segunda-feira, março 17, 2008

Meu amor foi embora!

Este talvez seja o texto mais difícil que eu já escrevi na vida.

O título é a frase que minha mãe disse à enfermeira que mediu sua pressão ontem depois que meu pai morreu. Foi a frase mais triste, mais linda, mais dolorida e mais verdadeira do mundo.

Quem conheceu meu pai um pouquinho sabe de seu amor pela mulher, pela família que eles criaram, pelo flamengo e pelo cooperativismo. Isso dava pra saber sobre ele em cinco minutos de conversa.

Quem conviveu um pouquinho com ele sabe de sua honestidade, de sua garra e de sua vontade de viver. É por isso que é tão inacreditável que ele não esteja mais aqui conosco.

Quem conhece meu pai como eu conheço sabe, além de tudo isso que eu contei aí atrás, que grande avô que meus filhos e meu sobrinho tiveram, que ele sabia "fazer o tatuzinho mamar", "dava cuca" e que a única bronca que dava nos netos era dizer "patati patatá". Os melhores conselhos saiam dos seus lábios, o melhor carinho vinha das suas mãos. Ele não tinha vergonha de dizer que amava, não tinha vergonha de pedir um cafuné. Era bravo e doce. Era amigo a ponto de, apesar de flamenguista, torcer para o corinthians pra não ver meu filho triste. Ele era orgulhoso da mulher que ele conquistou e dos filhos que ele criou. E nós somos orgulhosos dele.

Pai, o mundo sem você é tão triste que dá vontade de pedir para parar tudo.

Funeral Blues
W. H. Auden

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana, meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta pois nada mais poderá ser bom como antes era.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Sorte do dia - Orkut

O Oráculo do Orkut informa a minha sorte de hoje:

"Sorte de hoje: Você e sua mulher terão uma vida feliz"

O fato é que eu, apesar de esse ser o sonho do meu marido, ainda não tenho uma mulher!

Mas segundo o orkut, ainda resta uma esperança, Otto!!!

sábado, fevereiro 16, 2008

Meu filhinho carola

O Dedé ganhou um daqueles ursinhos que rezam. E aprendeu:

"o 'Pólo Norte' de cada dia nos dai hoje

perdoai as nossas ofensas,assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido

e não 'deixe cair um pedação'

Mas livrai 'nós' do mal

Amém"


quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Isso foi ontem

Ontem foi ontem... como aconteceu merda ontem. Caia merda do céu, direto na minha cabeça e culminando tudo, tomei um tombo no meio da rua porque fui correr atrás de um ônibus.

Bem que a Dê me falou: mulheres maravilhosas como nós não correm atrás de ônibus! Coisa mais mequetrefe essa de correr atrás de ônibus. Pensando bem, mereci o tombo!

Não foi um tombinho, devo dizer. É claro que comigo nunca existe "inhos". Sou uma pessoa "ão". Foi um tombão, com 20 metros de cavaco antes de me estatelar de barriga no chão. Roupa suja de mendiga. O resultado de ontem: corpo e alma doloridos.

Mas a boa notícia que recebi ontem supera meus tombos físicos e morais. Prefiro contar essa historinha:

Eles se conheceram e se apaixonaram. Com quinze dias de namoro, a declaração de amor dele para ela foi a seguinte: você quer ter filhos?

E como a resposta foi positiva, resolveram logo começar a família. Casaram, criaram seu ninho, trabalharam muito. Tudo para realizar o sonho. Tudo pronto...Mas realizar o sonho se mostrou muito complicado. Demorou muito até eles engravidarem. Engravidaram, vibraram, perderam, choraram... engravidaram de novo, perderam de novo, choraram de novo... engravidaram de novo, mais perda e mais choro e parecia que aquela declaração de amor nunca iria se concretizar. Por medo, chegaram a desistir de ter filhos.

Mas é claro que, como eles não tem vocação para sofrimento e tristeza, eles levaram a vida nesses anos muito bem. Eles construíram uma história, viajaram, se amaram, riram, estudaram, riram mais um pouco, e até choraram também, afinal, sempre havia lá atrás aquela declaração de amor pedindo pra acontecer.

Um dias eles resolveram: vamos ter um filho. Ainda que não seja com a nossa cara, ainda que venha de outra barriga. Vamos! Vamos! Vamos!

Mas realizar uma declaração de amor no Brasil demanda muita burocracia. Foram mais alguns anos de espera, respondendo questionários, recebendo gente estranha na casa, vendo a vida ser revirada, esperando, esperando e esperando, tudo para concretizar aquela primeira declaração de amor.

Pois bem. Ontem, enquanto eu chorava dentro do táxi, de volta pra casa, toda suja e com a moral no dedão do pé recebi a notícia: A declaração de amor se concretizou. Chama-se Guilherme e tem 2 anos! Veio de longe para se aconchegar no colo de seus novos pais. Protegido, amado e cuidado como toda declaração de amor merece ser.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

2007 já foi tarde! (ou resoluções para 2008)

Não que tenha sido de todo ruim, mas já tive anos melhores na minha vida.

2007 me deu tanta preguiça que só agora, passada uma semana de 2008, deu ânimo para escrever o post que estava já na minha cabeça: resoluções para 2008.

Pra não ter que entrar em detalhes, basta dizer que o ano que passou foi estranho, parado, estagnado... Eu estava sempre a espera de alguma coisa. O ano passou e a coisa não aconteceu. Minha atuação na vida em 2007 foi pífia. Fiz apenas pro gasto. E essa não sou eu. Não mesmo!

Pois bem: 2007 já foi tarde!

Então, vamos a 2008:

1. Primeiro de tudo: dar um jeito de voltar a fazer ioga. Quero sentar em samanássana, com as mãos em prona mudrá, cantar mantras à Vishnu, Ganesha e Shiva. Sair molinha da aula e dormir como um bebê a noite toda, mesmo que eu tenha um caminhão de contas para pagar e uma audiência horrorosa para o dia seguinte.

2. Fechar meu bocão. Isso quer dizer, comer menos e falar menos. Difícil, mas não impossível.

3. Organizar-me (nem vou tentar explicar esse tópico).

4. Começar a dar meus passos em direção a uma nova profissão: professora de ioga, degustadora de café ou ex-BBB (desculpem, não pude evitar o xiste).

5. Assistir House do primeiro ao último episódio.

6. Assistir pelo menos um show e uma peça bacana.

7. Começar a ganhar do Otto no Rummikub. E no mau-mau!

8. Não perder coisas pela rua.

9. Usar a minha agenda MESMO.

No mais, que venha 2008, que essa eu mato no peito, driblo 3 e meto no gol. De bicicleta.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Oração de ano novo

"Agora vou mudar minha conduta
Eu vou à luta, pois eu quero me aprumar..."

E esse ano eu vou colocar em prática a oração que São Noel Rosa nos ensinou.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Preocupante...

Há algo de preocupante quando os amiguinhos do seu filho atendem pelas alcunhas de Da Roça, Mamute, Chico Dorme-Sujo e Peidim.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Amy Neguinha

Um belo dia, eu entro em uma loja do shopping para comprar uma blusa e ouço, pela primeira vez, a negona cantar com aquela voz fantástica. Perguntei pra vendedora quem era a cantora mas ela não soube me dizer. Estava tocando rádio.


Passados alguns dias, estava eu arrumando a casa e ouvindo umas musiquinhas vindas da TV ligada no Multishow, quando, de repente eu ouço a negona cantar de novo!


Que puta voz!


Saí correndo pra ver de quem se tratava, mas quando cheguei, já era, já tinha acabado e eu fiquei sem saber quem era a negona da voz bacana.


Passado mais algum tempo, em uma quase-madrugada insone, zapeando meu controle remoto a esmo, a negona canta de novo. Dessa vez eu vi quem era. E não era uma negona, e sim, uma inglesinha junkie, magrela e com cara de personagem do Almodovar. Fiquei olhando e ouvindo ela dizer que não ia para reabilitação de jeito nenhum. Eu quase duvidei que aquela voz potente fosse daquela menina tão pequena e magrinha.


Fantástica, fantástica, fantástica!

Estou amando loucamente a Amy Winehouse, a minha neguinha.


Comprei o CD da Amy Neguinha. E pude comprovar que todos os prognósticos estavam corretos: ela é mesmo foda!


E mais eu não digo. Só tenho um conselho para os leitores desse blog: ouçam a música Back to Black desse CD aí em cima!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Ah, Vinícius...

Vinícius,

Eu acho que você estava tão errado quando disse que "o amor só é bom se doer", mas acertou tanto quando falou que "é melhor ser alegre que ser triste"...

quinta-feira, novembro 08, 2007

Leis Absurdas ( e olha que nem vamos falar do Brasil)

Essa foi Sílvia que me mandou por e-mail. Dei um tempo pra ver se ela não queria publicar, mas passadas as 24 horas regulamentares, resolvi postar por aqui mesmo.

Tem gente doida no mundo que, em vez de ser internada, fica fazendo leis por aí. É o caso dessas listadas aí embaixo.

O site é o http://noticias.br.msn.com/, no link da BBC Brasil


"Lei que proíbe embebedar peixes é eleita a mais bizarra do mundo

Pesquisa apontou leis mais absurdas aprovadas na Grã-Bretanha e em outros países.
Uma sondagem realizada por uma televisão britânica escolheu uma lei do Estado americano de Ohio que proíbe embebedar peixes como a 'mais ridícula' já implementada no mundo.


A pesquisa da UKTV Gold, que ouviu 3.931 pessoas, teve como objetivo listar as legislações mais bizarras da Grã-Bretanha e de outros países.

A lei que estabelece que é proibido morrer dentro do Parlamento foi eleita a mais absurda da Grã-Bretanha, seguida por uma outra que diz ser traição colar um selo da rainha ou do rei de cabeça para baixo.

Logo depois está a legislação que estabelece que as mulheres de Liverpool, no norte do país, só podem fazer topless em público se trabalharem em uma peixaria.

No ranking das leis internacionais mais bizarras, a lei de Ohio foi seguida por uma legislação da Indonésia que pune com decapitação as pessoas que se masturbarem.

Outras leis americanas estiveram entre as mais cotadas, como a que proíbe dirigir com os olhos vendados no estado no Alabama, e a punição com prisão para as mulheres solteiras que saltarem de pára-quedas na Flórida aos domingos.

Outro destaque entre as mais votadas foi a lei que proíbe dar o nome de Napoleão a porcos na França.

(BBC Brasil)"

segunda-feira, novembro 05, 2007

O Orkut nosso de cada dia

Sorte de hoje: A sociedade prepara o crime, o criminoso o comete.

Sinceramente, não entendi. A criminosa sou eu, ou eu faço parte da sociedade que prepara o crime??? E isso lá é sorte que se apresente?

E teve esse scrap postado por um tal Adilson na data de ontem. Na minha página pessoal. Devidamente deletado, é óbvio.

Ninguém mandou você terminar comigo. Agora fiz esse site com todas as nossas trepadas só pra você deixar de ser babaca, sua vaca! Agora quero ver você me sacanear de novo, piranha. www.flavia50.kitnet.com.br

Quem é a Flávia 50 que tanto marcou a vida do Adilson E, principalmente, o que eu tenho a ver com isso? Por que todos os tarados da internet aparecem para dar um oizinho no meu orkut?

Enquanto isso, nos bancos de uma faculdade...

Estava com um amigo meu, professor de Direito Administrativo, acompanhando uma correção de uma prova. Coisa básica, porque hoje em dia não se pode perguntar nada muito profundo.

Ele pedia para seus pupilos discorrerem sobre os princípios da administração pública. E ainda facilitou a coisa pra eles; colocou na prova o nome de cada princípio:

Legalidade -

Moralidade -

Publicidade -

....

As respostas?

Moralidade - é a qualidade da pessoa que tem a moral (eu até ouço o pensamento do aluno: "moralidade, pô! É o cara que tem as manha!")


Teve um outro que para dizer a mesma coisa e parecer mais culto escreveu: é a qualidade da pessoa que tem "o" moral.

Outra da moralidade: "é o ser moral e pelos bons costumes".

Legalidade, então, deve ser a qualidade da pessoal que é legal, certo?

E Publicidade?? "é o lance da propaganda política".

Claaaaro!

sexta-feira, outubro 26, 2007

O que te faz feliz?

Eu sei, eu sei, Gigi e Gotinha Serena! Abandonei o blog. Posso alegar cansaço, preguiça, muito trabalho no escritório, mais trabalho ainda em casa e tudo isso é verdadeiro. Mas o que me fez dar essa parada compusória foi mesmo falta de assunto. E agora ainda vou chupar uma idéia lançada no blog da Mari e requentada no blog da Isis. Quer dizer, estou aqui fazendo um croquete do resto do mexidão feito com o resto do jantar da terça-feira.

Mas gostei do tema. É bacana pensar no assunto e descobrir que existem algumas coisas que me fazem feliz. Principalmente, nessa fase sem-ioga. É mais fácil, nesse momento, pensar em coisas que me irritam do que naquelas que me fazem feliz. Mas esse blog anda num mau-humor desgraçado e daqui a pouco ninguém vai vir aqui ler o que essa mulher ranheta escreve.

Vou, então, falar de coisinhas cor-de-rosas, que nem em uma redação da escolinha primária

O que me faz feliz

Meus filhos dormindo em suas caminhas. Poderia dizer meus filhos brincando. Meus filhos sendo brilhantes, meus filhos sendo engraçados, meus filhos me abraçando. Tudo isso seria verdade. Mas meus filhos dormindo me fazem muito mais feliz. E se você for uma mãe sincera, vai concordar comigo. É a hora em que eles estão mais seguros e, principalmente, é quando eles dão menos trabalho.

Meus filhos. Ponto.

Almoço em família. Comida boa, companhia boa, muitas risadas.

Reunir com gente que eu gosto em uma mesa de boteco.

Rir até doer a barriga.

Chorar em filme água-com-açúcar.

O Greg House dedilhando Baba O'Reilly na mesa de trabalho dele.

Coca-cola. Zero, de preferência. E bem gelada em um copo alto e sem cubos de gelo.

Ganhar uma ação.

Pensar que num futuro não muito distante eu não vou mais precisar pensar em ganhar ações.

Os Bobs. O Marley cantando Kaya naquela versão mole e menos trabalhada. E o Dylan cantando Like a Rolling Stone.

Aula de ioga (por motivos óbvios)

Viagem inesperada e sem planejamento. De preferência pro meio do mato.

Comer bem.

Beber bem.

Algum dinheiro no bolso.

Gastar esse dinheiro com alguma bobagem desnecessária.

Acordar com o cabelo bom.

Acordar no sábado.

Ganhar e dar presentes.

O Otto e absolutamente tudo que fazemos juntos.


Agora eu quero saber quem vai ser mais sem-vergonha que eu e fazer a farofa do croquete velho que eu, muito malandramente, usei pra atualizar o blog.

terça-feira, outubro 02, 2007

Maria-vai-com-as-outras

Eu sou mesmo uma maria-vai-com-as-outras. Basta alguém que eu considere inteligente, a tal "outra", me dar uma opinião, falar de um livro, filme, série de tv ou música, que eu vou logo lá conferir.

Foi assim que eu fui apresentada ao Calvin, ao Queen, ao Inspetor Clouseau e ao Darth Vader pelo meu nego, a quem eu sigo com mais assiduidade.

Mas existem outras "outras" que essa maria vai atrás. Foi assim com o David Bowie e com a Amelie Poulain da Silvia, com o Torero e com a Clarah Averbuck do Randall, com o Sex and the City da Isis. Foi assim com a Nação Zumbi e com o Bob Marley e o Jimi Hendrix da Cris. Foi assim com o Stone Roses da Dê (esse último do Randall também)... a lista é enorme e eu poderia ficar aqui pra sempre falando disso. Acho até que foi assim que eu escolhi ser advogada.

É claro que tem coisas que me apresentaram e eu nem gostei. Fui lá, conferi e disse "ah, tá! então tá! legal!" e deixei pra lá. Pra dar um exemplo, não gostei do Los Hermanos, do Mundo Livre S/A ou da Pequena Miss Sunshine.

Sou tão preguiçosa para descobrir coisas sozinhas - às vezes até acontece, vá lá! - que eu agradeço cada dica que me dão, boas ou nem tão boas, porque é assim que eu sempre tenho um novo livro pra eu ler, uma nova música pra eu escutar, um novo filme para assisitir...

Pois uma dessas coisas que me foram apresentada por duas "outras" que eu fui atrás, está me transformando em uma viciada neurótica. As culpadas são a minha cunhada Rê e a Silvia (sempre ela, sempre ela!).

Meu mais novo vício é o House! Nem Friends, nem Lost e nem ER me viciaram desse jeito.

Amo o Hugh Laurie, amo a série, fico nervosa quando o paciente entra em colapso, acho massa quando ele descobre o que o moribundo tem olhando um desenho de uma camiseta de outro paciente ou pros peitos da garota que acabou de passar na rua. Gosto quando ele canta a chefe de um jeito meio canalha e ofensivo mas com sotaque inglês! Adoro! E como não adorar? Ele cita o Mick Jagger, toca piano e guitarra.

Já estou até aprendendo o jargão. A pessoa pode ter granolumatose, doença alto-imune (o mais comum é lúpus), linfoma não-Hodgins, EM (esclerose múltipla). Mas apesar de cogitar isso todo dia, nunca é o que o infeliz tem. Normalmente o que a pessoa tem é algo absolutamente absurdo e nunca dantes cogitado. Essa semana foi peste negra (aquela da idade média!), carrapato e um tipo raro e maligno de ameba.

Todo dia alguém vomita sangue, tem uma parada respiratória ou cardíaca. E a facilidade com que se faz uma biópsia do cérebro? É como tomar cafezinho em padaria. Tem biópsia no cérebro todo dia.

O que complica a minha vida é que, diariamente, durante uma hora, eu esqueço que tenho filhos e marido. Faça chuva ou faça sol, durante uma hora eu sou toda do House.

E o que complica mais ainda é que eu não posso ter nem espirrar que já começo a pensar em EM, granolumatose...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Vocação - Ora Bolas!

Ando amando esse blog. Andei dando uma lida nos posts antigo e, rapaz... tem coisa bacana por ali.

E é boa essa sensação, já que, em um passado não muito distante, eu só escrevia petições e mesmo assim torcia para ninguém ler. Quando fiz meu primeiro post, ainda no Ora Bolas! achei piegas, brega, cafona mas, seguindo os ensinamentos das minhas mestras jedis Maroca, a Bicho-Grilo e Isis, a Deusa Pilantra, liguei o "foda-se" e apertei a tecla do "publicar". Fui parar na rede com um postezinho água com açúcar e meia dúzia de amigos e familiares que prestigiavam mais pela amizade do que pela leitura.

Modéstia às favas, melhorei um tiquinho, hoje eu acho que tem gente que vem aqui ler mesmo.

Mas eu fiquei com tanta saudade daqueles primeiros tempos, que resolvi, meio malandramente, buscar um daqueles posts velhinhos e republicar hoje. Hoje, eu o escreveria diferente mas, apesar da tentação ser grande, não vou cometer o crime de lesa-texto antigo.

E, se querem saber, não será a única vez que o Ora Bolas! ressucitará.

Vocação

Vocês conhecem uma pessoa que viaja na maionese? Delira loucamente sem ter usado uma única substância com propriedades alucinógenas? Tenho certeza que sim... Eu.

Pois bem. Num dos meus últimos sonhos delirantes, descobri minha verdadeira vocação: backing vocal da Aretha Franklin. Pra ser mais específica, a que fica do lado esquerdo do palco, porque eu sou canhota.

Primeiro pelos motivos óbvios: cantar com a Aretha Franklin, ter uma voz fantástica (não tenho, ok, mas não se esqueçam que eu estou no meio de uma alucinação), viajar o mundo todo com tudo pago... E já que o sonho é meu mesmo, como toda backing vocal que se preze, eu seria negona, linda, magra, elegante, alta. Usaria sapato de salto agulha preto de 12 cm (sem me desequilibrar, óbvio) e um tubinho de lurex super mini que mostraria toda a exuberância do meu metro de pernas. Maquiagem discreta. Cabelão black. Podre de chique. Outra coisa: saberia dançar muito bem (ok, ok, eu sei, estou forçando a barra, mas já que é pra delirar...).

Imaginem eu lá do lado esquerdo do palco, dançando lindamente (porém, com discrição) e de vez em quando soltando um "ooo" ou um "re-re-re-re-re-re-respect" com o meu vozeirão.

E por que backing vocal e não líder de banda? Também explico... Nunca sonho com estrelato. Isso dá trabalho. São fãs, obrigações mil, ter de sempre adotar uma determinada postura imposta, preocupar com a opinião pública, ter empresário, contrato com gravadora. Eu não. Eu gosto de sossego. Leveza. Glamour mas com tranquilidade. Nada de chamar atenção. Afinal, eu sou simplinha. Mas como simplicidade também tem limite, sempre chego aos shows montada em meu unicórnio.

terça-feira, setembro 18, 2007

Momento Gisele


Recebi essa foto ontem da Simone Maschio (a garota de cabelo liso na foto). Não sei bem o que eu senti na hora que abri o e-mail. Sabe aquele misto de saudosismo e horror? Como eu deixei fazerem isso no meu cabelo??? Bem, na verdade, eu adorei!
Essa foto foi tirada em um desfile de modas na Churrascaria. E era assim mesmo que a Churrascaria de Tucuruí se chamava: Churrascaria. Pois é. Não fui cantora de churrascaria, mas já fui modelo de churrascaria.
Nós e mais um monte de garotas tinhamos feito o Curso de Manequim da Marilim e éramos figurinha fácil nos desfiles de qualquer lojinha meia-boca. Normalmente as roupas que a gente desfilava eram cafonas mesmo. Particularmente, eu detestei essa aí que eu estava vestindo na foto, mas nesse mesmo desfile tinha um macacão azul, amarelo e branco que eu detestei mais.
Esse curso era meio obrigatório, já que em Tucuruí não tinha muito o que fazer. Então, fazíamos Jazz com a Chris Potiguara, Curso de Manequim com a Marilim, aeróbica com o Olivar... qualquer coisa para ocupar o tempo ocioso, que era muito. E eu que nunca tive alma de perua, não sei bem como eu me meti nessa de fazer curso de manequim. Acho que era só mais uma desculpa para ir para o clube.
O que eu me lembro desse desfile, além das roupas terríveis, é da maquiagem (a foto está sem cor, mas eu garanto pra vocês que era inesquecível) muito colorida, muito Ru Paul.
Como vocês podem notar, por pouco eu não tomo o lugar da Gisele Bündchen!!!!

segunda-feira, setembro 17, 2007

Guerreira da Justiça

Dedé: Mãe, pra onde você vai?

Mãe do Dedé: Pra Justiça, Dedé.

Dedé: O que você vai fazer na Justiça?

Mãe do Dedé: Vou trabalhar.

Dedé: Trabalhar? Você trabalha na Justiça?

Mãe do Dedé: É, meu filho. Eu sou advogada.

Dedé: Quando eu crescer, eu também posso ser advogado?

Mãe do Dedé: Claro, filho. Mas por que você quer ser advogado?

Dedé: Porque eu quero ser também um Guerreiro da Justiça!

(Justamente quando eu estava me remoendo em uma crise existencial-profissional, vem meu filhote me transformar na maior heroína da face da Terra: Juliana, a Guerreira da Justiça!).

segunda-feira, setembro 10, 2007

Sorte do dia

Eu gosto do Orkut. Ele é igual a um daqueles amigos bem políticos, meio mentirosos que gostam de agradar e encher a bola da pessoa. Sabem como é? A gente sabe que não é verdade, mas fica com uma sensação boa assim mesmo.

"Sorte de hoje: Você tem múltiplos talentos".

quinta-feira, setembro 06, 2007

Cansei dessa vida

Eu não devo ser a única e vou cair no maior lugar comum do mundo, mas... fazer o quê? Não quero terminar meus dias advogando. De jeito nenhum! Não quero pagar OAB pra sempre. Não quero! Não quero! Não quero!

Tá, ainda não cheguei ao desabafo da Denise do "eu odeio meu trabalho", apesar de entendê-la perfeitamente. Já tive trabalhos odiosos.

Não que eu não goste do meu trabalho atual. Gosto muito do escritório em que trabalho. Gosto de ser advogada. Mas não gosto de um monte de coisas (e um monte de gente) que orbita em torno dessa minha escolha profissional.

Cliente, por exemplo, são raros os que não dão mão-de-obra. E quanto mais chato o cliente, mais complicado o andamento do processo dele. Sabe aquela história de que "tudo o que é nojento cai no prato do rabugento"? Pois então. Isso funciona que é uma beleza. Se o cliente for daqueles que ficam ligando, então... aí o juiz não despacha nunca, o alvará sai com o nome errado, a petição se extravia no protocolo...

Ah, e cliente complicado tem, normalmente, um idiota no departamento pessoal e um boçal na contabilidade.

Aliás, que me desculpem os contadores, mas ô raça pra ter gente burra metida a sabida. Toda vez que eu tenho que falar com um contador, me dá vontade de morrer de catapora. Primeiro, porque contador acha que é advogado. Depois porque na hora que o bicho pega, ele não assume merda nenhuma que tenha feito.

Ah... esse é outro problema da advocacia: ninguém assume porra nenhuma! Na hora do aperto a desculpa é sempre a mesma: quem está trabalhando nesse processo é o meu colega que não está aqui no escritório nesse momento. E quando o cara resolve dar essa desculpa no meio de uma audiência de instrução, com o cliente dele do lado? "Excelência, é que eu não li a inicial porque o fulano aqui é cliente do meu colega de escritório e eu estou aqui só para quebrar o galho".

É... advocacia tem dessas coisinhas. E são elas que me fazem ficar meio deprimida quando eu penso em trabalhar nisso até ficar velha. Sinto que eu me acomodei em uma situação mais ou menos, aquela coisa conformadinha do "tá ruim, mas tá bom".

E eu nem estou falando de advocacia criminal ou de família, que deve dar uma dor de cabeça incapacitante todo dia no infeliz que resolveu encarar essas áreas do Direito. Eu nem me imagino em um júri, tentando defender o sujeito que matou a mãe a pauladas e depois saiu pra comer um cachorro-quente no boteco da esquina. Tá vendo? Tem coisas piores do que o meu trabalho.

Eu tenho até uma lista das piores profissões do mundo. Ela me ajuda a encarar meu dia de trabalho. Eu penso assim: "Juliana, você poderia ser criminalista". E aí a audiência com aquele juiz fdp fica bem mais suportável. Na minha lista das piores profissões do mundo, advogado criminalista deve estar no quinto ou sexto lugar. A pior do mundo é atendente de telemarketing, sem dúvida. Só de ter que falar em gerúndio, daquele jeito insuportável, com aquela vozinha horrível eu já teria me suicidado. Essa eu guardo para os dias realmente difíceis.

Mas por outro lado, há tanta coisa mais bacana do que o que eu faço... Já pensou se eu fosse enóloga? Ou, então, professora de ioga? O que me dizem de bióloga marinha? E trapezista? Fotógrafa, surfista profissional, degustadora de cafezinho, hacker. E aeromoça, hein? Hein? Hein????

domingo, setembro 02, 2007

A feijuca poética

Não... não vou falar sobre o meu filhote que fez 4 anos ontem. Nem vou dizer quer eu morro de orgulho do meu filho que está crescendo mais rápido do que eu gostaria. Nem vou contar o quanto ele ficou empolgado com os presentes que ganhou. Nem vou dizer que eu desejo a ele tudo de melhor nessa vida. Agora, vou falar de comida. Da comida deliciosa que foi servida no aniversário do Dedé.

Então... o Dedé fez 4 anos ontem e nós fizemos uma feijuca aqui hoje aqui em casa. E quando eu digo "nós fizemos" entendam "o Otto fez e eu fiquei no serviço de apoio, já que de feijoada eu não saco nada".

Menino, mas a feijoada ficou tão boa, mas tão boa que eu fiquei inspirada na hora. Só não corri pro computador na mesma hora porque a casa estava cheia. Agora, sem família por perto, vou honrar a comida do meu marido.

Ver o Otto cozinhar, por si só, já é um prazer. Ele põe uma musiquinha, abre uma cerveja, prepara todos os ingredientes em cima da pia antes de começar a preparar. Corta toda a cebola, separa os temperos. Frita as carnes na cachaça. É bonito de ver. Isso tudo leva um tempo grande. Normalmente, ele começa a feijoada no dia anterior. Só depois de todo o preâmbulo cumprido, ele orquestra a feijoada.

Eu dei minha ajudinha, é claro! Fiz o arroz, a farofa, cozinhei o feijão... Ah, menção honrosa para a couve que minha mãe preparou. Deliciosa!

Mas a comidinha do meu marido estava perfeita. Um pecado. Nada como ser casada com um homem lindo, inteligente, delicioso, cheiroso e que, ainda por cima, sabe cozinhar.

E para homenagear esse homem especial que é meu marido e sua feijoada poética, uma de suas músicas favoritas. Por que eu descobri seu segredo, meu nego, você aprendeu a cozinhar com o Chico.

Feijoada Completa
(Chico Buarque)
Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que por a mesa nem dar lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as linguiças pro tira-gosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado que é para engrossar
Aproveita a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão