tem pras coreografias da Ivete???

Para minhas popozudas Bebella, Rê (as piores influências), Cris, Camila, Monxu, Kaká, a Noiva do Funk e tia Zizi que desceu até o chão, chão, chão...

quinta-feira, outubro 16, 2008

É só saudade e um tiquinho de melancolia...

Como será que se conta o tempo no além? Será que hoje meu pai faz mesmo 61 anos ou ele vai ter 60 para sempre? Ou será que hoje ele faz 7 meses e é um bebê recém nascido conhecendo o mundo de lá? Ou ele é uma alma tão antiga e tão sábia que não há números para contar sua idade? Talvez seja isso... Mas como hoje é 16 de outubro, eu não posso deixar de pensar que se ele estivesse aqui, nós provavelmente sairíamos (muito provavelmente pro Redentor ou pro Santa Fé, já que meu pai não era muito dado a novidades), eu daria um presente a ele e ele iria ficar bravo porque eu gastei dinheiro com ele, tomaríamos um chopp, contaríamos piadas, falaríamos mal do Leonardo Quintão e do Márcio Lacerda, daríamos risadas, ele falaria que eu estou gorda e que tenho que emagrecer, eu ficaria emburrada por isso, ele diria que nunca mais tocaria nesse assunto (mas tocaria na primeira oportunidade que tivesse), ele contaria casos do Pedro como se ele fosse a criança-gênio mais gênio da face da terra, ele riria dos casos que eu contaria sobre o Rafa e o Dedé...

Mas acho que a comemoração dele hoje é pelos sete meses lá do outro lado, depois de descobrir o último segredo do Universo (agora ele realmente sabe tudo!), com pessoas que ele amava e que foram antes dele.

Eu tinha pensado em postar aquela música daquela mesa que que era a que ele dizia que recordava meu avô, o pai dele. Mas, ultimamente, quando eu penso nele, a música que me vem na cabeça é outra. Não era a sua preferida, nem sei se ele conhecia ou não... Mas fala de pai, filho, falta e é tão linda...

Espelho
(João Nogueira)

Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz

Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)

Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás


Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai (Bis)

E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai

Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar (Bis)

segunda-feira, outubro 06, 2008

Eleições

Como foi difícil sair da minha caminha, pegar meu título de eleitor e ir até a 181ª Seção Eleitoral da 33ª Zona (tem esse nome não é por acaso!) e votar.

Minha vontade (declarada, inclusive!) era ir pra Sabará, entrar na primeira escolinha que eu encontrasse na minha frente, justificar minha ausência e voltar pra Belo Horizonte com a certeza de que meu dever cívico fora cumprido.

Mas como não me posicionar? A propaganda bonitinha com a Lavínia Vlasak grávida, de mãozinha na barriga e tudo, manda a gente se posicionar, porque quando não votamos, nosso "não voto" beneficia um candidato qualquer e lá lá lá... E tem todo aquele discurso de que para poder cobrar, temos que votar.

Resumindo a ópera, fui votar. Sem tesão, sem candidato definido... fui lá, levei o Dedé, ensinei ele a apertar os números e a tecla verde e TÍRURÍRURÍ. Igualzinho na propaganda.

Queria ter votado na Vanessa Portugal, a doida do PSTU que diz que vai tomar os imóveis devolutos de BH, mas meu medo era ela ficar mais doida e virar um tipo de Enéas. Queria ter votado na Soninha para ajudá-la em sua cruzada de obter mais votos que o Maluf (isso sim, um objetivo digno!). Queria ter votado no Gabeira, um homem que eu acho realmente merecedor de minha confiança. Ou na musa do Galo, ou em representante de classe da 5ª série do EEPG Enrico Bertoni, ou no Monteiro Lobato, ou em qualquer outra coisa... No entanto, praticando meu bundamolismo, votei com "consciência", vereador só na legenda, já que eu não conheço nenhum que mereça meu voto e em um "candidato sério" pra prefeito.

Saí de lá com uma certeza. Não de que meu dever cívico estivesse cumprido, mas de que eu sou, oficilmente, a maior bunda mole de Belo Horizonte.

Aqui deu segundo turno. Ou Leonardo Quintão, o caipira mais pré-fabricado da face da Terra ou Márcio Lacerda, o candidato do conchavo, ops... , da Aliança. De qualquer forma, dia 15 eu tenho de novo que escolher.

Nesse meio tempo, vou entrar numa academia, fazer umas séries naquele aparelho adutor/abdutor (ou coisa que o valha) pra ver se a bunda endurece. E talvez, apenas talvez... me mando pra Sabará.

sexta-feira, agosto 29, 2008

A compra

(qualquer semelhança com fatos e pessoas reais é mera coincidência)



Diz o corretor com seu sorriso indefectível:

- Nós vamos estar entregando o apartamento com o chão no cimento grosso.

Num primeiro momento, o que o incomodou foi apenas o maldito gerundismo. Comprar uma apartamento de uma pessoa que falava daquele jeito não lhe parecia correto. Como, depois disso, educar seus futuros filhos naquele ambiente cuja língua portuguesa fora tão violentamente profanada? Como fazer declarações de amor, recitar poemas para sua futura esposa? Logo ele, um professor! O que seria de seus futuros filhos criados naquele local? Todos pequenos futuros atendentes de telemarketing?

Apenas alguns segundos depois é que o conteúdo da frase o atingiu:

- Cimento grosso... E o piso?

- Fica por conta do comprador - diz o corretor sempre com o sorrisinho em seu rosto bonzinho.

- Ok, mas eu estou querendo um apartamento completo. O anúncio dizia "pronto para morar". Para eu poder morar, meu apartamento tem que ter piso. Piso, parede, teto... E você quer me vender "uma casa muito engraçada"? - riu intimamente de sua piadinha .

É claro que o corretor gerundista não entendeu o xiste. Mas continuou sorrindo com seus 54 dentes. E com uma expressão boba em sua cara de corretor.

- Veja bem, senhor. A opção do cimento grosso é para que o senhor possa estar escolhendo o piso que mais lhe agrade.

- Ah! Opção do cimento grosso. Ah, é uma opção. Pois eu opto pelo piso pronto. Porcelanato, carpete de madeira, tábua corrida, parquet paulista, qualquer coisa. Opto por qualquer coisa, menos cimento grosso.

- Mas essa é a única opção. (Sorriso condescendente. Ele não entendeu essa outra piadinha também.)

A ironia é que eles estavam no belíssimo apartamento-modelo, todo decorado, com um piso de granito deslumbrante.

O comprador respira fundo, faz umas contas mentais. Colocar o piso não faria um rombo em seu orçamento. O apartamento é bom, a localização é a melhor que seus parcos recursos de professor pôde conseguir, o casamento estava próximo e ele queria fazer uma supresa à sua futura mulher.

- Senhor, esse é o banheiro. Veja bem,... (sorriso cauteloso)

(Epa! "Veja bem" não é um bom começo de frase, principalmente na boca de um corretor sorridente.)

- Veja bem... a louça e os metais do banheiro são opcionais.

- Defina louça e metais opcionais.

- Nós estaremos entregando o banheiro com todas as instalações hidráulicas, mas se o senhor preferir que o banheiro seja entregue com as louças - vaso, pia - e com os metais - toneiras - o custo aumenta um pouco.

- Opa, opa, opa! Vocês vão me entregar sem vaso sanitário? "Ninguém podia fazer pipi, porque pinico não tinha ali"? Acho que o engenheiro responsável andou ouvindo muito os discos do Vinícius quando era criança.

- Isso eu não posso te dizer, senhor. Não conheço o Vinícius, ele saiu da empresa antes de eu começar a trabalhar. (Sorriso paciente)

- Tá! Tá! Ok. (om namah shivaya! inspira, expira, inspira, expira...) Mas me explica uma coisa. O chão do banheiro é esse ou também é cimento grosso?

- Bem, senhor, o chão é um pouco inferior, mas não é cimento grosso, senhor. O senhor tem cada uma... Cimento liso. Porque aí se o Sr. não quiser colocar piso por enquanto, nem vai precisar. (Sorriso ampliado) Mas os azuleijos da parede também não são esses; são inferiores.

- Inferiores...(1, 2, 3, calma! calma! inspira, expira, inspira, expira)

- Sim. E somente meia parede.

- Ah, tá, e vocês me apresentam um modelo deslumbrante, chão de granito, porcelana branca na parede toda pra depois me contar isso... Por favor, me mostre o resto do apartamento antes que eu me arrependa.

- Esse é um quarto... esse é o outro quarto.

- E cadê o terceiro reversível do anúncio?

- É na sala. Se o senhor quiser, o senhor pode estar utilizando a área da sala como um quarto.

- Peraí, a sala de estar? E onde eu faço minha sala de estar? No hall do elevador?

- Senhor... não, senhor. No hall do elevador é área comum. Não pode fazer sala lá. (sorriso didático)

- ...

- O Senhor quer ver a cozinha? (sorrisão)

- (desanimado) Por que não?

- Essa é a cozinha. Nós vamos estar entregando com todas as instalações hidráulicas prontas.

- Deixe-me adivinhar. Sem pia, certo?

- Isso. É opcional.

- E a área de serviços.

- É conjugada com a cozinha.

- Amigo (respira fundo), eu não estou vendo a área de serviços conjugada com a cozinha. Eu não estou vendo área de serviço nenhuma. Cadê o tanque, o lugar para eu instalar meu varal, minha máquina de lavar...

- Não tem local de tanque. Apenas a instalação para a máquina de lavar. Ali atrás da geladeira. Apartamento moderno, sabe como é... ninguém usa tanque hoje em dia. Mas tem um probleminha.

- Qual? (olhar ameaçador)

- Se o Senhor instalar a máquina de lavar, a geladeira tem que ficar na sala.

Desanimado, o comprador faz mas algumas contas mentais. Também, o que poderia se esperar de um apartamento com parcelas tão pequenas. Talvez, daqui trinta anos, depois de quitar o muquifo, poderia comprar um apartamento de verdade.

- Tudo bem. O preço é esse do anúncio não é mesmo?

- Sim... mas tem um pequeno problema que não saiu no anúncio.

- (exasperado) Qual?

- As semestrais de R$XX.XXX,XX e as anuais de R$ XX.XXX,XX.

- Fora as prestações?

- Sim. E as parcelas do financiamento de R$ XXXX,XX. Mas o financiamento o senhor só pagará depois que o apartamento ficar pronto... em 2012 (sorriso enorme)

Três horas depois, o corretor foi encontrado caído no chão do apartamento-modelo, sem memória, com um sorriso idiota em sua boca banguela.

terça-feira, julho 15, 2008

O Clube da Esquina me persegue

Em São Paulo, há dois fins de semana:

- Otto, qual é o número da Kiss FM?

- Não sei, procura aí.

(shshshshshs... É o amoooor! shshsh porque o Senh... shshsh... Rádio USP FM...)

- Volta aí, nega! Na Rádio USP deve tocar música boa!

- Que nada! Rádio cabeça... vai tocar Clube da Esquina.

- Clube da Esquina em São Paulo?

- É! Esse povo me persegue. Onde eu estou, eles tocam.

- Não... volta lá. Não vai tocar Clube da Esquina.

- Então, tá!

(shshshs... você pega o trem azul, o sol na cabeça)

E em Minas, fim de semana passado:

Adivinha o que tocava no único buteco da Vila do Biri-biri, lugarejo onde moram meras três famílias, bem no meio do mato, perto de Diamantina, justo na hora em que eu cheguei?

Nem falo nada...

domingo, julho 13, 2008

Para o meu nego

Há mais 12 anos, essa é uma das nossas músicas. Ainda quero muito muito muito cantar essa música com você. Muito muito muito mesmo.

Há 12 anos eu sou sua nega. E ainda quero ser por muitos muitos muitos anos.

Eu te amo!


Sem fantasia
(Chico Buarque)


Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

sábado, junho 28, 2008

Eu sei que esse blog anda meio caidinho... Mas entendam: eu sou uma proletária que trabalha para sobreviver, mãe participativa de duas crianças em idade cuja minha atenção é mais que necessária (será que tem alguma idade que filhos deixam de necessitar de atenção?), esposa esforçada, dona-de-casa meia-boca. E além de tudo, ainda colaboro em outro blog, um blog de menininhas, meu, da Maroca e da Isis. Mais da Isis do que meu e da Maroca, mas vá lá...

Já vou avisando que lá nós falamos de creminhos, perfuminhos, lacinhos, cor-de-rosa, e essas coisas mulherzinhas da vida. E atualmente nós somos três blogueiras e só temos três leitoras, nós mesmas. Então, para aumentar a frequência do blog e a coisa não virar um mico tremendo, peço o auxílio de meus amigos para deixar um comentário para três almas atormentadas no seguinte endereço:

www.astresmosqueteiras-mosqueteiras.blogspot.com

Ah, e eu vou voltar a cuidar melhor desse bloguinho aqui. Ele ainda é a menina dos meus olhos.

terça-feira, junho 03, 2008

Top do top

Fui assistir Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, É CLAAAAAAAAARO! Como não ir se Indy é um dos meus amores há vários anos?

Ir ao cinema, hoje em dia é uma tortura. O cara do meu lado comentava que a roupa do Indiana Jones não tinha se sujado em tal cena, que o Harrison Ford estava velho pro papel, que ninguém acerta nada com chicote de tal distância e que o chapéu nunca cai! Hello, sujeito-mal-educado-que-fala-no-cinema: é o Indy! Ele consegue acertar qualquer coisa com o chicote, ele só se suja se quiser, o chapéu nunca cai e... não! O Harrison Ford não está velho para o papel! Está perfeito como sempre! E está mais lindo assim, de cabelos grisalhos. Olhando bem, ficou parecido com meu pai... Freud explica!

Aliás, ele abalaria meu casamento. Não o Harrison Ford, mas o Indiana Jones.

Explico a declaração acima, antes que isso se vire contra mim: eu e o Otto outro dia estávamos jogando essa conversa fora. Quem abalaria nosso casamento? E só valeria personagem de ficção.

O Otto resumiu sua lista a um trio matador: Kate, de Lost, Dra. Cameron, do House e a O-Ren Ishii (Lucy Liu), de Kill Bill. Devo concordar com ele. Ainda bem que elas não são de verdade.

Minha lista é um pouquinho maior e se eu divagar muito, temo que ela cresça demais. Então, resolvi que só o top do top do top que vai pra minha lista. A ordem aqui é randômica. Não consigo eleger o dono do meu coração.

Indiana Jones, claro! Lindo, corajoso, com um sorriso de bambear as pernas e parece com meu pai.



John McClane



Mais um coroa pra minha lista. Porque toda mulher gosta de um homem complicado. E ele fica charmoso mesmo todo estropiado e sujo de sangue, fuligem, com a roupa em farrapos.

Obi-wan Kenobi




Novo... velho... tá, esse é o único que o personagem cujo ator que o interpreta abalaria meu casamento também. Ewan McGregor... Mas o Obi-Wan é maravilhoso velho! Aliás, acho que eu me apaixonei quando ele era velho, já que o conheci assim antes de conhecê-lo novo.

Gregory House




Meu amor pelo House já é público e notório. Quinta-feira a noite, das 23 às 00 horas não sou de mais ninguém. Irônico, mal humorado, mal educado, complicado (o mal das mulheres!), magrelo, viciado em analgésicos... mas inteligente, talentoso e ainda sabe tocar vários instrumentos E GOSTA DE ROCK! Não é o homem perfeito, mas tem qualidades que superam de longe os defeitos, admitam!

Mark Darcy



Porque ele é inglês! E é o homem perfeito!! Sortuda da Bridget Jones!

Daniel Cleaver



Porque ele é inglês! E é um lobo mal! Como eu ia dizendo... que mulher sortuda essa Bridget Jones! Não entendo como ela faz um diário só pra falar mal dele.

Charlie, de Quatro Casamentos e um Funeral.



Eu realmente gosto dos ingleses! (ou será que é do Hugh Grant?)Tão tímido... E ele fez a melhor declaração de amor de todos os tempos para a Carrie. Tão linda que ela não entendeu.

Por fim, o Primeiro-ministro David, de Simplesmente Amor:



Acho que estou sendo repetitiva...

Bom... deve ser o Hugh Grant mesmo, ou a dancinha que ele faz, que parece meu pai dançando (sempre meu pai!)... Ou o fato de ele gostar da gordinha... admiro isso em um homem.

Eu ainda ia colocar o James Bond do Pierce Brosnan (inglês, bem vestido...) e o Jamaicano, do Heroes (esse só porque eu gosto de olhar mesmo), mas tive que parar por aqui porque o Otto quebrou dois dedos meus e está difícil digitar.

quinta-feira, maio 15, 2008

Às compras

No Mercado Central:


- Por favor, me veja aí 50 gramas de Curry? (pronunciei assim mesmo com cu, porque eu nunca soube se a pronúncia disso é inglesa ou francesa ou qualquer outra bosta dessas)

- O que?

- Curry!

- Mas o que é isso?

- É aquele tempero laranja que parece um açafrão picante.

- Aaaaaaaah, bom! Caunrrrrrry! (enrolando a língua duzentas vezes para pronunciar o "r"

Eu, que nem sabia que a pronúncia era inglesa, humilhada com o inglês do vendedor, respondi:

- (humilhada) É isso, Caunrrrrrrry!

Recebo o saquinho. E o que vem escrito no saquinho com caneta bic azul? CÃNRRY!!

- Ahhhhhhh! Cãnrry!!!!!!!!!!!

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No Camelô em São Paulo - Isso é que é medo da RAPA

Depois de muito andar atrás de uma camiseta do Corinthians para o meu filho maloqueiro e sofredor, em todas as lojas da Praça da Sé até a 25 de março, apenas para descobrir que apesar da péssima fase, a camisa alvinegra é superfaturada, e me recusando a pagar R$ 110,00 em uma camisa de criança, eu me decidi, meio envergonhadamente, apelar para a bucaneiragem.

- Tem camisa infantil do Corinthians aí?

- (camelô meio assustado, disfarçando) Claro que não!!! Aqui a gente só vende artigo original, a gente não vende camisa falsificada!

- Ok, obrigada!

- (camelô antes meio assustado, agora meio sorrateiro, falando baixinho e ao lado da barraca, meio mocado) Moça, moça! Psit! Volta aqui!

- Oi.

- (ainda sussurando) A camiseta que a senhora quer é deste tamanho mais ou menos? - afasta as mãos uns 70 centímetros uma da outra indicando o tamanho.

- É. Pra 9 anos.

- Então a senhora volta aqui às 11:32, dá três voltas na barraca e diga a senha "passarinho quer cantar". Um agente meu entregará a camiseta para a senhora em uma sacola plástica verde, sem marcas. São 15 reais em notas não marcadas.

(é claro que o Rafa ficou sem a camisa)

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No Shopping dos Orixás

Isso tudo porque meu marido, culto que é, resolveu saber a história de cada um dos orixás.

E lá vamos nós para o Shopping dos Orixás, na Rua Goitacazes, comprar fascículos da Revista dos Orixás, a publicação mais conceituada do ramo. Ele vestido de branco, é claro. Nem preciso dizer que foi recebido com honras de pai-de-santo.

Otto: Por favor, quais os números da Revista dos Orixás a senhora tem aí?

Vendedora: Ah, tem tudo! Tem Oxumaré, tem Ogum, tem Iansã, tem Oxum, tem Xangô, Pombagira, Tranca-rua, Seu Zé Pelintra...

Otto (separando, calmamente, as revistas por muuuuuitos minutos): quero essa! Quero essa também! Essa também.

Eu: Nego, vamos embora. Estamos atrasados.

vendedora, me dirigindo um olhar penetrante:... no tempo dele!

Eu: desculpe!

Otto: Pronto! Vou levar essas 5: Ogum, Iansã, Oxum, Xangô e Oxóssi.

vendedora, dirigindo um olhar maléfico pro Otto: Não vai levar Seu Zé?

Otto: é claro!

segunda-feira, maio 05, 2008

Conflito de gerações

"Peguei um balaio, fui na feira roubar tomate e cebola
Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura
“Aí minha véia, deixa a cenoura aqui
Com a barriga vazia não consigo dormir”
E com o bucho mais cheio começei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar"

Ia eu ouvindo e batucando no volante do carro. Adoro Chico Science. Chico Science me fez muito bem. A batida retumba na minha cabeça e afasta os pensamentos tristes. Me sinto revolucionária, me sinto ousada, me sinto livre, me sinto jovem, me sin...

- Ué, Rafa, que cara de tédio é essa, filho? Não gostou da música?

- Ah, mãe. Não gostei muito não. É música de velho, né?