quinta-feira, maio 15, 2008

Às compras

No Mercado Central:


- Por favor, me veja aí 50 gramas de Curry? (pronunciei assim mesmo com cu, porque eu nunca soube se a pronúncia disso é inglesa ou francesa ou qualquer outra bosta dessas)

- O que?

- Curry!

- Mas o que é isso?

- É aquele tempero laranja que parece um açafrão picante.

- Aaaaaaaah, bom! Caunrrrrrry! (enrolando a língua duzentas vezes para pronunciar o "r"

Eu, que nem sabia que a pronúncia era inglesa, humilhada com o inglês do vendedor, respondi:

- (humilhada) É isso, Caunrrrrrrry!

Recebo o saquinho. E o que vem escrito no saquinho com caneta bic azul? CÃNRRY!!

- Ahhhhhhh! Cãnrry!!!!!!!!!!!

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No Camelô em São Paulo - Isso é que é medo da RAPA

Depois de muito andar atrás de uma camiseta do Corinthians para o meu filho maloqueiro e sofredor, em todas as lojas da Praça da Sé até a 25 de março, apenas para descobrir que apesar da péssima fase, a camisa alvinegra é superfaturada, e me recusando a pagar R$ 110,00 em uma camisa de criança, eu me decidi, meio envergonhadamente, apelar para a bucaneiragem.

- Tem camisa infantil do Corinthians aí?

- (camelô meio assustado, disfarçando) Claro que não!!! Aqui a gente só vende artigo original, a gente não vende camisa falsificada!

- Ok, obrigada!

- (camelô antes meio assustado, agora meio sorrateiro, falando baixinho e ao lado da barraca, meio mocado) Moça, moça! Psit! Volta aqui!

- Oi.

- (ainda sussurando) A camiseta que a senhora quer é deste tamanho mais ou menos? - afasta as mãos uns 70 centímetros uma da outra indicando o tamanho.

- É. Pra 9 anos.

- Então a senhora volta aqui às 11:32, dá três voltas na barraca e diga a senha "passarinho quer cantar". Um agente meu entregará a camiseta para a senhora em uma sacola plástica verde, sem marcas. São 15 reais em notas não marcadas.

(é claro que o Rafa ficou sem a camisa)

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No Shopping dos Orixás

Isso tudo porque meu marido, culto que é, resolveu saber a história de cada um dos orixás.

E lá vamos nós para o Shopping dos Orixás, na Rua Goitacazes, comprar fascículos da Revista dos Orixás, a publicação mais conceituada do ramo. Ele vestido de branco, é claro. Nem preciso dizer que foi recebido com honras de pai-de-santo.

Otto: Por favor, quais os números da Revista dos Orixás a senhora tem aí?

Vendedora: Ah, tem tudo! Tem Oxumaré, tem Ogum, tem Iansã, tem Oxum, tem Xangô, Pombagira, Tranca-rua, Seu Zé Pelintra...

Otto (separando, calmamente, as revistas por muuuuuitos minutos): quero essa! Quero essa também! Essa também.

Eu: Nego, vamos embora. Estamos atrasados.

vendedora, me dirigindo um olhar penetrante:... no tempo dele!

Eu: desculpe!

Otto: Pronto! Vou levar essas 5: Ogum, Iansã, Oxum, Xangô e Oxóssi.

vendedora, dirigindo um olhar maléfico pro Otto: Não vai levar Seu Zé?

Otto: é claro!

segunda-feira, maio 05, 2008

Conflito de gerações

"Peguei um balaio, fui na feira roubar tomate e cebola
Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura
“Aí minha véia, deixa a cenoura aqui
Com a barriga vazia não consigo dormir”
E com o bucho mais cheio começei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar"

Ia eu ouvindo e batucando no volante do carro. Adoro Chico Science. Chico Science me fez muito bem. A batida retumba na minha cabeça e afasta os pensamentos tristes. Me sinto revolucionária, me sinto ousada, me sinto livre, me sinto jovem, me sin...

- Ué, Rafa, que cara de tédio é essa, filho? Não gostou da música?

- Ah, mãe. Não gostei muito não. É música de velho, né?

sexta-feira, abril 25, 2008

Feriado em Sampa

Eu tinha feito uma lista no início do ano de projetos para 2008. Mas mestre Cartola já tinha avisado que o mundo é um moinho... Os últimos acontecimentos da minha vida me mostraram que projetos são apenas projetos. Se eu chegar respirando no fim do ano, já fiz muito.

Mas... enquanto respiro, posso viver situações felizes, por que não? E é pra isso que eu vou a São Paulo. Encher meus pulmões de família e amigos e um pouquinho de CO2. Eu nem deveria fazer minha usual declaração de amor a São Paulo e à Mooca para não ser repetitiva. Mas já sendo repetitiva...
Meus planos para São Paulo, dessa vez, se resumiam a comprar um All Star (porque aqui em BH All Star custa R$ 64,90! Um roubo!), um CD do Creed, um da Nina Simone e, no mais, ficar dentro de casa jogando mau-mau, comendo pizza de escarola e curtindo família.

São Paulo é mesmo foda, foda, foda. E aí eu não consigo deixar de sair para olhar a cidade, ver as meninas bem vestidas, as mal vestidas, as gordinhas da Mooca (já que, hoje em dia, sou uma delas), ouvir velhinhas com sotaque italiano, tomar meu mate gelado e comprar All Star a R$45,00 nas Grandes Galerias (a propósito, dessa vez foram dois). Creed e Nina ficaram para o dia 27 de maio, quando eu for fazer uma audiência lá.

E essa ida a São Paulo foi especial já que recebi essa visita linda vinda da beira do Oceano Atlântico: minha querida amiga Mari.

(foi muito assunto e muita cerveja!!!)


Depois de quase 19 anos longe uma da outra, nosso lema era 1 cerveja para cada ano separada. Mas trocamos a quantidade por qualidade e o saldo foi 4 Stellas Artois (claro!!!!), 1 Newcastle Brown Ale só para experimentar, 2 Serramaltes. Isso no primeiro dia! (É claro que foram dois dias! Vocês acham que eu ia deixar minha Maroca ir embora só com uma botecada??? Grudei nela e consegui segurá-la comigo até o outro dia de noite!) No dia seguinte, mais Serramaltes e uma Bohemia na casa do meu cunhado. Muito riso. Muita conversa. Muita alegria. E amizade inundando todos os lugares pelos quais a gente passou. E ainda teve o telefonema pra Isis e o encontro com a Fabi que não estavam nos planos!!! Encontro duas amigas queridas, falo com outra, tomo cervejas a rodo, tenho um marido compreensivo que não me deu nenhuma bronca por eu ter chegado às 3 da manhã meio altinha... É... a vida é boa!

(saca só nossa cara de felicidade, a porção de Lula a Dorê e os copos cheios. Dá pra reclamar da vida?)


Ah, e ainda fui à Exposição Star Wars no outro dia. Vou reclamar de quê?

segunda-feira, abril 14, 2008

Eu quero é ir embora, eu quero dar o fora!

Eu sempre amei esse canto do mundo aqui. Apesar de não gostar do Cruzeiro e nem do Atlético. Apesar de detestar o Clube da Esquina. Apesar de não comer comida mineira Apesar de ter um sotaque tão misturado por essas minhas andanças pelo Brasil que nem sotaque mineiro eu tenho. Apesar do meu marido ser de São Paulo.

Eu sempre gostei daqui, apesar de... Ignorando uns e outros defeitinhos da cidade, mas sabendo do resto todo que aqui existe e que era tão bom. Gente bacana e hospitaleira, qualidade de vida em uma capital e mais umas e outras propagandas da PBH, que quase me convenciam.

Agora eu não amo mais. Agora que minha mãe virou uma estatística: mais uma vítima do trânsito e que, apesar de estar com todos os ossos no lugar, está estropiadinha e dolorida. Agora que um idiota sem carteira de motorista bateu NA TRASEIRA do carro do meu pai, com meu irmão no volante e pediu um exame toxicológico PARA O MEU IRMÃO. E a polícia civil ATENDEU!!!!! E apreendeu a carteira de quem precisa de um carro pra trabalhar!!!!!! Agora que eu conheço o Hospital Odilon Berhens e seus pacientes viciados em crack, putas que brigam de garrafa em punho e jogam umas às outras contra um muro de chapisco, miseráveis morrendo de dengue sem ninguém para olhar por eles. E minha mãe, machucada no meio dessas pessoas.

Eu quero outro lugar pra viver! Onde não tenham idiotas dirigindo sem carteira atrapalhando a vida de gente fina, elegante e sincera; onde não tenha um hospital tão desumano; e onde o clássico futebolístico não seja Galo x Raposa.

sexta-feira, março 28, 2008

Festa no Céu

Pai,

Você já está aí há mais de 10 dias, deu pra rever os parentes todos, matar a saudade de quem já tinha ido antes de você, sentir o clima, conhecer gente nova, se instalar e tal... então, agora vou contar a surpresa que prepararam pra você. Você não imaginou que ia chegar aí no Céu e não ia rolar nenhuma festinha, né?

Pois bem.

Tio Ildeu vai fazer a comida. Jantar bacana, farto, gostoso como aqueles que a gente comia no Papa Chibé. Pedi até pra ele providenciar um Pato no Tucupi.

A segunda parte das comemorações é o show. Esse foi mais difícil de arrumar, porque tive que pedir ajuda de um bocado de santo. Não conheço pessoalmente nenhum músico famoso, mas o São Jorge mandou meu recado pro Vinícius de Morais. Ele é bem relacionado, conhece uma galera ótima aí e toparam fazer uma batucada em sua homenagem. Afinal, quando alguém tão bacana chega ao Céu, tem festa, né?

Pedi muito cuidado na escolha das músicas. Depois de muito discutir, decidiram: o Ray Charles vai cantar Georgia on my mind, a sua favorita. Pedi para ele cantar Ruby, porque eu gosto muito também. O Freddy Mercury vai cantar I was born to love you, Love of my life e mais qualquer outra do Queen que você quiser. Ele tinha aquela fama de estrela aqui, mas disseram que o cara é bacana demais. É só pedir que ele canta tudo o que você quiser. O Louis Armstrong vai cantar What a wonderful world. John Lennon e George Harrison me deram muito trabalho. Eles não queriam cantar sem Paul e Ringo. Mas o Vinícius, com todo seu talento diplomático conseguiu uma canjinha deles: If I feel e Yesterday. Depois da parte internacional do show, vem o melhor: os brasucas. O Cazuza vai cantar Exagerado, a Clementina vai de Incompatibidade de Gênios (lembra aquela "Doutor, jogava o Flamengo e eu queria escutar/Chegou/Mudou de estação começou a dançar"). Depois vai rolar uma roda de samba com Vinícius, Cartola, Noel e Adoniran Barbosa. A Clara Nunes vai cantar Iracema, naquela versão que você gostou. A Elis também vai dar uma passadinha pra cantar "O bêbado e o equilibrista". E pra finalizar, um dueto do Luiz Gonzaga e do Gonzaguinha (pedi pra ele cantar Sangrando sem falta).

Mas não se canse muito no show, porque o tio Ismael marcou uma peladinha pro dia seguinte e o Garrincha já confirmou presença.

Divirta-se, meu velho! Seja feliz! Eu te amo todo dia!

segunda-feira, março 17, 2008

Meu amor foi embora!

Este talvez seja o texto mais difícil que eu já escrevi na vida.

O título é a frase que minha mãe disse à enfermeira que mediu sua pressão ontem depois que meu pai morreu. Foi a frase mais triste, mais linda, mais dolorida e mais verdadeira do mundo.

Quem conheceu meu pai um pouquinho sabe de seu amor pela mulher, pela família que eles criaram, pelo flamengo e pelo cooperativismo. Isso dava pra saber sobre ele em cinco minutos de conversa.

Quem conviveu um pouquinho com ele sabe de sua honestidade, de sua garra e de sua vontade de viver. É por isso que é tão inacreditável que ele não esteja mais aqui conosco.

Quem conhece meu pai como eu conheço sabe, além de tudo isso que eu contei aí atrás, que grande avô que meus filhos e meu sobrinho tiveram, que ele sabia "fazer o tatuzinho mamar", "dava cuca" e que a única bronca que dava nos netos era dizer "patati patatá". Os melhores conselhos saiam dos seus lábios, o melhor carinho vinha das suas mãos. Ele não tinha vergonha de dizer que amava, não tinha vergonha de pedir um cafuné. Era bravo e doce. Era amigo a ponto de, apesar de flamenguista, torcer para o corinthians pra não ver meu filho triste. Ele era orgulhoso da mulher que ele conquistou e dos filhos que ele criou. E nós somos orgulhosos dele.

Pai, o mundo sem você é tão triste que dá vontade de pedir para parar tudo.

Funeral Blues
W. H. Auden

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana, meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta pois nada mais poderá ser bom como antes era.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Sorte do dia - Orkut

O Oráculo do Orkut informa a minha sorte de hoje:

"Sorte de hoje: Você e sua mulher terão uma vida feliz"

O fato é que eu, apesar de esse ser o sonho do meu marido, ainda não tenho uma mulher!

Mas segundo o orkut, ainda resta uma esperança, Otto!!!

sábado, fevereiro 16, 2008

Meu filhinho carola

O Dedé ganhou um daqueles ursinhos que rezam. E aprendeu:

"o 'Pólo Norte' de cada dia nos dai hoje

perdoai as nossas ofensas,assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido

e não 'deixe cair um pedação'

Mas livrai 'nós' do mal

Amém"


quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Isso foi ontem

Ontem foi ontem... como aconteceu merda ontem. Caia merda do céu, direto na minha cabeça e culminando tudo, tomei um tombo no meio da rua porque fui correr atrás de um ônibus.

Bem que a Dê me falou: mulheres maravilhosas como nós não correm atrás de ônibus! Coisa mais mequetrefe essa de correr atrás de ônibus. Pensando bem, mereci o tombo!

Não foi um tombinho, devo dizer. É claro que comigo nunca existe "inhos". Sou uma pessoa "ão". Foi um tombão, com 20 metros de cavaco antes de me estatelar de barriga no chão. Roupa suja de mendiga. O resultado de ontem: corpo e alma doloridos.

Mas a boa notícia que recebi ontem supera meus tombos físicos e morais. Prefiro contar essa historinha:

Eles se conheceram e se apaixonaram. Com quinze dias de namoro, a declaração de amor dele para ela foi a seguinte: você quer ter filhos?

E como a resposta foi positiva, resolveram logo começar a família. Casaram, criaram seu ninho, trabalharam muito. Tudo para realizar o sonho. Tudo pronto...Mas realizar o sonho se mostrou muito complicado. Demorou muito até eles engravidarem. Engravidaram, vibraram, perderam, choraram... engravidaram de novo, perderam de novo, choraram de novo... engravidaram de novo, mais perda e mais choro e parecia que aquela declaração de amor nunca iria se concretizar. Por medo, chegaram a desistir de ter filhos.

Mas é claro que, como eles não tem vocação para sofrimento e tristeza, eles levaram a vida nesses anos muito bem. Eles construíram uma história, viajaram, se amaram, riram, estudaram, riram mais um pouco, e até choraram também, afinal, sempre havia lá atrás aquela declaração de amor pedindo pra acontecer.

Um dias eles resolveram: vamos ter um filho. Ainda que não seja com a nossa cara, ainda que venha de outra barriga. Vamos! Vamos! Vamos!

Mas realizar uma declaração de amor no Brasil demanda muita burocracia. Foram mais alguns anos de espera, respondendo questionários, recebendo gente estranha na casa, vendo a vida ser revirada, esperando, esperando e esperando, tudo para concretizar aquela primeira declaração de amor.

Pois bem. Ontem, enquanto eu chorava dentro do táxi, de volta pra casa, toda suja e com a moral no dedão do pé recebi a notícia: A declaração de amor se concretizou. Chama-se Guilherme e tem 2 anos! Veio de longe para se aconchegar no colo de seus novos pais. Protegido, amado e cuidado como toda declaração de amor merece ser.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

2007 já foi tarde! (ou resoluções para 2008)

Não que tenha sido de todo ruim, mas já tive anos melhores na minha vida.

2007 me deu tanta preguiça que só agora, passada uma semana de 2008, deu ânimo para escrever o post que estava já na minha cabeça: resoluções para 2008.

Pra não ter que entrar em detalhes, basta dizer que o ano que passou foi estranho, parado, estagnado... Eu estava sempre a espera de alguma coisa. O ano passou e a coisa não aconteceu. Minha atuação na vida em 2007 foi pífia. Fiz apenas pro gasto. E essa não sou eu. Não mesmo!

Pois bem: 2007 já foi tarde!

Então, vamos a 2008:

1. Primeiro de tudo: dar um jeito de voltar a fazer ioga. Quero sentar em samanássana, com as mãos em prona mudrá, cantar mantras à Vishnu, Ganesha e Shiva. Sair molinha da aula e dormir como um bebê a noite toda, mesmo que eu tenha um caminhão de contas para pagar e uma audiência horrorosa para o dia seguinte.

2. Fechar meu bocão. Isso quer dizer, comer menos e falar menos. Difícil, mas não impossível.

3. Organizar-me (nem vou tentar explicar esse tópico).

4. Começar a dar meus passos em direção a uma nova profissão: professora de ioga, degustadora de café ou ex-BBB (desculpem, não pude evitar o xiste).

5. Assistir House do primeiro ao último episódio.

6. Assistir pelo menos um show e uma peça bacana.

7. Começar a ganhar do Otto no Rummikub. E no mau-mau!

8. Não perder coisas pela rua.

9. Usar a minha agenda MESMO.

No mais, que venha 2008, que essa eu mato no peito, driblo 3 e meto no gol. De bicicleta.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Oração de ano novo

"Agora vou mudar minha conduta
Eu vou à luta, pois eu quero me aprumar..."

E esse ano eu vou colocar em prática a oração que São Noel Rosa nos ensinou.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Preocupante...

Há algo de preocupante quando os amiguinhos do seu filho atendem pelas alcunhas de Da Roça, Mamute, Chico Dorme-Sujo e Peidim.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Amy Neguinha

Um belo dia, eu entro em uma loja do shopping para comprar uma blusa e ouço, pela primeira vez, a negona cantar com aquela voz fantástica. Perguntei pra vendedora quem era a cantora mas ela não soube me dizer. Estava tocando rádio.


Passados alguns dias, estava eu arrumando a casa e ouvindo umas musiquinhas vindas da TV ligada no Multishow, quando, de repente eu ouço a negona cantar de novo!


Que puta voz!


Saí correndo pra ver de quem se tratava, mas quando cheguei, já era, já tinha acabado e eu fiquei sem saber quem era a negona da voz bacana.


Passado mais algum tempo, em uma quase-madrugada insone, zapeando meu controle remoto a esmo, a negona canta de novo. Dessa vez eu vi quem era. E não era uma negona, e sim, uma inglesinha junkie, magrela e com cara de personagem do Almodovar. Fiquei olhando e ouvindo ela dizer que não ia para reabilitação de jeito nenhum. Eu quase duvidei que aquela voz potente fosse daquela menina tão pequena e magrinha.


Fantástica, fantástica, fantástica!

Estou amando loucamente a Amy Winehouse, a minha neguinha.


Comprei o CD da Amy Neguinha. E pude comprovar que todos os prognósticos estavam corretos: ela é mesmo foda!


E mais eu não digo. Só tenho um conselho para os leitores desse blog: ouçam a música Back to Black desse CD aí em cima!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Ah, Vinícius...

Vinícius,

Eu acho que você estava tão errado quando disse que "o amor só é bom se doer", mas acertou tanto quando falou que "é melhor ser alegre que ser triste"...

quinta-feira, novembro 08, 2007

Leis Absurdas ( e olha que nem vamos falar do Brasil)

Essa foi Sílvia que me mandou por e-mail. Dei um tempo pra ver se ela não queria publicar, mas passadas as 24 horas regulamentares, resolvi postar por aqui mesmo.

Tem gente doida no mundo que, em vez de ser internada, fica fazendo leis por aí. É o caso dessas listadas aí embaixo.

O site é o http://noticias.br.msn.com/, no link da BBC Brasil


"Lei que proíbe embebedar peixes é eleita a mais bizarra do mundo

Pesquisa apontou leis mais absurdas aprovadas na Grã-Bretanha e em outros países.
Uma sondagem realizada por uma televisão britânica escolheu uma lei do Estado americano de Ohio que proíbe embebedar peixes como a 'mais ridícula' já implementada no mundo.


A pesquisa da UKTV Gold, que ouviu 3.931 pessoas, teve como objetivo listar as legislações mais bizarras da Grã-Bretanha e de outros países.

A lei que estabelece que é proibido morrer dentro do Parlamento foi eleita a mais absurda da Grã-Bretanha, seguida por uma outra que diz ser traição colar um selo da rainha ou do rei de cabeça para baixo.

Logo depois está a legislação que estabelece que as mulheres de Liverpool, no norte do país, só podem fazer topless em público se trabalharem em uma peixaria.

No ranking das leis internacionais mais bizarras, a lei de Ohio foi seguida por uma legislação da Indonésia que pune com decapitação as pessoas que se masturbarem.

Outras leis americanas estiveram entre as mais cotadas, como a que proíbe dirigir com os olhos vendados no estado no Alabama, e a punição com prisão para as mulheres solteiras que saltarem de pára-quedas na Flórida aos domingos.

Outro destaque entre as mais votadas foi a lei que proíbe dar o nome de Napoleão a porcos na França.

(BBC Brasil)"

segunda-feira, novembro 05, 2007

O Orkut nosso de cada dia

Sorte de hoje: A sociedade prepara o crime, o criminoso o comete.

Sinceramente, não entendi. A criminosa sou eu, ou eu faço parte da sociedade que prepara o crime??? E isso lá é sorte que se apresente?

E teve esse scrap postado por um tal Adilson na data de ontem. Na minha página pessoal. Devidamente deletado, é óbvio.

Ninguém mandou você terminar comigo. Agora fiz esse site com todas as nossas trepadas só pra você deixar de ser babaca, sua vaca! Agora quero ver você me sacanear de novo, piranha. www.flavia50.kitnet.com.br

Quem é a Flávia 50 que tanto marcou a vida do Adilson E, principalmente, o que eu tenho a ver com isso? Por que todos os tarados da internet aparecem para dar um oizinho no meu orkut?

Enquanto isso, nos bancos de uma faculdade...

Estava com um amigo meu, professor de Direito Administrativo, acompanhando uma correção de uma prova. Coisa básica, porque hoje em dia não se pode perguntar nada muito profundo.

Ele pedia para seus pupilos discorrerem sobre os princípios da administração pública. E ainda facilitou a coisa pra eles; colocou na prova o nome de cada princípio:

Legalidade -

Moralidade -

Publicidade -

....

As respostas?

Moralidade - é a qualidade da pessoa que tem a moral (eu até ouço o pensamento do aluno: "moralidade, pô! É o cara que tem as manha!")


Teve um outro que para dizer a mesma coisa e parecer mais culto escreveu: é a qualidade da pessoa que tem "o" moral.

Outra da moralidade: "é o ser moral e pelos bons costumes".

Legalidade, então, deve ser a qualidade da pessoal que é legal, certo?

E Publicidade?? "é o lance da propaganda política".

Claaaaro!

sexta-feira, outubro 26, 2007

O que te faz feliz?

Eu sei, eu sei, Gigi e Gotinha Serena! Abandonei o blog. Posso alegar cansaço, preguiça, muito trabalho no escritório, mais trabalho ainda em casa e tudo isso é verdadeiro. Mas o que me fez dar essa parada compusória foi mesmo falta de assunto. E agora ainda vou chupar uma idéia lançada no blog da Mari e requentada no blog da Isis. Quer dizer, estou aqui fazendo um croquete do resto do mexidão feito com o resto do jantar da terça-feira.

Mas gostei do tema. É bacana pensar no assunto e descobrir que existem algumas coisas que me fazem feliz. Principalmente, nessa fase sem-ioga. É mais fácil, nesse momento, pensar em coisas que me irritam do que naquelas que me fazem feliz. Mas esse blog anda num mau-humor desgraçado e daqui a pouco ninguém vai vir aqui ler o que essa mulher ranheta escreve.

Vou, então, falar de coisinhas cor-de-rosas, que nem em uma redação da escolinha primária

O que me faz feliz

Meus filhos dormindo em suas caminhas. Poderia dizer meus filhos brincando. Meus filhos sendo brilhantes, meus filhos sendo engraçados, meus filhos me abraçando. Tudo isso seria verdade. Mas meus filhos dormindo me fazem muito mais feliz. E se você for uma mãe sincera, vai concordar comigo. É a hora em que eles estão mais seguros e, principalmente, é quando eles dão menos trabalho.

Meus filhos. Ponto.

Almoço em família. Comida boa, companhia boa, muitas risadas.

Reunir com gente que eu gosto em uma mesa de boteco.

Rir até doer a barriga.

Chorar em filme água-com-açúcar.

O Greg House dedilhando Baba O'Reilly na mesa de trabalho dele.

Coca-cola. Zero, de preferência. E bem gelada em um copo alto e sem cubos de gelo.

Ganhar uma ação.

Pensar que num futuro não muito distante eu não vou mais precisar pensar em ganhar ações.

Os Bobs. O Marley cantando Kaya naquela versão mole e menos trabalhada. E o Dylan cantando Like a Rolling Stone.

Aula de ioga (por motivos óbvios)

Viagem inesperada e sem planejamento. De preferência pro meio do mato.

Comer bem.

Beber bem.

Algum dinheiro no bolso.

Gastar esse dinheiro com alguma bobagem desnecessária.

Acordar com o cabelo bom.

Acordar no sábado.

Ganhar e dar presentes.

O Otto e absolutamente tudo que fazemos juntos.


Agora eu quero saber quem vai ser mais sem-vergonha que eu e fazer a farofa do croquete velho que eu, muito malandramente, usei pra atualizar o blog.

terça-feira, outubro 02, 2007

Maria-vai-com-as-outras

Eu sou mesmo uma maria-vai-com-as-outras. Basta alguém que eu considere inteligente, a tal "outra", me dar uma opinião, falar de um livro, filme, série de tv ou música, que eu vou logo lá conferir.

Foi assim que eu fui apresentada ao Calvin, ao Queen, ao Inspetor Clouseau e ao Darth Vader pelo meu nego, a quem eu sigo com mais assiduidade.

Mas existem outras "outras" que essa maria vai atrás. Foi assim com o David Bowie e com a Amelie Poulain da Silvia, com o Torero e com a Clarah Averbuck do Randall, com o Sex and the City da Isis. Foi assim com a Nação Zumbi e com o Bob Marley e o Jimi Hendrix da Cris. Foi assim com o Stone Roses da Dê (esse último do Randall também)... a lista é enorme e eu poderia ficar aqui pra sempre falando disso. Acho até que foi assim que eu escolhi ser advogada.

É claro que tem coisas que me apresentaram e eu nem gostei. Fui lá, conferi e disse "ah, tá! então tá! legal!" e deixei pra lá. Pra dar um exemplo, não gostei do Los Hermanos, do Mundo Livre S/A ou da Pequena Miss Sunshine.

Sou tão preguiçosa para descobrir coisas sozinhas - às vezes até acontece, vá lá! - que eu agradeço cada dica que me dão, boas ou nem tão boas, porque é assim que eu sempre tenho um novo livro pra eu ler, uma nova música pra eu escutar, um novo filme para assisitir...

Pois uma dessas coisas que me foram apresentada por duas "outras" que eu fui atrás, está me transformando em uma viciada neurótica. As culpadas são a minha cunhada Rê e a Silvia (sempre ela, sempre ela!).

Meu mais novo vício é o House! Nem Friends, nem Lost e nem ER me viciaram desse jeito.

Amo o Hugh Laurie, amo a série, fico nervosa quando o paciente entra em colapso, acho massa quando ele descobre o que o moribundo tem olhando um desenho de uma camiseta de outro paciente ou pros peitos da garota que acabou de passar na rua. Gosto quando ele canta a chefe de um jeito meio canalha e ofensivo mas com sotaque inglês! Adoro! E como não adorar? Ele cita o Mick Jagger, toca piano e guitarra.

Já estou até aprendendo o jargão. A pessoa pode ter granolumatose, doença alto-imune (o mais comum é lúpus), linfoma não-Hodgins, EM (esclerose múltipla). Mas apesar de cogitar isso todo dia, nunca é o que o infeliz tem. Normalmente o que a pessoa tem é algo absolutamente absurdo e nunca dantes cogitado. Essa semana foi peste negra (aquela da idade média!), carrapato e um tipo raro e maligno de ameba.

Todo dia alguém vomita sangue, tem uma parada respiratória ou cardíaca. E a facilidade com que se faz uma biópsia do cérebro? É como tomar cafezinho em padaria. Tem biópsia no cérebro todo dia.

O que complica a minha vida é que, diariamente, durante uma hora, eu esqueço que tenho filhos e marido. Faça chuva ou faça sol, durante uma hora eu sou toda do House.

E o que complica mais ainda é que eu não posso ter nem espirrar que já começo a pensar em EM, granolumatose...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Vocação - Ora Bolas!

Ando amando esse blog. Andei dando uma lida nos posts antigo e, rapaz... tem coisa bacana por ali.

E é boa essa sensação, já que, em um passado não muito distante, eu só escrevia petições e mesmo assim torcia para ninguém ler. Quando fiz meu primeiro post, ainda no Ora Bolas! achei piegas, brega, cafona mas, seguindo os ensinamentos das minhas mestras jedis Maroca, a Bicho-Grilo e Isis, a Deusa Pilantra, liguei o "foda-se" e apertei a tecla do "publicar". Fui parar na rede com um postezinho água com açúcar e meia dúzia de amigos e familiares que prestigiavam mais pela amizade do que pela leitura.

Modéstia às favas, melhorei um tiquinho, hoje eu acho que tem gente que vem aqui ler mesmo.

Mas eu fiquei com tanta saudade daqueles primeiros tempos, que resolvi, meio malandramente, buscar um daqueles posts velhinhos e republicar hoje. Hoje, eu o escreveria diferente mas, apesar da tentação ser grande, não vou cometer o crime de lesa-texto antigo.

E, se querem saber, não será a única vez que o Ora Bolas! ressucitará.

Vocação

Vocês conhecem uma pessoa que viaja na maionese? Delira loucamente sem ter usado uma única substância com propriedades alucinógenas? Tenho certeza que sim... Eu.

Pois bem. Num dos meus últimos sonhos delirantes, descobri minha verdadeira vocação: backing vocal da Aretha Franklin. Pra ser mais específica, a que fica do lado esquerdo do palco, porque eu sou canhota.

Primeiro pelos motivos óbvios: cantar com a Aretha Franklin, ter uma voz fantástica (não tenho, ok, mas não se esqueçam que eu estou no meio de uma alucinação), viajar o mundo todo com tudo pago... E já que o sonho é meu mesmo, como toda backing vocal que se preze, eu seria negona, linda, magra, elegante, alta. Usaria sapato de salto agulha preto de 12 cm (sem me desequilibrar, óbvio) e um tubinho de lurex super mini que mostraria toda a exuberância do meu metro de pernas. Maquiagem discreta. Cabelão black. Podre de chique. Outra coisa: saberia dançar muito bem (ok, ok, eu sei, estou forçando a barra, mas já que é pra delirar...).

Imaginem eu lá do lado esquerdo do palco, dançando lindamente (porém, com discrição) e de vez em quando soltando um "ooo" ou um "re-re-re-re-re-re-respect" com o meu vozeirão.

E por que backing vocal e não líder de banda? Também explico... Nunca sonho com estrelato. Isso dá trabalho. São fãs, obrigações mil, ter de sempre adotar uma determinada postura imposta, preocupar com a opinião pública, ter empresário, contrato com gravadora. Eu não. Eu gosto de sossego. Leveza. Glamour mas com tranquilidade. Nada de chamar atenção. Afinal, eu sou simplinha. Mas como simplicidade também tem limite, sempre chego aos shows montada em meu unicórnio.

terça-feira, setembro 18, 2007

Momento Gisele


Recebi essa foto ontem da Simone Maschio (a garota de cabelo liso na foto). Não sei bem o que eu senti na hora que abri o e-mail. Sabe aquele misto de saudosismo e horror? Como eu deixei fazerem isso no meu cabelo??? Bem, na verdade, eu adorei!
Essa foto foi tirada em um desfile de modas na Churrascaria. E era assim mesmo que a Churrascaria de Tucuruí se chamava: Churrascaria. Pois é. Não fui cantora de churrascaria, mas já fui modelo de churrascaria.
Nós e mais um monte de garotas tinhamos feito o Curso de Manequim da Marilim e éramos figurinha fácil nos desfiles de qualquer lojinha meia-boca. Normalmente as roupas que a gente desfilava eram cafonas mesmo. Particularmente, eu detestei essa aí que eu estava vestindo na foto, mas nesse mesmo desfile tinha um macacão azul, amarelo e branco que eu detestei mais.
Esse curso era meio obrigatório, já que em Tucuruí não tinha muito o que fazer. Então, fazíamos Jazz com a Chris Potiguara, Curso de Manequim com a Marilim, aeróbica com o Olivar... qualquer coisa para ocupar o tempo ocioso, que era muito. E eu que nunca tive alma de perua, não sei bem como eu me meti nessa de fazer curso de manequim. Acho que era só mais uma desculpa para ir para o clube.
O que eu me lembro desse desfile, além das roupas terríveis, é da maquiagem (a foto está sem cor, mas eu garanto pra vocês que era inesquecível) muito colorida, muito Ru Paul.
Como vocês podem notar, por pouco eu não tomo o lugar da Gisele Bündchen!!!!

segunda-feira, setembro 17, 2007

Guerreira da Justiça

Dedé: Mãe, pra onde você vai?

Mãe do Dedé: Pra Justiça, Dedé.

Dedé: O que você vai fazer na Justiça?

Mãe do Dedé: Vou trabalhar.

Dedé: Trabalhar? Você trabalha na Justiça?

Mãe do Dedé: É, meu filho. Eu sou advogada.

Dedé: Quando eu crescer, eu também posso ser advogado?

Mãe do Dedé: Claro, filho. Mas por que você quer ser advogado?

Dedé: Porque eu quero ser também um Guerreiro da Justiça!

(Justamente quando eu estava me remoendo em uma crise existencial-profissional, vem meu filhote me transformar na maior heroína da face da Terra: Juliana, a Guerreira da Justiça!).

segunda-feira, setembro 10, 2007

Sorte do dia

Eu gosto do Orkut. Ele é igual a um daqueles amigos bem políticos, meio mentirosos que gostam de agradar e encher a bola da pessoa. Sabem como é? A gente sabe que não é verdade, mas fica com uma sensação boa assim mesmo.

"Sorte de hoje: Você tem múltiplos talentos".

quinta-feira, setembro 06, 2007

Cansei dessa vida

Eu não devo ser a única e vou cair no maior lugar comum do mundo, mas... fazer o quê? Não quero terminar meus dias advogando. De jeito nenhum! Não quero pagar OAB pra sempre. Não quero! Não quero! Não quero!

Tá, ainda não cheguei ao desabafo da Denise do "eu odeio meu trabalho", apesar de entendê-la perfeitamente. Já tive trabalhos odiosos.

Não que eu não goste do meu trabalho atual. Gosto muito do escritório em que trabalho. Gosto de ser advogada. Mas não gosto de um monte de coisas (e um monte de gente) que orbita em torno dessa minha escolha profissional.

Cliente, por exemplo, são raros os que não dão mão-de-obra. E quanto mais chato o cliente, mais complicado o andamento do processo dele. Sabe aquela história de que "tudo o que é nojento cai no prato do rabugento"? Pois então. Isso funciona que é uma beleza. Se o cliente for daqueles que ficam ligando, então... aí o juiz não despacha nunca, o alvará sai com o nome errado, a petição se extravia no protocolo...

Ah, e cliente complicado tem, normalmente, um idiota no departamento pessoal e um boçal na contabilidade.

Aliás, que me desculpem os contadores, mas ô raça pra ter gente burra metida a sabida. Toda vez que eu tenho que falar com um contador, me dá vontade de morrer de catapora. Primeiro, porque contador acha que é advogado. Depois porque na hora que o bicho pega, ele não assume merda nenhuma que tenha feito.

Ah... esse é outro problema da advocacia: ninguém assume porra nenhuma! Na hora do aperto a desculpa é sempre a mesma: quem está trabalhando nesse processo é o meu colega que não está aqui no escritório nesse momento. E quando o cara resolve dar essa desculpa no meio de uma audiência de instrução, com o cliente dele do lado? "Excelência, é que eu não li a inicial porque o fulano aqui é cliente do meu colega de escritório e eu estou aqui só para quebrar o galho".

É... advocacia tem dessas coisinhas. E são elas que me fazem ficar meio deprimida quando eu penso em trabalhar nisso até ficar velha. Sinto que eu me acomodei em uma situação mais ou menos, aquela coisa conformadinha do "tá ruim, mas tá bom".

E eu nem estou falando de advocacia criminal ou de família, que deve dar uma dor de cabeça incapacitante todo dia no infeliz que resolveu encarar essas áreas do Direito. Eu nem me imagino em um júri, tentando defender o sujeito que matou a mãe a pauladas e depois saiu pra comer um cachorro-quente no boteco da esquina. Tá vendo? Tem coisas piores do que o meu trabalho.

Eu tenho até uma lista das piores profissões do mundo. Ela me ajuda a encarar meu dia de trabalho. Eu penso assim: "Juliana, você poderia ser criminalista". E aí a audiência com aquele juiz fdp fica bem mais suportável. Na minha lista das piores profissões do mundo, advogado criminalista deve estar no quinto ou sexto lugar. A pior do mundo é atendente de telemarketing, sem dúvida. Só de ter que falar em gerúndio, daquele jeito insuportável, com aquela vozinha horrível eu já teria me suicidado. Essa eu guardo para os dias realmente difíceis.

Mas por outro lado, há tanta coisa mais bacana do que o que eu faço... Já pensou se eu fosse enóloga? Ou, então, professora de ioga? O que me dizem de bióloga marinha? E trapezista? Fotógrafa, surfista profissional, degustadora de cafezinho, hacker. E aeromoça, hein? Hein? Hein????

domingo, setembro 02, 2007

A feijuca poética

Não... não vou falar sobre o meu filhote que fez 4 anos ontem. Nem vou dizer quer eu morro de orgulho do meu filho que está crescendo mais rápido do que eu gostaria. Nem vou contar o quanto ele ficou empolgado com os presentes que ganhou. Nem vou dizer que eu desejo a ele tudo de melhor nessa vida. Agora, vou falar de comida. Da comida deliciosa que foi servida no aniversário do Dedé.

Então... o Dedé fez 4 anos ontem e nós fizemos uma feijuca aqui hoje aqui em casa. E quando eu digo "nós fizemos" entendam "o Otto fez e eu fiquei no serviço de apoio, já que de feijoada eu não saco nada".

Menino, mas a feijoada ficou tão boa, mas tão boa que eu fiquei inspirada na hora. Só não corri pro computador na mesma hora porque a casa estava cheia. Agora, sem família por perto, vou honrar a comida do meu marido.

Ver o Otto cozinhar, por si só, já é um prazer. Ele põe uma musiquinha, abre uma cerveja, prepara todos os ingredientes em cima da pia antes de começar a preparar. Corta toda a cebola, separa os temperos. Frita as carnes na cachaça. É bonito de ver. Isso tudo leva um tempo grande. Normalmente, ele começa a feijoada no dia anterior. Só depois de todo o preâmbulo cumprido, ele orquestra a feijoada.

Eu dei minha ajudinha, é claro! Fiz o arroz, a farofa, cozinhei o feijão... Ah, menção honrosa para a couve que minha mãe preparou. Deliciosa!

Mas a comidinha do meu marido estava perfeita. Um pecado. Nada como ser casada com um homem lindo, inteligente, delicioso, cheiroso e que, ainda por cima, sabe cozinhar.

E para homenagear esse homem especial que é meu marido e sua feijoada poética, uma de suas músicas favoritas. Por que eu descobri seu segredo, meu nego, você aprendeu a cozinhar com o Chico.

Feijoada Completa
(Chico Buarque)
Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que por a mesa nem dar lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as linguiças pro tira-gosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado que é para engrossar
Aproveita a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

quarta-feira, agosto 22, 2007

Tô afim

Não gostei muito do nome. Três irmãos de sangue, a princípio, me soou como 2 filhos de Francisco.

Mas a comparação acaba aí. Impossível traçar qualquer paralelo entre a família do Francisco e a família Souza.

O formato também não é dos meus preferidos - documentário. Se bem que depois de ver o Vinicius e o Tom bêbados, meus preconceitos acerca desse tipo de filmes diminuiram muito.

E se o Chico Mário e o Betinho, que são figuras admiráveis, já me fariam querer muitíssimo assistir a esse filme, o Henfil faz com que eu vá correndo, voando, saltitante, de braços abertos e em câmera lenta, como quem vai encontrar um amante.

Me aguarde, amor, que eu já vou te ver!

terça-feira, agosto 21, 2007

Sex-orkut

Lembram de um post que eu fiz, falando que o orkut servia para reaproximar amigos, fazer novos amigos e, além disso, tinha ainda o pessoal que me mandava recados para ver suas trepadas com seus namorados, ver a Cicarelli dando dentro do mar, blá blá blá? O serviço de utilidade pública do Orkut, o sex-orkut?

Pois é. Agora a coisa tornou-se mais íntima. As meninas e rapazes que antes me mandavam os recados para eu acessar os seus vídeos, agora me convidam para ser amiga. É Xaiane Cristal, Christinny Pink, Ritha Costha, Cláudya Surfistinha, Charles Bem-dotado. Todo dia tem um, dois convites desses no meu orkut. Um bando de chacretes e Alexandres Frotas do terceiro milênio. Fico até pensando se não é sempre a mesma pessoa... Vai olhar o perfil e é sempre a mesma coisa. No "sou eu" consta: visite meu vibeflog: http://www.gostosafazendosacanagem.blablalbla.com/. E a pose sexy da foto, segurando o cabelo pra cima, barriguinha de fora, perninhas dobradas daquele jeito de fazer o bumbum empinar. Meio deprê, devo dizer.

Será que eles olham para a minha foto e pensam: "essa aí tem cara de safadinha, vai acessar meu flog, vai contratar meus serviços. Pronto. Vou convidar para ser minha coleguinha". Se for isso, fico até meio lisonjeada de ser confundida com uma das safadinhas do orkut. Logo eu que tenho o perfil mais bem comportado do orkut. Nem preenchi aquele pefilzinho pessoal... Talvez seja algo na foto que eu coloquei lá.

Pensando bem, vou manter a fantasia e abrir um perfil só para atender aos meus novos amigos. Com um nome de chacrete, tipo Jullye Hurricane (o y a mais é imprescindível para identificar-se como um da tribo). E procurar no Google uma foto da Rita Cadillac novinha.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Na Mooca









Apesar do clima estranho que rolava em São Paulo, uma certa tristeza do pessoal pelos últimos acontecimentos, da friaca que até agora eu não consegui tirar do meu osso, da gripe monstruosa que o André pegou e da greve de metrô que me fez ficar presa na Radial Leste na quinta-feira, visitar a Mooca é sempre inspirador. Pra vocês terem idéia, eu volto para Minas completamente italianada.

Eu já expressei aqui todo meu amor pela cidade de São Paulo, pela Avenida Paulista, pelo Centro da cidade, pelo metrô, pelo Rei do Mate, alguma coisa acontece no meu coração e essas coisas que todo mundo sabe a meu respeito.

Mas hoje, especificamente, minha declaração de amor vai para o único bairro do mundo que tem bandeira e hino: a Mooca. Porque a Mooca não é simplesmente um bairro em uma cidade grande. A Mooca é um estado de espírito, um way of life. O morador da Mooca não é paulistano. Aliás, é. Mas antes disso, ele é da Mooca.

E como o frio não permitiu que eu saísse para muito longe, aproveitei essa minha última ida a São Paulo para curtir a Mooca.

Uma das coisas que eu amo é o sotaque do Moquense (ou moqueiro, como minha cunhada do Tucuruvi chama o vivente da Mooca) é muito mais gostoso que a fala do resto de São Paulo. Não é aquela coisa pomposa meio Shopping Ibirapuera. Nem é uma coisa malaca de periferia. O moquense, como bom descendente de italiano, fala com o corpo todo, usa palavras antigas e gírias na mesma frase, fala pelos cotovelos (talvez isso já esteja até englobado no falar com o corpo todo), capricham nos erres e nos finais de sílaba com n . Por exemplo: lá não se fala pimenta. Fala-se pimeinnnnta, assim mesmo, com esse i no meio e um monte de enes depois.

Outra coisa que eu adoro na Mooca: todo mundo torce pro Juventus. Não importa se o cara é corinthiano, palmeirense ou sãopaulino. Se é da Mooca, é Juva de coração. Tanto é assim, que meu cunhado reconheceu um Moquense em um show pela camisa do Juventus. Nunca tinha visto o cara, mas se abraçaram como se fossem parentes que não se viam há muitos anos.

Feira livre é outra coisa típica da Mooca. Eu sei que aí na sua rua também tem feira livre, mas não é a feira livre da Fernando Falcão, ou da Jumana, ou da Guaimbé. Porque na feira livre da Mooca, os feirantes tem o maior prazer em alimentar as pessoas, independente se essas vão comprar ou não. O negócio é enfiar um pedaço de manga, mexirica ou carambola guela abaixo do sujeito só para receber o elogio de que a fruta está gostosa, está docinha. E lá não importa se você tem 18 ou 81 anos. O feirante vai te chamar de "linda" e de "menina". Se isso não é delicioso, eu não sei mais o que é.

Outra coisa que eu adoro na Mooca é a D. Noêmia, uma manicure japinha com sotaque italiano (isso só lá na Mooca mesmo pra ter). Se eu quiser me inteirar das histórias ocorridas nos últimos 6 meses, é só ir lá.

Ah, e a Cida, a síndica do prédio? Uma piada pronta. Se você pensar naquelas síndicas de filmes, com rolinho na cabeça, ranhetice estampada na cara e um marido bundão, pode saber que você pensa na Cida. Ela implicava com meu marido quando ele era criança e agora implica com o meu filho. Quer tradição maior que essa? E como vaso ruim não quebra, acho que ela viverá (e será síndica) para implicar com meus netos.

E é lá na Mooca que eu, órfã de avós sanguíneos, tenho uma nona italiana. Daquelas nonas que fazem macarronada aos domingos, enchem nossa boca de comida maravilhosa e nossos ouvidos de histórias lindas e ensinamentos sábios. Essa, assim como a Mooca toda, eu ganhei do meu marido moquense.

Vou aproveitar esses momentos de boas lembranças, em que eu ainda tenho um gostinho de Mooca na boca e continuo falando "pimeinta", antes do meu sotaque mineiro voltar. Fim do ano eu volto lá. Tá ligado?

O hino da Mooca
Letra: José das Neves Eustáquio

Sou da Mooca, sou moquense.
Amo esta região,
Meu bairro muito querido
Estás no meu coração.
Mooca, bairro tradição
Da Zona Leste és portal
Símbolo de uma região,
No trabalho és triunfal.
Teu dinamismo de agora
São heranças bem distantes.
Foste trilha outrora
De valentes bandeirantes.
Tens esportes, tens cultura,
Universidade até.
Os teus templos abrigam
Um povo com muita fé.
Desde o Parque D. Pedro
Tudo em ti é sucesso
Tuas ruas e avenidas
Representam o teu progresso.
Sou da Mooca, sou moquense,
Amo esta região
Meu bairro muito querido
Estás no meu coração.
É bonito o teu brasão
Bela é a tua bandeira
Nas festas de nosso povo
Tremula sempre altaneira.
Teu poema é história
Deste bairro hospitaleiro
Nascido à margem de um rio
Deste solo brasileiro.
Mooca em tupi quer dizer
Nossa casa, nosso abrigo,
No trabalho e no lazer
O moquense é muito amigo.
És valente, meu torrão.
Toca, meu bairro, toca
O canto com emoção.
Mooca, Mooca, Mooca

sábado, julho 21, 2007

Cara... como o top top do assessor da presidência pegou mal!! E eu que tinha ficado horrorizada porque o Comandante Camacho tinha feito uma piadinha, mandando chamar o C.S.I. para apurar o acidente, em uma entrevista com o Heródoto, no dia seguinte da tragédia.

Eu sei que depois da tragédia ocorrida não há muito o que se possa fazer. Mas um pouquinho de respeito e compaixão com quem perdeu pai, mãe, filhos, namorado, marido seria bom, né? Não se faz piada com a miséria alheia.

O que mais me impressionou não foram as imagens do prédio da Tam pegando fogo, nem do avião correndo pela pista sem conseguir parar. O que me toca e me impressiona é ver o desespero dos parentes das vítimas. Acho que são essas as verdadeiras vítimas. Os que ficaram pra trás.

sexta-feira, julho 13, 2007

Onze anos

Não gosto de escrever de amor. Toda vez que eu tento, o que sai sempre é algo lugar-comum, piegas, do tipo escrever Juliana e Otto S.A.L. dentro de um coraçãozinho furado por uma flechinha (para quem não teve adolescência ou não lembra porque está muito velho ou nunca foi romântico, S.A.L é a abreviatura de Se Amam Loucamente). Nunca consegui escrever um único versinho na vida.

Mas, apesar da minha breguice para escrever de amor, eu sou uma romântica assumida. Ainda não entrei em nenhum grupo de ajuda mútua por essa razão, nem declarei o meu amor no orkut criando a comunidade "Juliana e Otto S.A.L., dentro de um coraçãozinho furado por uma flechinha". Mas ele sabe... ele sabe...

Como sempre, afano de um dos meus outros amores os seus amores. Ano passado, foi Vinícius, dessa vez é Chico que me auxilia na declaração de amor ao meu amor. Meu rapaz, meu feio, sujo e malvado, meu nego.

Otto, eu sou sua menina, viu?

O meu amor

(Chico Buarque)

Terezinha: O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

Lúcia: O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

As duas: Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

Lúcia: O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

Teresinha: O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

As duas: Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

quinta-feira, julho 05, 2007

Só pra me exibir

E é de exibida que eu sou mesmo...

O Otto estava dando uma navegada básica e achou um jornal que cita um post meu

E eu nem sabia que eu era uma cinealone...

http://www.opovo.com.br/colunas/up2date/594737.html

Chique, hein? E nem é de amigo meu...

terça-feira, julho 03, 2007

A Semana

Semana estranha...

Comecei a semana de um jeito normal, resolvendo um problema do escritório que de tão cabeludo deveria se chamar Chewbacca.

Na terça, eu e Otto estávamos começando a conjecturar onde passaríamos o fim de semana, em uma prévia do aniversário de casamento, já que seria o primeiro (e único) de muito tempo sem que ele trabalhasse. Levando-se em conta que o carro estava péssimo e com documentação irregular por causa das multas antigas, a opção era ônibus ou emprestar o carro do meu pai (papai, me empresta o carro, pra eu poder tirar um sarro com meu beeeeeem!). Ah, e pedir para minha mãe ficar com os pequenos, a parte mais importante da preparação.

Resolvido o problema da condução (meu pai foi muito gente fina) e dos meninos (minha mãe foi mais gente fina ainda), necessário decidir o "para onde ir". Tinha que ser nas proximidades de BH, já que só teríamos a tarde de sexta, o sábado e um pedaço do domingo para aproveitar a folga.

Ah! Tudo foi por terra quando ainda na terça, desconfiei que estava grávida. Viajar, nesse caso, nem pensar! Economia é a palavra de ordem quando a gente espera um filho não planejado e já tem outros dois pra criar. Pois bem. Desesperei, depois fiquei semi-feliz, fiz exame (negativo!!!), fiquei muito aliviada mas semi-triste. Já tinha até pensado na questão da grana, o Rafa que é maiorzinho venderia bala no ônibus, o Dedé pediria no sinal e a renda da família seria assim complementada.

Só sei que entre planejamentos de viagens românticas e criação de um filho ainda não nascido e tudo o mais, terminei a semana de carro novo (e com documentos REGULARES!!!), uma dívida de cinco anos para pagar e em uma mesa de jantar na Mooca, comendo pizza de mussarela do Paolucci e rindo até perder o fôlego.

Como eu disse, semana estranha...

À Silvia

Eu sei que esse não é o visual que você bolou pro meu blog, mas com a mandinguinha que você fez no gerenciador eu consegui fuçar, escolher, incluir imagem (olha só que evolução!!!!).

Então, apesar de o layout não ter sobrevivido daquele jeito que estava (acho que já passei da fase rosinha e, definitivamente, saí da fase azul também), você facilitou muito minha vida. E me ensinou a fuçar nisso aqui.

Obrigada, Silvex!!!!!!!

terça-feira, junho 26, 2007

A humanidade é desumana

E aí eles viram a menina lá, parada, na dela, acharam que a menina era puta. Resolveram dar pancada na puta.

Ah, tá! Agora entendi a lógica do negócio. É aquela mesma lógica torta dos moleques que botaram fogo no índio porque acharam que era mendigo.

Em puta pode bater, em mendigo pode jogar fogo. Claro. Coitados dos guris, foram levados a erro pelas circunstâncias. Mas também porque a garota estava sozinha, ali, dando a maior pinta de puta? E porque o tal do índio, em vez de se instalar em um hotel, resolveu dormir na rua? Acho que era mesmo só para ferrar com a vida dos pleiboizinhos classe média alta, cheios de tédio e preconceito e nenhuma ética ou respeito pelo próximo. E o pai de um deles ainda me vem até a tevê para dizer que seria uma injustiça colocar garotos que estudam na cadeia.

Ah, tá certo! Foi só uma traquinagem, uma brincadeirinha... e a garota nem morreu, né?

O pai do garoto só se esqueceu de uma coisa: ética, bondade, caráter, respeito ao próximo não se aprende em banco de escola, não se compra em supermercado com o rico dinheirinho da família. Ou se tem, ou não se tem. E ele deu uma péssima educação à cria dele.

Não me peçam para ter bom humor hoje. A humanidade me deixa azeda.

quarta-feira, junho 20, 2007

Vou falar (mal) de novela

Não sei se eu sou muito desligada, ou se a coisa era tão ruim mesmo que não mereceu atenção da minha parte, ou se eu só estou comentando isso aqui por absoluta falta de assunto e imaginação.

O fato é que apenas na semana passada, já quando do derradeiro suspiro de mais uma aberração da teledramaturgia global, a tal novela da Jaca é que eu notei a heresia.

Não, eu não assisti aquilo que pela propaganda já dava mostras de sua natureza odiosa: um misto de Chaves e Zorra Total, com um monte de homem marombeiro idiota metido a gostoso e um monte de manequins-modelos-semi-analfas-anoréxicas metidas a atrizes. Mas como o diabo atenta, meu controle remoto zapeou a bosta da novela por um instante, apenas para que eu pudesse notar que os personagens principais eram Arthur, Guinevère e Lancelote. E sim... e eles fazem um triângulo amoroso!!! Ah! E a vilã, adivinhem? Morgana!!! Deve ter acendido uma luzinha na cabeça do autor quando ele pensou nessa hipótese.

Nem dá para dizer como eu fiquei furiosa com isso. Para mim, lendas arthurianas são sagradas. Arthur, Guinevère, Lancelote, Morgana, Merlin, Nimue, Tristan, Galahad, Mordered... esses são meus personagens favoritos de toda a literatura mundial. Sempre que me cai uma versão qualquer nas mãos, ela é devidamente devorada. Aliás, meu sonho de consumo era ser uma sacerdotisa de Avalon. Só para fazer nascer um rabo de rato no idiota que escreveu essa novela profana.

Pois bem... a coisa toda só serviu para cutucar um bichinho que mora dentro de mim e eu domo a cada segunda e quarta-feira com a ioga: meu mau humor atávico.

Ainda bem que novela herege acabou. E melhor ainda que hoje é quarta-feira, porque só me lembrar que o Lancelote era o orangotango do Marcos Pasquim e o Arthur o retardado do Murilo Benício eu tenho ganas de jogar meu aparelho de TV no chão.

sexta-feira, junho 15, 2007

Simplesmente amor...

Ontem realizei uma vontade antiga. Comprei o DVD do filme Simplesmente Amor.

Sempre tive um xodó especial por esse filme. É um filme de amor que não é piegas, conta histórias de amor não correspondido, amor não consumado, amor entre marido e mulher, amor entre pai e filho, entre irmãos(Ok! Nunca entendi qual é a do amor fraternal que leva a Laura Linney deixar o Rodrigo Santoro de cuequinha, lindo, cheio de saúde e amor pra dar, lá, deitadinho na cama e correr para o hospício para dar carinho pro irmão piradaço).

O que o eleva à categoria de um dos meus filmes favoritos? Várias coisas. O Colin Firth é uma delas, claro! E o Hugh Grant dançando desengonçado é outra. Ele parece meu pai dançando. Deve ser algo edipiano... E esse é um dos únicos filmes que as cenas excluídas são tão boas quanto as aproveitadas.

Mas a melhor história desse filme, na minha opinião é aquela do Liam Neeson e do enteado. A mãe do menino, esposa do Liam, morre. Eles têm que descobrir um outro jeito de se relacionar sem o intermédio dela. E o mote é o amor que o garoto sente por uma coleguinha de sala de aula. O padrasto se torna o confidente e o aliado em um plano lindo e infantil para o garoto conseguir conquistar o coração da garotinha.

E eu ando me sentindo meio Liam Neeson... Meu pequeno está sofrendo de amor, o primeiro da vida dele! E me escolheu como confidente (o que quer dizer que com esse post eu estou cometendo uma inconfidência, certo? Mas é uma inconfidência por corujice... altamente perdoável!)

Um amor enorme e impossível de um garotinho de 8 anos por uma garota de 13. Sentem o drama? Meu coração anda dividido entre a ternura que eu sinto por saber que tenho um pequeno romântico dentro da minha casa e o sofrimento que eu sinto com o sofrimento dele. O mais lindo é que ele se declara, escreve cartas, trava quando a garota chega perto... E sofre por ela se interessar por meninos de quinze anos!

Tenho que assistir muito ao filme para aprender com o Liam.

Só para encerrar o assunto

Não deu mesmo! Como eu temia, A Pedra do Reino é cansativa e enrolada. Ou eu sou mesmo uma ignorante completa! Mas admito que não passei do segundo bloco.

Mesmo ontem, tentei ver o capítulo enquanto esperava um colega enrolado trazer uma pasta para uma audiência que ia fazer no dia seguinte. Não deu de novo. O triste mesmo foi descobrir que ver o House tirar uma solitária de oito metros da barriga da garota era mais atraente que o Ariano Suassuna. Tudo bem, não o Ariano, mas a adaptação de sua principal obra.

Continuo firme no livro e o melhor de tudo é que leio ouvindo a voz do Suassuna contando a história para mim. Deletei aquela voz chata do ator da Globo.

sexta-feira, junho 01, 2007

Sobre livros, filmes e etc.

Dias atrás eu contei aqui que fui assistir ao "Batismo de Sangue". Bom... tem umas duas horas que eu acabei de ler o livro.

Contei não? Ganhei de Dia das Mães!

Melhor que o filme, claro! e por vezes uma pancada na boca do estômago, principalmente nas passagens que tratam da tortura dos frades e do período que o Tito viveu na França, enlouquecendo com a lembrança da tortura e do Delegado Fleury. Posso dizer que o livro foi meio que devorado, levando-se em consideração que o meu tempo para ler se resume ao itinerário que o ônibus faz do meu trabalho para a minha casa ou quando eu pego alguma fila de banco.

E hoje eu volto para o meu Romance d'A Pedra do Reino, que foi abandonado para eu poder estudar para um concurso (obviamente, não estudei e, mais obviamente ainda, não passei! Mas minha consciência doia cada vez que eu abria um livro que não fosse a apostila do concurso).

Tenho que iniciar a leitura antes da minissérie para poder imaginar o Quaderna do meu jeitinho, sem cara de ator da Globo. Até porque o Quaderna da propaganda está a cara do Visconde de Sabugosa. Mas na verdade, quando eu estava lendo o livro (antes de me inscrever pro tal concurso), eu já imaginava o Dom Pedro Quaderna meio Don Quixote, assim, magrão, rosto fino, barba, cabelão... Visconde de Sabugosa mesmo. E o próprio Ariano, que é fã de Cervantes, classifica esse personagem como "quixotesco".

A propaganda da minissérie me desanimou um tiquinho, confesso. Tive a impressão que o Luiz Fernando Carvalho vai abusar dos elementos circenses e de teatro mambembe que, em um filme ou programa isolado cai muito bem, dá um visual bonito, mas para uma minissérie talvez a coisa fique meio cansativa. É que eu gostei tanto d'O Auto da Compadecida do Guel Arraes, tão cinematográfico que, com uns cortes aqui e outros ali, acabou virando filme mesmo. Irônico. Para a peça, linguagem de cinema. Para o romance, linguagem de teatro.

De qualquer forma, é muito bom saber que, de vez em quando, a TV aberta resolve adaptar histórias bacanas e prestigia a literatura brasileira que é tão rica.

Bom... quem lê esse blog sabe que o Ariano Suassuna é um dos meus santos padroeiros, meu escritor favorito nessa vida e minha paixão eterna. Então, mesmo que a minissérie se revele uma decepção, eu vou ficar acordada até tarde para conferir. E esse é o único livro dele que tem aqui em casa que eu não consegui terminar. Agora termino!

E depois que terminar esse, tenho o "Catch a fire" e o Bob Marley me esperando. E eu só contei isso pra matar a Isis de inveja!!!

quinta-feira, maio 31, 2007

Um show, por favor!!!

Tô me roendo de inveja...

Vou dar a lidinha básica diária no blog do Randall (www.febrealta.blogger.com.br) e ele conta que foi comprar ingresso pro show do Engenheiros do Hawaii. Abro o blog da Silvia (www.cambalhotas.blogspot.com) e lá está ela contando que foi a dois na semana passada. Mundo Livre e Ira!

Tá... não sou a maior fã do Mundo Livre, apesar do Sandro, meu amigo musical, ter tentado aplicar Mundo Livre nos meus ouvidos. Também não escuto Engenheiros desde minha adolescência. Mas... caramba! Tô com inveja mesmo! O último que eu fui na vida foi há cinco anos atrás, do Nação Zumbi, no Lapa. E só fui porque tava barato, minha mãe estava cuidando do Rafa pra mim (não tinha o Dedé ainda).

E ainda fui sem o Otto, que estava de plantão. Fui com a Gracinha e um casal de amigos dela. Duas figuraças, gente boníssima. O que minha cunhada classificaria como "aquele povo cismado". Não entendeu? Cismado... do tipo que dança sozinho, fora do ritmo, filosofa sobre a finitude do prato de macarrão que acabou de comer.

Sobre o show? Bom pra caramba!

Tirando o caso do banquinho...

Eu, sortuda que sou, consegui achar, naquela muvuca um banquinho encostado perto do bar, sem dono, sem lenço e sem documento. E achado não é roubado, meu pé já tinha sido pisoteado... o banco é meu!!!

Coloquei num lugar bacaninha que dava pra ficar assistindo o show, sentadona. Sentamos eu e Gracinha, assim, dividindo o banco. Meia bunda de cada. De vez em quando a gente trocava de lado para poder descansar o outro pé (e a outra metade da bunda que já estava anestesiada). Mas nossa alegria não durou nem cinco minutos.

Chegou um cara passando mal, como se fosse vomitar em cima da gente. A Gracinha saiu correndo, me puxando do banco e o cara... filho da puta (inteligente, mas filho da puta) que não estava passando mal coisa nenhuma (que surpresa!), sentou-se feliz da vida. No meu banquinho.

Fiquei puta, depois fiquei chateada e depois aceitei que ele foi mais esperto que eu e desencanei! Decidi que ia aproveitar o resto da noite apesar do meu pé dolorido e fiquei lá dançando do lado dos meus amigos cismados. Mas esse não era o plano da minha amiga. Não!!! Ela, muito maquiavelicamente decidiu que ia se vingar.

Pra isso, entrou na fila quilométrica do bar, comprou uma água e meia horas depois (porque foi o tempo que ela ficou na fila para aplacar sua ira) voltou até o usurpador que ainda estava refestelado no meu banquinho. Pegou um pouquinho de água com a mão em conchinha e jogou com todo ódio na cara do ser. Umas três vezes. Só para ouvir um "Menina, como tu é boazinha! Guardou lugar pra mim e agora vem me refrescar com uma aguinha! Tem a manha de ir buscar uma cervejinha ali pra mim?".

segunda-feira, maio 14, 2007

Enquanto isso, na festinha de dia das mães...

Ano passado foi o Rafael que cantou uma musiquinha do Claudinho e Buchecha e eu chorei até virar o tópico mais comentado entre as crianças do ensino fundamental.

Esse ano foi o André que, para piorar minha situação, cantou uma breganeja do Bruno e Marrone (veja lá se isso é nome de dupla sertaneja...).

Veja como é terrível minha situação na escola: além de ter fama de mãe-chorona (mico tremendo!), todo mundo lá acha que eu GOSTO desse tipo de música e, por isso, o choro emocionado. Ninguém pensa que eu posso, simplesmente, achar a minha ninhada a mais linda do mundo!

Se no ano que vem, na apresentação de dias das mães vierem com axé, eu mudo meus meninos de escola!

Mãe chorona, vá lá, mas mal gosto musical, JAMÉ!!!

segunda-feira, maio 07, 2007

Plano B

Caramba! Descobri que não tenho um plano B.

Estou de saco cheio de ser advogada, de cliente, audiência, petição, problemas alheios e o raio que o parta. Ser mãe e esposa, e só, não é uma opção até porque essas coisas não remuneradas não ajudam muito no orçamento doméstico. E eu seria insuportável se ficasse o dia todo dentro de casa só cuidando de meninos, comida, roupa e limpeza em geral.

E eu estou notando que todo mundo nessa vida tem um plano B caso as coisas desandem. Ou pelo menos uma outra habilidade, um talento oculto. Eu não tenho nenhum. Se tudo der errado, me lasco! Mas me lasco bonito mesmo! Porque não tenho nenhuma habilidade fantástica (nem uma meia-boca, diga-se de passagem) não sei desenhar ou tocar instrumento musical, sou péssima em esportes, cozinho só pro gasto, não sou manequim/modelo/atriz e dançando eu assusto todo mundo. E tenho uma preguiça enorme de tentar aprender essas coisas. Aliás, a única coisa que eu faço com maestria é ter preguiça. Se for olhar no dicionário no verbete de preguiça, você encontra


Preguiça: s.f. 1. Indolência 2. Lentidão 3. Mamífero sem dentes, arborícola 4. Juliana

Talvez um bom plano B seja trabalhar como piloto de teste de colchões, de rede, de cadeira de praia ou qualquer coisa que o valha.

Pronto! Vou começar mandar meus currículos.

sábado, abril 21, 2007

Fui ao cinema ontem!

Semana passada, lendo a coluna do Frei Betto, n'O Estado de Minas, fiquei sabendo que o filme Batismo de Sangue já estava para estrear. Eu me lembro do bafafá que rolou na época das filmagens, já que o filme foi rodado quase todo em BH mas tinha esquecido que era para agora.

Essa história do envolvimento dos Dominicanos na luta contra a repressão sempre me interessou muito. O período da ditadura foi um dos períodos negros da história brasileira, mas a situação fez surgir heroísmo de onde menos se esperava e esse, talvez seja o caso dos pacatos dominicanos. Já havia lido relatos dos frades, visto documentários, mas nunca consegui ler o livro do Frei Betto que deu origem ao filme. Tinha vontade, mas sempre havia algo para ler antes. Fui deixando.

Então, quando soube que a estréia estava próxima, sai atrás de comprar o livro para tentar lê-lo antes de ver o filme. Aquilo de deixar a mente livre para imaginar os personagens ou associá-los aos reais. Só assim, os personagens da história na minha cabeça não seriam o Caio Blat, o Angelo Antônio, o Daniel de Oliveira... Seriam Ivo, Osvaldo, Betto, Fernando, os reais, aqueles dos documentários e o Tito das fotos. Bom... o livro custa 45 pilas e na mesma livraria eu achei o Grande Sertão: Veredas por 25... preço justo que eu dei com prazer. A fradaiada ficou para outra ocasião.

Mas como meu interesse pela história não diminuiu, não resisti e fui assistir ao filme.

Meu herói sempre foi o Tito. A idéia que eu tenho dele é aquela meio idealizada, das histórias contadas pelos outros frades que, certamente, também o idealizaram. Mas, de todo jeito, um lutador, alguém que não sucumbiu às torturas físicas e psicológicas sofridas nas mãos de Fleury e corja, alguém que amava o país e tentou fazer diferença. E que amava a vida acima de todas as coisas e, talvez por isso mesmo, preferiu se matar a perdê-la. Essa era sua frase, repetida até o limite da pieguice no filme: melhor morrer do que perder a vida. Era um forte. Não entregou os companheiros, mesmo após 3 dias de torturas ininterruptas. Mas longe delas, no exílio entregou-se à saudade e à paranóia. Perdeu sua paz de espírito e sua sanidade à lembrança das torturas e de seu torturador, o Delegado Fleury.

No filme, duas coisas mexeram comigo profundamente: o Caio Blat fazendo o papel do Tito e as cenas de tortura.

O Caio Blat nunca foi um dos meus atores favoritos. Sempre o achei meio pretensioso, meio intelectualóide, meio "sou ser pensante, sou angustiado, sou complicado" (tenho uma preguiiiiiiça disso!)... Mas me rendo, ele é bom ator. E ver o Tito sair da minha imaginação e ser encarnado por alguém que entendeu a magnitude do personagem histórico que interpretava me tocou muitíssimo.

As torturas são pavorosas. E a gente ouve sempre falar que eram mesmo. Sempre alguém que viveu aqueles dias conta de um vizinho, um amigo, um parente que foi torturado, que sumiu... Mas uma coisa é saber que aconteceu e outra é ver aquilo representado com tanto realismo. Chorei de horror.Não dá para ficar impassível principalmente sabendo que não há qualquer exagero naquilo.

E por fim, a curiosidade: boa parte da história se passa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas a maioria das locações são em BH. Reconheci várias: o Colégio Santana faz as vezes de convento dos dominicanos em São Paulo, o Túnel Tancredo Neves é o Túnel Rebouças e o Frei Betto vai salvar um amigo que mora em São Paulo em um prédio onde mora uma amiga minha. São Paulo é logo ali na Cidade Jardim. Essas malandragenzinhas do Helvécio Ratton, que devem ter barateado muito o filme, não comprometem.

Saí da sala de cinema admirando ainda mais todos aqueles que lutaram pelo fim da ditatura, que não aceitaram as coisas como elas eram, que não se deixaram anestesiar, que lutaram, pagaram com a integridade física, mental ou com a vida. E se eu não encontrar o livro em um sebo, estou seriamente tentada a dar 45 reais lá na Livraria da Travessa.

sexta-feira, março 30, 2007

Midiática

(um postezinho de última hora só para tirar a minha cabeça da greve dos controladores de vôo e da grande possibilidade da minha viagem melar)




Em tempos de biguibroder o bacana mesmo é ser anônimo... e normalmente eu sou bacanérrima porque o mais perto que normalmente chego da fama e notoriedade é a minha página no Orkut, vez por outra visitada por um desconhecido ou outro.

Mas confesso que já tive meus momentos de fama também... E como sou exibida, vou contá-los par vocês.

1. Quando criança, em todas as férias, eu participava do Programa do Tio Mário, em Uberaba. O programa era como um "Domingo no Parque Triangulino", com um Silvio Santos meio jeca (e se me lembro bem, magrelo e careca). E os prêmios não eram Tênis Montreal, bicicleta, brinquedo da Estrela. Eram pasta de papelão, canetinhas, lápis de cor, régua. E o primeiro lugar ganhava uma camisetinha. Nem preciso dizer que eu nunca ganhei a camisetinha. Mas o legal é que o tio Mário premiava todos os participantes, não só os vencedores. Então eu tinha uma coleção de pasta de papelão e massinha de modelar.

2. Conta audição de piano tocando a "Marcha dos Soldadinhos de Chumbo", ou "Musette" ou "Uma, duas angolinhas?". Acho que vale... Bom, eu participei de umas três ou quatro. E meu pai até chorou de orgulho (foi orgulho sim!).

3. Falando em pai... fiz um dueto com ele em um videokê de um posto de gasolina em Ubatuba. Uma coisa, assim, meio Duets, saca? O que faz de mim a Gwyneth Paltrow. Mas não cantei Betty Davis Eyes, nem Cruisin'... Cantamos uma música do Roberto Carlos (para nós, cantores de videokê, Bob), porque se é para pagar mico, vamos pagar direito! Mas é ciúme, ciúme de você, ciúme de você, ciúme de você... Poesia pura!

4. Se contam as audições de piano e apresentações em videokê em posto de gasolina... também contam as apresentações de Jazz promovidas pela professora Chris Potiguara, no CRT de Tucuruí. Ah... rolou uma no CRA. Eu dancei a música da Marina, aquela das "bundinhas de fora". Não... minha bundinha não apareceu nessa história.

5. Já que eu resolvi contar todas as passagens de glória da minha vida... os desfiles do "curso de manequim da Marilim". Em minha defesa, alego que todas as minhas amigas faziam o tal do curso. Era meio para fazer parte da turma. E rolou até uma provinha de conclusão de curso. Nessa prova, a gente tinha que desfilar para umas juradas, trajando roupa de festa, roupa casual, biquini... Fiquei em penúltimo lugar, graças à minha elegância de pata. Não fiquei em último lugar, infelizmente, porque a Lizandra estava menstruada no dia da prova e não desfilou de biquini.

6. Cantei no show do Luiz Melodia... Éééééé! Por essa vocês não esperavam, né? É, véio, ele desceu do palco, veio até meu assento e colocou me colocou o microfone perto da minha boca para eu cantar a música que estava rolando. Um pedacinho de Estácio, eu e você. Cantei aquela parte "hoje o tempo está mais firme, abre mais meu apetite". Abalei as estruturas do Teatro Alterosa naqueles trinta segundos em que o microfone esteve perto da minha boca... não sei se é coincidência mas, desde então, o cara não apareceu mais em BH.

7. A Angela Ro Ro mandou o Otto me dar um amasso no show dela. Também no Teatro Alterosa. Ah... esse Teatro Alterosa... Não sei porque eles não me deixam mais comprar entrada para nenhum evento que rola lá.

8. E meu momento mais brilhante, o auge da minha vida profissional: eu fui advogada do Tiririca em uma audiência aqui em BH! Ainda conto essa passagem gloriosa da minha vida para vocês.

quarta-feira, março 21, 2007

Vejam o filme!

Adoro chorar em filmes românticos.

E devo acrescentar que não é um chorinho contido. Não!!! É uma enxurrada! Choro até a cara ficar vermelha e inchada, o nariz começar a escorrer e eu não conseguir mais respirar de tanto soluço. Dependendo do filme, pode ser que eu deixe uma lagrimazinha no canto do olho escorrer e só. Mas meu grande prazer é chorar até quase desmaiar. Mas não choro alto. Eu sei respeitar quem está do meu lado assistindo ao filme.

E como vocês devem imaginar, meu marido passa maus bocados com essa minha excentricidade. Imagina sair com uma mulher completamente arrasada da sala de cinema? Aliás, o Otto já está escolado. Antes de começar a crise ele muda de lugar, finge que não me conhece e fica tudo certo. Me encontra meia hora depois de terminado o filme quando, então, eu já estou composta, com a cara lavada e maquiagem retocada.

Mas por que eu estou contando isso?

É porque ontem eu chorei gostoso! Elsa & Fred.


Na verdade, não foi a enxurrada habitual, mas o filme é maravilhoso, delicado, romântico, engraçado e delicioso. Eu até já imaginava que seria tudo isso, porque tinha recebido boas indicações. Só que estava "economizando" para assisti-lo em uma ocasião especial (plantão do Otto, por exemplo, porque se rolasse choro barra pesada, ele seria poupado). Mas o filme é tão bacana que eu fiz questão de assisti-lo de novo, dessa vez com meu nego, porque esse filme é pra ver com cobertor de orelha.

E já está na minha lista de filmes românticos preferidos, logo depois de Simplesmente amor e um pouco antes de Tarde demais para esquecer.

Eu gosto de filmes românticos porque eu sempre me transporto para eles e me torno a personagem principal. Eu já fui a Audrey Hepburn várias vezes. Perdi a conta de quantas Megs Ryans eu fui. Deborah Kerr, algumas ocasiões. Há muitos anos atrás fui a Molly Ringwald (filminho romântico dos anos 80 também contam). Bridget Jones por duas vezes, Celine, Amelie Poulain (essa eu fui por vários meses)... todas tão lindas e tão românticas... mas, agora eu quero ser uma velhinha embusteira de 82 anos. Mentirosa, alegre, passional, atrevida, charmosa. Eu quero ser a Elsa. E fazer do meu meu nego o Alfredo mais feliz do mundo.

segunda-feira, março 12, 2007

Uma imagem vale mais que mil palavras



Eu sei que não se cutuca onça com vara curta. Mas resistir como?


Isis,

Essa é para encerrar a discussão e provar meu ponto de vista: não há nada de incoerente em gostar do Messias de Jah e capetão do Mick Jagger. Eles convivem em harmonia, seja no meu walkman, seja na minha estante de cds, seja nessa foto postada especialmente para você. Diariamente, eu ouço Positive Vibration seguida por Sympathy for the devil. É quase uma prece.

Deus e o Diabo, de vez em quando, filosofam (e dão um peguinha também... é só olhar para a cara de feliz do trio aí em cima para saber o que eles estavam fazendo antes da foto).

Ainda que isso não encerre nossas discussões futuras sobre o assunto (e nem é isso que eu quero), que fique registrado que em toda e qualquer pendenga Marley-Stones eu, desde já, me declaro vencedora. Uhuuuuu!!!

domingo, março 04, 2007

Medo, pero no mucho

Quero explicar que o último post foi escrito em um momento em que eu estava extremamente sensível e que, normalmente, aquela lá que escreveu não sou eu. Escrevi uma coisinha que estava na minha cabeça. Depois de escrever, fiquei levinha. Foi bom! Mas gerou um comentário preocupado da Isis e um telefonema ainda mais preocupado da minha mãe (pelo menos, a Camila, minha cunhada, gostou do que eu escrevi. Me deu até parabéns por eu estar triste!).

Pois bem. Aquela não sou eu! Na verdade, sou eu, mas não em meu estado normal de temperatura e pressão. Foi só um sentimentozinho extremo, um exagerozinho, uma auto-piedade momentânea, algo muito sagitariano da minha parte. Já estou eu. O medo de noite ainda existe, mas fora ter muito sono de manhã, está perfeitamente sob controle. Já voltei para a ioga e, brevemente, vou escrever que isso também acabou.

Esse post que resvalou o piegas quase foi devidamente deletado. Pensei seriamente nisso. Quem leu, leu. Quem não leu, não vai ter mais a oportunidade de me ver insegura. Uma amiga minha, Simone, ontem falou: - Deleta mesmo! Tá muito deprê!

Bom, Simone, decidi não deletar. Ele fica. Mas com o registro de que aquele "passamento" já foi superado.

A parte boa é que, se a gente não é bem humorada e alegrinha 24 horas por dia, 7 dias por semana, ninguém nunca - nunca mesmo! - vai nos confundir com a Ivete Sangalo. Nem com um Teletubie.

quinta-feira, março 01, 2007

Medo, medo, medo

Nunca pensei em vir falar aqui dessa coisa doida que vem acontecendo comigo em algumas noites, mas é meu assunto recorrente ultimamente... então, vira post também. Relutei em falar sobre medo. Não é um assunto confortável. Medo é uma coisa que deixa a gente vulnerável, aberta a ataques. Mas lendo um post da Isadora (http://www.a-prateleira.blogspot.com), me pus a pensar sobre "o" medo, o que vem bem a calhar, já que eu ando tendo crises de medo horríveis durante a noite, dessas de acordar de repente sem conseguir respirar.

Esse medo noturno começou há cerca de um mês, acontece durante a madrugada, dura uns minutos ou horas a fio e eu não sei o motivo, o que deu o start na minha mente louquinha. O que eu sei é que ando me sentindo a doidinha do hospício. Porque não é um medo específico. Não é algo que eu possa definir, do tipo "tem alguma coisa babando embaixo da minha cama", ou medo de barata ou do Charles Bronson ou de assombração ou de morrer de bala perdida. Aliás, durante a crise é impossível até falar. É uma coisa realmente estranhíssima: é medo de tudo, do dia seguinte, da noite em curso, de não conseguir mais respirar... algo realmente apavorante.

Bom... mas não se preocupem que eu estou procurando uma solução pra coisa toda.

Como o que o que eu tenho feito o tempo todo é refletir sobre o tema, vou falar do meu maior medo: passar em branco pela vida. Viver uma vidinha burocrática, não marcar a vida de ninguém, não ter ninguém que um dia diga “você me faz falta”, “quero você aqui agora”, “lembrei de você quando vi isso”. Ou, depois que o Otto ficar viúvo (porque seria de extremo mau gosto ele morrer antes de mim e eu ficar viúva!) ter alguém para citar uma frase minha, contar uma história que eu vivi... Eu quero que meus tataranetos ouçam de meus bisnetos (porque eu terei bisnetos, ok?) “Essa história foi a Bisa Ju que contou”. Quero ser uma das referências que meus filhos terão na vida deles. Ser alguém para dividir a vida.

Ambiciosa, não? Mas nem tanto... Não sou de “fazer amigos e influenciar pessoas”. Meu círculo de relacionamentos é do tamanho de uma bolinha de gude. Mas a bolinha é de ouro. Nunca sonhei alcançar grandes públicos. Nunca sonhei nem mesmo com platéias intimistas. Aliás, não quero nem público. Quero é participar. Quero é viver, olhar, sentir, tocar, respirar, chorar, rir. Mas rir as minhas risadas e rir com gente que se lembrará delas. Chorar as minhas dores com as pessoas que se importem com elas. Porque o pior da vida é ver a vida passar e a gente não estava nela para saber como foi.

A calhar os versos do poetinha:

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cairPra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Música nos meus ouvidos

O Otto comprou um MP3 player para ele. Mas sou tão abusada que até coloquei umas musiquinhas que eu gosto lá. E mais abusada ainda, sou eu que uso o aparelhinho durante a semana, já que ele só tem tempo para curtir essas coisas depois que chega em casa. E ele anda de carro, tem o rádio... Então, eu pego meu busão em boa companhia todos os dias. E nos meus ouvidos cantam, dentre outros ilustres, Aretha Franklin, Wilson Pickett, David Bowie (em homenagem à Silvia.... Ch-ch-ch-ch-changes!), The Clash (contribuição do meu marido roqueiro, dono e proprietário do aparelho), meu amor eterno Elton John, Janis Joplin (é claro!!!), The Cure (não poderia faltar) e Mr. Nesta Marley, porque eu não vivo um dia sequer sem louvar Jah. Como dá para perceber, o Otto tem a propriedade, mas eu tenho a posse!

E isso de ouvir musiquinha o dia todo o dia todo vicia, viu! E me deixa bem humorada o dia todo.

Mas tem seus contras também...

Primeiro contra: nada de air guitar no meio da rua. No meu caso nada de air drums (ou quando a música é do Elton John, nada de air piano). Às vezes que eu batuquei no ar as pessoas olharam tão esquisito...

Segundo: fazer backing vocal nas músicas da Aretha Franklin e do Bob Marley. Não posso mais ser uma das I-Trees. Simplesmente lamentável!

Terceiro e o pior de tudo: não se pode dançar Don't go break my heart igual ao peixinho do filme do Galinho Chicken Little. Isso, para mim, era quase uma religião, apesar de meu filho mais velho sempre fechar as cortinas de casa quando isso se se sucede.

Na verdade, eu até poderia fazer essas coisas... mas cantar sozinha e desafinadamente só fica bem quando a cantora é a Julia Roberts. E mesmo ela precisa estar dentro de uma banheira de espumas. Dentro de um ônibus cheio em pleno meio-dia, até Julia Roberts perderia o glamour. Dançar na rua, então, sem chance! Dizem que a minha dança atenta contra o senso estético do mundo. Meu pai diria que eu danço muito bem e o mundo é que não me entende, mas a opinião dele não conta. Ele é meu pai. E ele dança igual a mim.

E toda vez que eu danço na presença de pessoas de fora da família o Otto me ameaça com o divórcio. Imagina se isso acontecer na rua. Ele pode não querer mais me emprestar o mp3.

sábado, fevereiro 10, 2007

O molequinho da novela

É... fui teimosa.. Tentei enfrentar meus preconceitos. Além de reforçá-los, confirmei minha teoria: novela não presta mesmo! Nem como última opção de divertimento. Não tem nada para fazer? Vá dormir! Está sem sono? Vai tomar leite quente, contar carneirinho, passar trote em alguém, tirar meleca do nariz. Qualquer coisa! Mas não assista novela. Principalmente novela das 8 do Manoel Carlos. Passei uma hora de raiva com aqueles diálogos filosóficos metidos a vida real (por favor, quem conversa daquele jeito?), aquele monte de gente boazinha junta, a Regina Duarte com aquela cara de bunda que Deus lhe deu (meu pai diz que ela tem a mesma expressão "inteligente" do King Kong) e no final do capítulo, descobri que tomei um chifre há uns 11 anos, bem na época do meu noivado.

Sabe o molequinho que toca viola cantando "Neeesses véééérrrsos tão singééééélos, minha bela meu, amôôôôôrrrrr", aquele mesmo que fez o "2 filhos de francisco"? Ele é filho do Otto. Tenho certeza disso! Tenho certeza absoluta. Nem o Otto pôde explicar a semelhança. Ele nega, é claro, mas acha o garoto parecido. (Isis e Mari, vocês conhecem o Otto. O moleque é ou não é a cara dele?)

Então, reafirmando meus desgostos nessa vida (e não vou mais lutar contra eles). Pode me chamar de preconceituosa, Gigi! Não ligo: eu não gosto de música sertaneja, nem de funk, nem de axé, nem de pagode, nem de Paulo Coelho! E não assisto novela!

E agora é que eu não assisto "2 filhos de francisco" mesmo. Podem falar que esse filme é fantástico, lição de vida, o escambau.. Não quero mais ver aquele molequinho. Não sei se gosto de ver uma versão sertaneja do Otto. Dá gastura!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Clouseau é meu!!!!







Eu amo as Lojas Americanas. Principalmente aquela parte onde ficam os CDs e DVDs. Lá eu comprei todos os discos antigos do Chico, os da Legião, o meu Tropicália, vários da Elis... tudo a R$ 9,99. Época boa. Andei dando uma bela adubada na minha estante de CDs. Aí, passou um tempo sem nada que valesse a pena. Até que...

Toda a coleção da Pantera Cor-de-Rosa a R$ 19,99.

Ou seja, com menos de R$ 100,00 eu tenho em casa "Um tiro no Escuro", "A Pantera Cor-de-Rosa", "A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa", "A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa" e "A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa". Agora posso ver o Peter Sellers todos os dias. O Clouseau é meu! Bem... na verdade, o Clouseau é da família Bruno Favacho, mas não importa. Não preciso mais tentar convencer o Ronaldo, dono da minha locadora favorita, comprar esses filmes. Ou ir até a locadora do Gutierrez para poder locar um filme dele. Agora, o Clouseau vive na minha estante, tendo como vizinhos Harry Potter, João Grilo e Chicó e o Johnny Favorite e o Diabão de Niro, de Coração Satânico.

Se a minha estante de DVDs ainda não chega nem aos pés do que eu gostaria (falta Star Wars e The Commitments, por exemplo), hoje ela está muito mais alegrinha com esses novos e ilustres moradores: Clouseau, Kato e Dreyfus. Todos os outros habitantes dela (Shrek e Fiona, Freddy Mercury e Brian May, Frankenstein e Elizabeth, Didi e Dedé - para citar só os casais) já elegeram o Dreyfus como síndico. Mas é só até Lord Vader se mudar para cá.

E o melhor foi o Rafa perguntar: "mãe, vamos assistir ao Bala Perdida?" ( referindo-se a "Um tiro no escuro"). Definitivamente, passou da hora de aplicar Clouseau nos meus meninos.

sábado, fevereiro 03, 2007

Mamãe e Papai

O Otto adora. Mas eu simplesmente não entendo essa moda disseminada nas ante-salas dos consultórios de pediatra e das escolas infantis: chamar os pais dos pacientes/alunos de papai e mamãe e ignorar peremptoriamente que as pessoas possuem um nome.

A Denise, que tem filhos, deve saber do que eu estou falando. A gente vai no consultório do pediatra e a secretária pergunta: qual é a idade do Rafael, mamãe? Na porta da escolinha, a loirinha bonitinha de 19 anos que fica lá recebendo as crianças, assim que a gente chega diz: bom dia, Mamãe! Bom dia, Papai!

Entenderam por que o Otto adora? Imagina um loirinha bonitinha chamando o cara de papai. Acho que remete àqueles filmes pornôs em que a moça, vestida de colegial, fica gemendo "Daddy, oh, daddy! Yes, yes, yeeeeees!!!".

Eu já acho essa mania uma falta de educação e uma preguiça sem fim. Até porque se um moço loirinho gostosinho me chamar de mamãe, eu certamente ficarei deprimida a ponto de cortar meus pulsos.

E para agravar, já era hora do pessoal da escola saber meu nome. Meus filhos estudam lá há 2 anos, eu levo o Rafa às aulas de tae-kwon-do toda semana, vou a todas as festinhas e reuniões que eles promovem... E devem até saber mesmo, mas insistem em ficar nessa de me chamar de mamãe. Grrrrrrrr!!!!! E o caso é mais sério. Não apenas é a loirinha gostosinha me chama de mamãe (e ao Otto de papai, oh! papai! fuck me!), mas também a diretora, a dona da escola, que deve ter uns 60 anos (não é tão atraente assim, né?), a cantineira e as professoras.

Agora, para me matar de catapora de uma vez por todas, a garota que trabalhava na locadora do meu bairro e me conhece por nome, sobrenome, filiação e número de sócio (eu sou a melhor cliente da locadora, lembram-se?) foi trabalhar lá na secretaria da escola. E quando fui buscar os meninos outro dia, mandou um:

- Até amanhã, mãe Juliana!

Aí é meio demais! Ficou parecendo que eu sou a Mãe Juliana de Oxumaré! Tive que manifestar a minha indignação antes que a moda pegasse e começassem a chamar o Otto de Pai Otto! Que tipo de nome é esse? Pai-de-santo alemão?

sábado, janeiro 27, 2007

O irmão do pré pré

O bacana de ter filhos é o tanto de humor da mais alta qualidade que a nossa vida recebe. Acho que eu passei a rir três vezes mais depois de ter os meninos do que eu ria antes.

Ontem foi o Dedé a minha fonte de risadas.

Antes de contar o casinho de mãe coruja propriamente dito, tenho que explicar que aqui em casa, as tarefas chatas foram divididas irmamente entre eu e o Otto. Então, conferir se os dentes estão limpos é atribuição do pai, até por força de sua profissão. Cortar unhas também é com ele. Comigo ficou limpar cocô e lavar os pintos na hora do banho. Hoje em dia eu só exerço essas atribuições com o Dedé, que ainda não consegue tomar banho sozinho.

Se conseguir colocar a criança no banho já é uma dificuldade, lavar o pinto, então, é simplesmente uma tortura. Para mim e para ele. Todo dia, na hora que se fala em banho, ele já começa a negociar a lavagem desse pinto. E a hora de lavar, propriamente dita, é um drama. "De novo, não!!!!", "Socorro!!!", "Eu vou morrer!" são algumas das frases mais usadas nessa hora tão sofrida da existência da criança. Eu perguntei já até perguntei se dói, se machuca e a resposta foi, simplesmente: NÃO!

Ontem, não foi diferente. Depois de xingar, espernear, brigar, tentar correr, consegui lavar o pinto da criança. Passado o momento de crise, já estava enxugando o Dedé quando ele perguntou:

Dedé: Mamãe, quem me montou?

Mãe do Dedé: Oi, Dedé?

Dedé: Quem me montou? Quem colocou em mim meus braços e pernas e cabeça e cabelo?

Mãe do Dedé, espantada pelo inusitado da pergunta: Fomos eu e seu pai.

Dedé: Então, por que vocês colocaram pinto em mim? Se não tivessem colocado, não ia ter que lavar todo dia!

Mãe do Dedé, completamente zonza pelo rumo que a conversa tomou e segurando o riso: Para você fazer xixi, ora!!!

Juro que eu jamais imaginei ter um diálogo desses com um filho. Sempre me preparei para a hora de falar sobre sexo, sobre drogas, sobre as notas vermelhas do boletim... mas não sobre quem o montou! Por sorte, a criança só tem três anos e eu não tive que discorrer sobre as várias funções que esse pedacinho dele vai exercer no futuro, além do xixi, é claro!