terça-feira, agosto 13, 2013

Conto doméstico

- Mãe, cadê a blusa azul do uniforme?

Essa é minha filha que me solicita. Todo dia é a mesma história: ela usou a blusa azul durante o dia anterior todo e não colocou para lavar. Eu lhe dou outra blusa, a branca e azul, que também é parte do uniforme. Mas essa ela não quer. Não é maneira. Ela quer a azul, a maneira, que está embolada em algum canto daquele muquifo fedido que ela chama de quarto.

- Mãezinha, o café ainda não está pronto? Assim você me atrasa.

Esse é o meu marido que me solicita. Todo dia é a mesma história: será que ele não entende que em não desenvolvi o superpoder de ebulir a água do café em três segundos, que é o tempo que me sobra depois de eu organizar o banho dele, colocar pasta na escova de dente dele, acender o cigarro dele (e eu nem fumo, hein?) arrumar a roupa de trabalho dele (terno cinza/ gravata chumbo/ camisa branca/ cinto e sapato preto ou terno azul/gravata vermelha/camisa azul claro/cinto e sapato preto ou qualquer outra dessas combinações elaboradas por ele que só servem para me deixar mais ocupada pela manhã).

Aos dois questionamentos – o dela e o dele – dou como resposta meu sorriso mais paciente, ensaiado um milhão de vezes na frente do espelho para evitar um palavrão, um grito ou uma crise de choro.

Termino de arrumar o café dele, a roupa dela, dou meus abraços e beijos matinais de bom dia. Bom dia! Bom dia! E eu eles se vão. E eu fico. Todo dia é a mesma história.

E eu fiquei. Como sempre. Eu nunca saio. A não ser para ir à feira, ao banco, ao supermercado. Nem estou reclamando, entenda. O tempo é realmente curto. E eu nunca reclamo de nada. Ele trabalha muito. Ela estuda muito. Eu que fico em casa, tenho mais é que fazer essas coisas, né?

Desde que ela nasceu sempre foi assim.

Houve um tempo que éramos eu e ele. E ele não me chamava de mãezinha. Para ele, eu era princesa. E ele me levava a lugares. E não falava que eu estava engordando. E não reclamava quando eu gastava um dinheirinho no salão. E notava meu vestido novo. E ria das minhas piadas. E não ria do fato de eu ter todos os discos do Sidney Magal.

Depois, em outra época, quando ela nasceu, éramos eu e ela. E eu gostei deste tempo. Ela me chamava de mamãe. E achava graça nas minhas graças. E confiava em mim. E não ria do fato de eu ter todos os discos do Sidney Magal.

Eu gostei desses dois tempos. Os dois se parecem. Quando erámos eu e ele, eu me encantava descobrindo seus pensamentos, gostos e manias. E eu era sua princesa e ele me levava a lugares.

Aí ela nasceu. Ele começou a me chamar de mãezinha e voltar tarde do escritório. Dizia que me chamava de mãezinha para a neném aprender a me chamar assim. Dizia que chegava tarde do trabalho porque tinha que ganhar mais dinheiro para sustentar nossa filha.

Mas ela era minha. Tão parecida com ele Meu encanto então era descobrir nelas os gestos, olhares, o jeito de sorrir. Tudo tão parecido com ele. Olhar para ela era como descobri-lo de novo. E ela era minha, tão linda, tão perfeita. E eu era tão importante na vida dela. E eu era sua heroína.

E então, um dia, não sei bem quando, eles pararam de olhar pra mim e se encontraram. E se reconheceram. Ela, uma miniatura dele. Ele, o vislumbre do adulto que ela seria. Encantaram-se um pelo outro daquele jeito que a pessoa se encanta por uma imagem de si mesmo em seu melhor dia, refletida num espelho bem generoso.

Nesse dia, eles se foram e eu fiquei.

Pensando bem, eles nem se foram mesmo. Eu é que nunca posso sair de casa. Tanta coisa para fazer. É tanta coisa que mesmo quando eles estão em casa, eu não estou com eles. Eles ficam na sala, conversando sobre as coisas ou assistindo a um programa e eu estou arrumando as coisas sempre. É muita coisa mesmo. Não me entenda mal, eu não estou reclamando. Eu não reclamo nunca. Não é como se eles não soubessem que eu existo; eles sabem que eu existo. Eu sou a pessoa que sabe onde estão as coisas na casa. Eu sou a pessoa que faz a comida e desenrola a burocracia doméstica. Sou eu quem acha o caderno perdido dela. Sou eu quem encontra a carteira e o celular dele dois segundos antes de ele estar irremediavelmente atrasado para a reunião de trabalho.

E também sou eu quem está sempre com o cabelo desarrumado porque não tem tempo de ir ao salão para cortar e pintar. Também, né? No dia que eu pintei de outra cor ele perguntou: ‘que bicho é esse no seu cabelo, mãezinha?’. Aí eu parei de pintar, né? E também porque passar tinta de cabelo no salão tá pela hora da morte. Dá para fazer sacolão duas vezes na semana com esse dinheiro. E também, né? Fazer a filha pagar mico? Quando eu pintei o cabelo ela disse que não era para eu ir busca-la na escola para ela não pagar mico. Então melhor deixar essa história de pintar cabelo, né?

Ah! E eles adoram falar: ‘isso é coisa da boba da mãezinha’. Assim, de forma carinhosa. Qualquer coisa eles dizem que ‘isso é coisa da boba da mãezinha’

Não foi sempre assim. Eles antes gostavam de me agradar. Quando ela era pequenininha, ela fazia desenhos para mim. Escrevia bilhetinhos dizendo: ‘mamãe, eu te amo’ E ele então? Era louco por mim. Até me levou uma vez num show do Sidney Magal. Eu contei pra você? Foi lindo, foi mágico. Dançamos. Rimos. Ele me levou no camarim e eu pude falar com o Magal em pessoa. Juro. O Magal perguntou até meu nome, acredita? Eu falei: “Helena” e o Magal falou: “nome de mulher bonita”. Ah, pra que! Ele ficou com ciúme do Magal. Voltou pra casa de cara fechada. Mas quando chegamos em casa, eu enchi ele de beijo e ele deixou pra lá essa bobagem de ciúme. Mas nunca mais me levou no show do Magal.

Ah! Falando em Magal, hoje eu estava tão feliz... eu tinha lido uma notícia sobre o Magal no jornal. Eu ia até contar para eles. Fiquei tão feliz que coloquei o CD do Magal para tocar.

Eu estava ouvindo o CD do Magal quando eles chegaram. Eu estava ouvindo Sandra Rosa Madalena. Eles chegaram juntos; ela da escola, ele do trabalho. Eu estava colocando o jantar na mesa e ouvindo Sandra Rosa Madalena. Eu estava até dançando um pouquinho. Eu fiz carne assada que ele ama e purê de batata que ela adora. Arroz e feijão e uma salada de alface e tomate para acompanhar. Um capricho, precisa ver. Queria agradar. Eu estava feliz demais. Eu estava cortando a carne e ela falou. “Ai, mãe, esse homem brega de novo?” E ele falou: “deixa dessa bobagem, mãezinha”.

Foi aí que eu não consegui me controlar. Cortei a garganta dos dois com a faca de carne.

Mas deixa eu te perguntar uma coisa: é verdade que o Magal vai fazer mesmo um show na penitenciária feminina? Olha só a notícia aqui. Eu trouxe até o recorte do jornal: ‘Sidney Magal fará show na Penitenciária Industrial Estevão Pinto’. É verdade, seu delegado?

quarta-feira, setembro 26, 2012

Historinha de amor sem título

Parece que existem duas em mim. Uma mineira, belorizontina, de all star, fala lenta, que observa a vida acontecendo, que proseia, que fica horas na mesa do bar, que pensa com calma. E aí apareceu essa outra: de salto alto (logo eu...), paulista, paulistana, que conhece recantos que só os nativos conhecem, que toma cafezinho em pé no balcão porque o tempo é curto, que não joga conversa fora porque não tem com quem jogar, que anda rápido e fala mais rápido ainda. Não tenho tempo a perder. Mas a verdade é que não são duas eus. É uma só. Eu sou uma só. A mineira que gosta de interagir com essa cidade enorme que está sempre te escorraçando. Porque São Paulo está sempre te mandando embora. Go home! São Paulo manda até os paulistanos embora se isso for melhorar essa densidade demográfica absurda. Mas a gente fica. A gente fica. E a gente fica. Nativos e forasteiros De teima. Por necessidade. Porque o trabalho está aqui. Porque a família está aqui. Porque descobriu um amor, ainda que seja uma paixão complicada e que vá te fazer sofrer, amor é amor e ao amor não se vira as costas. Não é uma Síndrome de Estolcomo. Eu vim porque quis e continuei porque quis também. Mas é como um namorado ciumento que, de vez em quando, você pensa em deixar. E agora essa sou eu, uma mineira mimetizada de paulistana. Uma borboleta que pousou no tronco e ficou parecendo tronco. Mas não virei o tronco; ainda sou a borboleta. Eu engano os olhos dos outros, eu pareço daqui e, se eu quiser, eu disfarço bem meu sotaque. Mas não. Prefiro deixá-lo lá, só um tiquim escondido, mas com uma pontinha aparecendo. Porque eu sou forasteira, penso como forasteira e por isso mesmo valorizo mais o fato de estar aqui. Vejo com os olhos de forasteira e por isso o encantamento que eu sinto é genuíno. Amo com o coração de forasteira e meu amor é verdadeiro e forte. Eu sou de lá, mas aqui é o meu lugar.

terça-feira, abril 26, 2011

Tsc, tsc, tsc... relapsa! Blog abandonado pela ingrata de sua dona. E agora que ela precisa, lá está ele de braços e páginas abertas para recebê-la...

Muito provavelmente, como os momentos de necessidade serão muitos daqui pra frente, apelarei muitíssimo pra essa página em branco que sempre me recebeu tão carinhosamente em vários momentos nesses últimos anos.

Senti saudade, blog! Tentarei ser menos descuidada com você. Não prometo, porque você sabe como eu sou... Aliás, você sabe muito bem como eu sou.

Ah! Falando em saudade... se eu fosse escolher o sentimento dessa minha existência, esse sentimento certamente seria saudade. Mais bacana seria falar amor, não é? Mas não existe saudade sem amor. Ou a gente sente saudade do que não gosta?

Foi a saudade, essa velha conhecida, que me trouxe aqui, no meio da madrugada. A saudade que hoje me tirou da cama, me levou pra sala, me fez chorar por horas e agora me trouxe para o computador para falar sobre ela. Saudade essa que eu ainda nem estou sentindo. Mas sentirei, ah, como sentirei! Muito brevemente.

Para vocês me entenderem, tenho que contar há quanto tempo eu e saudade andamos juntas. Somos tão íntimas que senti-la não me assusta mais.

Minha primeira saudade veio junto com minha primeira mudança. Saí de Santo Anastácio, lugar onde eu tinha passado toda minha vida, de então 11 anos apenas, ficando pra trás um tiquinho da minha família e amigos de toda vida. Mas a saudade enorme, a que doeu mais, foi da Rê, minha melhor amiga de infância. Foi o primeiro pedaço de coração que eu deixei pra trás.

Aos 14 eu descobri o que era saudade de amor. Primeiro namorado, primeira separação e primeiro namoro a distância (não o último, rá! Porque comigo é assim!). Aquele aeroportozinho de Tucuruí... Doloroso e intenso como todo amor de adolescente deve ser. Cruel como toda saudade de namorado é. Conta telefônica interminável. Pai irado com a conta telefônica. Foi lindo e terrível. Prometi pra mim mesma que não passaria mais por isso.

Mas aí, vem esse nego e mexe com todas as minhas convicções. Segundo namoro a distância. Porque eu não aprendo. Porque eu pago língua. No início, era uma saudade gostosinha, já que era um namoro de fim de semana. Aquela saudade era só pra dar o temperinho certo ao final de semana que, normalmente, era de tirar o fôlego... até que veio a separação enorme! Ele no Pará e eu em Minas, dois duros anos. Comunicação difícil (vivíamos em uma época sem internet), distância impraticável. Foi a primeira saudade desesperada que eu senti.

Anos de namoro a distância. Aí ele já estava lá em São Paulo. Muito ônibus da Impala (a Cometa tinha baratas!), muitas despedidas em rodoviárias, muito choro, cartas, cartas, telefonemas, reencontros, despedidas... A Bresser era para mim a porta do paraíso e do inferno ao mesmo tempo. Dramático, romântico, intenso, como o maior amor da vida deve ser.

E aí ele veio pra perto de mim e eu decidi que, agora sim, nunca mais sentiria saudade.

E a vida, pra dar aquela liçãozinha me fez descobrir, há três anos a saudade irremediável. Que não tem telefone, e-mail, avião ou ônibus que dê jeito. Aquela que vem súbita e inexplicável é avassaladora. A morte do meu pai me fez descobrir isso. E me fez descobrir mais: a gente não decide quando a vida da gente vai virar. E a gente não renega a saudade nunca. Porque a saudade é companheira.

Pois bem. A vida de novo me prepara para a saudade. Saudade dos meus filhotes, do meu nego (mas a gente sabe viver com saudade e transformar isso em romance), da minha mãe, dos meus sobrinhos, dos meus irmãos. Dos amigos que eu vou deixar em BH.

E de uma vida linda, vivida em um lugar muito especial que será para mim sempre o lugar onde enterrei meu umbigo.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

2011

Sem planos, só anseios:

Saúde, sanidade, paz e amor. E se não for pedir muito 'um trocado pra dar garantia'.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Sobre meus meninos e o show no telhado

Sinceramente... não sei porque esse auê todo por causa do show do Paul McCartney. Nem acho que ele é isso tudo. Na verdade, nem nunca foi tanto assim. Mick não gostava dele. Keith não gostava dele. Me lembro porque eles sempre me diziam isso. Na verdade eles não gostavam do John também. Tinham uma certa simpatia pelo Ringo. Na verdade, eu os apresentei. Ringo é um cara legal.

Fui a um show do McCartney quando ele ainda tocava na banda. Isso foi em 1969. Naquela época, eu era uma artista de vanguarda, com pouco dinheiro e talento duvidoso. Mas era bem gostosinha. Eu vivia em Londres e tinha como amigos mais próximos Mick e Keith. Era um pouco mais velha e experiente que eles. Ensinei muita coisa para eles. Éramos um trio. Eu morava em um sotão no centro de Londres. Era meu cafofo. Eu dizia que era ateliê. Pensando bem, tirando a moldagem dos pênis dos dois e uma escultura de minha gata Angel, eu não produzi muita coisa. Mas estou me perdendo aqui... Bom... onde eu estava mesmo. Ah! Mick e Keith. Eles sempre estavam comigo. Vivemos loucuras. Os três. Ora com um, ora com outro. Ora os dois sem mim. De vez em quanto, tudo junto e misturado. Não me lembro de todas nossas loucuras. Ninguém daquela época se lembra de todas as loucuras que fez. Na verdade, eu usei tantas substâncias naquela vida que eu tenho bad trips em minha atual existência careta.

Bom... mas voltemos ao show da banda do McCartney. Eu era amiga do Ringo. Já contei isso? Cara legal, entrou naquela banda de gaiato, mas sabia aproveitar o que a vida tinha lhe oferecido. Ringo convidou, eu fui. Um lance no telhado da gravadora. Achei bacana o show ser no telhado. Curto telhados. Fui. Levei minha gata Angel. Ela também curte telhados.

Fui também pelas drogas e pela birita. Ringo me pediu pra não levar meus meninos (era assim que eu chamava Keith e Mick), porque poderiam causar problemas. Não contei pros meninos que eu ia. Foi um bom show. Também não me lembro direito, já que rolou mesmo muita birita e drogas naquele dia. Mas me lembro que pensei: 'acho que esses rapazes são mesmo melhores que meus meninos, como andam dizendo por aí'. Dias depois, usei esse argumento em uma briga com o Mick. Ele jogou uma garrafa de wisky na minha cara e eu fiquei sem dois dentes na frente. Fiquei banguela. Eu era chamada de 'a groupie banguela'. Injustiça. Eu não era groupie. Eles é que vinham ao meu cafofo. Eu não viajava atrás eles. A gente viajava junto.

Voltando ao show. Foi bom. Até mais que isso. Foi um show muito bom. Excelente mesmo. Mas não me lembro direito. Já disse que não me lembro direito? Saí de lá com George. Acho que o levei pro meu cafofo. E acho que Keith estava lá. Acho que rolou briga. Ou uma confraternização. Não sei. Nunca me lembro bem das coisas daquela época. Dizem que isso é normal depois que a gente morre.

Um ano depois, ainda sem os dentes da frente, eu morri. Disso eu lembro. Foi em 1970. Meus meninos estavam em turnê. Só me encontraram vários dias depois. Minha gata Angel já tinha comido minha orelha esquerda. Meus meninos fizeram um belo funeral para mim. Foi realmente muito lindo. Teve música, birita, substâncias. Teve gente que transou lá mesmo, no funeral, perto do meu caixão. Eu pedi para alguns amigos fazerem isso. Ato de última vontade. Era o que eu queria: amor, confraternização e loucura. E caixão fechado, porque eu não estava muito bonita de ver.

Pois bem. Nessa encarnação, eu não fui em um show sequer dos meus meninos. Falta de oportunidade, eu acho. E uma coisinha também contribuiu para esse desencontro. Também não fui em show do Paul McCartney. Porque meus meninos não gostavam dele.

Procurei meus meninos nessa vida. Já falei isso? Não? Pois é. Procurei. Lembram do último show deles aqui no Brasil? Eu ia naquele show. Cheguei ao Rio, comprei ingresso e tudo o mais. Só que resolvi procurar por Mick e Keith antes do show. Foi difícil, burlei segurança e tudo o mais. Bom... Mick não acreditou em mim, ficou irado, me processou e hoje eu há uma ordem restritiva contra mim. Não posso me aproximar dele. O mínimo é 5 km. Não posso nem mesmo comprar um ingresso de show dele. É por isso que eu nunca fui em um show deles. Keith, cujo coração sempre foi mais puro, acreditou em mim. Mas também lembrou de meu lance com o George e ficou meio ressabiado. Hoje, a gente troca uns e-mails mas coisas não são mais como antigamente...

O texto acima foi produzido durante a chamada "Operação Marajó", o regime hipocalórico que eu estou sofrendo para poder não fazer (muito) feio nas minhas férias. Creditem os delírios à fome que eu tenho passado. Ou acreditem em tudo. Não me lembro mesmo direito das coisas. Já disse isso? Ah! E eu gosto do Paul McCartney. Nessa encarnação. Apesar de ainda preferir o George. Uh!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Hoje meu nego faz 41 anos!

Cada vez mais lindo, mais cheiroso, mais interessante, mais bacana. Versão 4.1. Uma loucura!

Te amo!

quinta-feira, novembro 04, 2010

Novidades

O ponto alto do meu ano foi essa passagem de outubro pra novembro!

Nesse feriado encontrei pessoas que eu amo muito e fazem parte da minha vida há mais de vinte anos. Alguma eu não via há 20 anos!!! Quero todos perto de mim sempre!

Dia primeiro nasceu José Roberto Fortunato Bruno! Filho do Lysso e da Camila, meu pretinho básico e mais um flamenguista pro clã dos Brunos (titia já providenciou o uniforme). Queria muito que meu pai saisse lá da nuvenzinha pra ver seu neto xará!

Meu coração é só amor, saudade e vontade de ficar junto dos meus!

segunda-feira, outubro 18, 2010

Decidido: de hoje em diante não ouço mais música que eu não ame!

Quando eu digo amar, é amar mesmo! Porque música que eu não gosto eu já não ouço mesmo. No meu mundo não existe pagode, axé, funk, sertaneja, sejam elas as versões universitárias ou Mobral da coisa.

Mas minha atual decisão é muito mais abrangente.

Daqui pra frente eu não ouço Djavan, Clube da Esquina, Paulinho Pedra Azul ou Moska, Ana Carolina, Lenine, Baleiro, Chico César, Nando Reis, rock barango dos anos 80 ou qualquer outra dessas coisas que antes, às vezes, eu suportava por amizade, para não caçar confusão, porque estava no elevador, ou em uma festinha de um colega, ou no Biri Biri (se bem que lá eu ouço qualquer coisa e nada me incomoda). Nem Cássia Eller, que antes eu ouvia por amor ao Otto, não será mais aceito. A não ser Que o Deus Venha. E Je ne regrette rien. E Um tiro no coração. Só. Elis, somente as músicas que ela cantar do João Bosco e Aldir Blanc. Enjoei.

Agora, para eu ouvir, eu tenho que amar!

E meu embasamento para tal decisão é puramente convicção espiritual:

Quero morrer ouvindo as nega! Ou Nina Simone ou Beth Carter ou Ella Fitzgerald ou Aretha Franklin ou Etta James ou Billy Holliday ou Clementina de Jesus. Quero que minha última música seja My baby just care for me. Ou Roxá. Ou Embala eu (essa deleita os ouvidos e já encomenda a alma junto).

O mundo anda tão complicado, tão violento, que de uma hora pra outra eu posso morrer de susto, de bala ou vício (essa música eu ainda ouço) e aí, a última lembrança que eu terei desse mundo será... Maria Gadú??? Ah, por favor!

quinta-feira, outubro 07, 2010

Eu não sou Serra!

Nada mais irritante do que aqueles spans que a gente recebe de todo lado. Mais irritante ainda, receber aqueles de conhecidos, que querem, a todo custo nos convencer a votar, neste ou naquele candidato, mas não utilizam a plataforma super legal do candidato que acreditam. Preferem jogar na lama o adversário e pra isso vale qualquer coisa: chamar o cara de anti-cristo, inventar, usar o site da TFP (essa foi o melhor de tudo) para tentar me convencer!!!! Engraçado é que eu só recebi isso de eleitores do Serra. Não recebo nada disso dos meus amigos que votam em outros candidatos.

Então, apenas para clarear os fatos:

EU NÃO VOTO NO SERRA! NÃO QUERO PSDB NA PRESIDÊNCIA. JÁ SOFRI DEMAIS COM 8 ANOS DE FERNANDO HENRIQUE!

Um amigo meu, mais perebado que eu, disse que o Serra é o único candidato comprometido com nosso estilo de vida. Estilo?? Que estilo, cara pálida? Porque se você não notou, tem muito tempo que minha vida não tem estilo. E nem a sua! E, pelo menos no meu caso, eu devo muito disso ao Fernando Henrique Cardoso!!! Então, a menos que me convençam que o Serra vai fazer tudo tudo tudo diferente dos governos tucanos que aí estão (e o que foi em paz, graças a Deus!), eu não voto no Serra.

Eu não vou votar na Dilma também. Pelo simples fato de que eu estarei em SP e vou justificar o voto. Não achei que a Dilma merece tanto assim meu voto a ponto de eu cadastrar voto em trânsito. Então, queridos amigos tucanos, fiquem tranquilos! Mas eu torço pela Dilma. Pelas razões anteriormente expostas.

Se quiserem algum dia que eu vote em um candidato, me mandem o site do sujeito, as propostas, o que ele fez na vida. Campanha tem que ser limpa!

Ou então, deixem minha caixa de e-mail em paz!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Sobrevivi. Com sequelas. Nada muito sério ou que me leve a ouvir música sertaneja. Só um pouquinho de Clube da Esquina. Vamos ver se a lerdeza passa ou a sequela é definitiva.

Bom... como consequência de minha inconveniente sobrevivência... os livros são meus! o cachecol ainda é meu! o violão é meu! os dvds e miniaturas do star wars são minhas! ahahahahaha (risada malévola)

Mas ainda estou precisando de carinho e chocolates. E Stellas também. Aceito visitinhas e bis de limão.

Au revoir.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Ato de última vontade ou uma gripe me assassinando.

A quem interessar possa: gozando de minhas faculdades mentais (o tanto quanto os delírios dos 38,8ºC de febre e a gripe galopante que estraçalha meu cérebro permitem), deixo registrado minha última vontade: meu violão semi-novo deixo para meu filho Rafael. Meu deslumbrante cachecol vermelho para minha irmã Cris. Meus DVDs e minha coleção de miniaturas do Star Wars deixo para meu filho André. Meus livros do Ariano Suassuna, principalmente a Farsa da Boa Preguiça autografado, e os CDs da Clementina e do Adoniran ficam para meu amado nego que sempre soube compartilhar comigo essas paixões.Meus DVDs Audrey Hepburn para minha mãe. Para meu irmão e para Camila, sua amada, deixo meu Tim Maia Racional. Minha camisa do Flamengo fica para o José Roberto, meu sobrinho não nascido para que desde cedo ela saiba as coisas certas da vida. Meus livros do Nick Hornby ficam para quem souber apreciar.

Me enterrem de pretinho básico e bota. Não deixem que passem batonzinho vermelho nem rosa em mim.

Adieu.

R.I.P.

terça-feira, agosto 31, 2010

Sobre nós, os esteticamente macios ou regras para o bem viver entre pessoas de pesos diferentes ou confissões de uma gordelícia

Acho que nem quando meu pai era vivo e dizia com toda sutileza e doçura que era capaz "Você está tão gorda que vai morrer e eu vou ter que criar seus filhos!", eu me sentia tão patrulhada.

Aliás, hoje há uma patrulha ferrenha contra nós, os esteticamente macios.

E nem venham me dizer que a questão é a saúde e não a estética. Para quem olha, o que conta é SÓ a estética! Os adeptos da vida saudável tratam o emagrecimento com outra abordagem. Utilizam-se de outros argumentos: longevidade e bem-estar! A perda de peso é acessória.

Os olhos sensíveis, cuja gordura alheia incomoda, são os que patrulham. Daqui um tempo, vão instituir blitz contra a obesidade. Vão me mandar descer do carro, me pesar. Depois, vão me mandar embora apenas com uma multa e alguns pontos a menos na carteira. No meu caso, é apenas sobrepeso. Mas coitados dos realmente obesos! Esses vão ter seus veículos e carteiras apreendidos. Infração? Dirigir gordo. Gravíssimo!

Outro dia, lendo o blog da Maíra tinha o texto falando de uma parente cujos comentários a respeito das outras pessoas era apenas: "Você viu o fulano? está imenso!"; "E a ciclana? Emagreceu 20 quilos."; "Meu filho está obeso! Você nem vai reconhecer quando encontrar com ele".

E eu nunca tinha notado, mas eu escuto esse papo pelo menos uma vez por dia, vinda de fontes variadas, de gente que nem se conhece. Fulano engordou, beltrana emagreceu!

Que coisa chata ficar patrulhando a adiposidade alheia! Deixem meus pneus em paz!

Por conta da opinião dos outros já fiz loucuras. Tirando anorexia e bulimia, o resto eu já fiz em nome da boa forma: dietas radicais, sibutramina (que quase custou meu casamento, mas me deixou magrinha), floxetina, shake, laxante, vigilantes do peso, caminhada, corrida (certa feita, com um tombo humilhante), ioga... E todos deram certo por um tempo e apenas parcialmente. Afinal, quando a gente entra numa de emagrecer, a meta que nos impomos é realmente ambiciosa: se para o meu tamanho é considerado como peso ideal de 51 a 62 quilos, é claro que eu vou querer ficar com ... 49 quilos. Não há como evitar a frustração.

A questão é que eu já fui magra. Magrinha. Até meus 24 anos, eu nunca tinha feito uma dieta, nem sabia pra que servia. Então, quem me conheceu nessa época cobra de mim minha antiga magreza, como se ao invés de ter ganhado peso, eu tivesse exterminado uma raça de passarinhos raros da Amazônia. Falta mandar me prender. Excesso de pança.

Nesses 12 anos em que eu luto contra meu peso não consegui usufruir nem mesmo de uns 2 anos de magreza. Isso se eu juntar todos os períodos em que eu fui magra. Os outros 10 anos foi a sensação de inadequação que reinou.

É claro que é bacana ser magra, entrar numa roupa linda sem ter que fazer trambique, jejum prolongado, ficar bem de biquini... Eu também queria isso. Mas hoje eu estou com 36 anos, passei por duas gravidezes, nunca fui de fazer exercícios na vida (e agora meu corpo sofre com minha indolência pretérita) e gosto de comer. Não dá pra agora, querer virar Gisele, né? O que tento hoje é ser saudável, ainda que isso não seja o esteticamente correto. Quer saber? Foda-se o esteticamente correto! Eu quero ser é gordelícia!

A gordelícia não é magrinha, mas é bem cuidada. Unhas feitas, depilação em dia, cabelinho bonitinho, batonzinho, roupa bacana... A gordelícia tem sempre alguém do lado que saberá apreciar todos os benefícios de sua abundância! A gordelícia tem amor próprio em cima, tem atitude. Vê beleza na opulência! Viva o peitão e o bundão!

Então, de hoje em diante, seja eu gordelícia ou eventualmente magra (durante o efeito de uma dieta qualquer!), neste momento solene, eu decreto as regras da boa convivência entre pessoas de pesos diferentes (porque aqui eu vou falar sobre os gordos porque a minha vivência me leva a isso, mas vale também para aqueles magrinhos que são importunados por sua falta de peso):

1. Não falar para a pessoa frases como: "você precisa emagrecer!", "você está gorda!", "por que não tenta uma dieta?", "você não quer emagrecer?". Gordo também tem espelho em casa, também sobe em balança! Gordo sabe que é gordo E QUER EMAGRECER! Seja por razões estéticas ou de saúde, nós morreremos tentando ser magros, acreditem!

2. Não fazer fofoca do peso alheio! Ficar comentando que fulano engordou ou emagreceu não trás nenhum benefício à conversa e só mostra a futilidade do interlocutor.

3. Se um gordo disser "eu estou gordo", tente não tecer comentários a repeito. É apenas uma frase solta, um lamúrio, uma constatação melancólica. Não é uma brecha para você dar uma lição de moral utilizando expressões como "vergonha na cara" e "força de vontade". Isso só estimula nossa vontade de nos empanturrar com bobagens. Se você tiver muuuuita intimidade com o gordo em questão, pode até passar uma dieta, dar o endereço de um endocrinologista ou do vigilantes do peso. MAS ISSO SÓ SE ELE TE PEDIR!

4. Nunca xingue ninguém de rolha de poço, Shamu, bola, balão, bolo fofo ou qualquer outra coisa esférica. Dói! Aliás, gordo tem nome. Não chame ninguém de gordo.

5. Se você encontrar um amigo que já foi gordo e emagreceu troque a expressão: "Nossa, você emagreceu!" por "Nossa, como você está bonito" ou "Nossa, como você está bem". É muito mais simpático!

6. Não fale do rosto bonito de um gordo para elogiá-lo. É crítica mascarada de elogio. Terrivelmente grosseiro.

7. Pare de tentar mudar as pessoas. Isso é preguiça (ou medo?) de admitir os próprios defeitos. Olhe mais para si mesmo e vai descobrir que há algo a ser trabalhado. Viva e deixe viver!

8. Seja feliz!

E viva a diferença!

sábado, agosto 07, 2010

Isto é mesmo verdade? Acho que achei meu blog favorito e me desculpem meus amigos blogueiros.

http://lojaloiseau.blogspot.com/

Quero qualquer coisa daí.

sexta-feira, agosto 06, 2010

Ontem mesmo eu disse que não conseguia mais escrever sobre meu pai.

Mas ando com muita vontade de falar sobre ele, de encontrar pessoas que conheceram ele e que não tenham aquela saudade reverencial que transforma todo mundo que já morreu em alguém fantástico. Porque meu pai não precisa disso pra ser fantástico.

Eu não sou uma pessoa de sentir falta. Não aquela falta urgente, de querer a pessoa do lado agora. Talvez por ter morado "em tanta casa que nem me lembro mais" e ter amigos espalhados por todo esse mundão de meu Deus, ou por já ter namorado à distância (mais de uma vez)... eu não sinto muito disso. Sinto saudade. E saudade é gostar de alguém que está longe. E como gostar é algo bom...

Dele eu sinto saudade todo dia. Mas tem sempre algo dele sempre perto de mim. Meu filho é a cara dele. Uma piada repetida. Coisas que eu ou meus irmãos falamos e que sabemos que era o que ele falaria. Mas tem coisas que fazem falta e que ele levou embora.

Eu ia começar a falar dos seus conselhos. É normal, afinal, uma filha sentir falta dos conselhos de seu pai. Bom... na verdade, não sinto. Não que ele não tenha me dado alguns bons conselhos na vida. Deu. E até hoje eu penso quando vou fazer algo, no que ele faria no meu lugar. Era um homem muito ponderado e isso é um bom parâmetro. Mas minha mãe sempre foi melhor conselheira e mais ponderada. E ela está aqui pra isso.

Mas sinto saudade do seu irritante bom humor matinal. Acordava 6 da manhã cantarolando, sentava no sofá de olhos fechados com um sorriso besta até despertar e depois ia passar um café pra todo mundo fumando um cigarrinho. E EXIGIA que os outros viventes comungassem desse estado de espírito.

Tinha também a sua folga urgente. Se ele pedisse algo, tinha que ser atendido de pronto. Se demorasse, virava stress. Ficava magoado, fazia beicinho igual menino. "Então, não quero mais". Vixe, quantas brigas eu tive com ele por isso. Aliás, o beicinho... Bom... beicinho é humildade demais. O beiço era um capítulo a parte. Meu pai quando ficava amuado afinava o lábio superior e engrossava em cinco vezes o de baixo e juntava as sobrancelhas. Fazia uma cara que só meu filho André consegue, por força da genética, reproduzir com perfeição. Eu tenho a maior vontade de passar raiva no André de vez em quando só pra ver ele fazer a cara do meu pai..

Ah! E seu sabetudismo... Ele dizia: "Minha filha, quando papai fala, ou foi ou é ou será". E não sei se ele sabia tudo mesmo ou era sorte dele eu fazer as perguntas certas, mas nunca consegui pegá-lo em uma pergunta onde ele não soubesse a resposta.

Tinha também seu bom senso, sua calma e sua vontade de resolver as coisas. E talvez essa preocupação excessiva nos tornava tão seguros tenha feito seu coração enorme, mas fraco, como pudemos descobrir, pifar.

Ah! E que falta faz sua preguicinha depois do almoço! Eu (ou minha mãe, ou a Cris... ele adorava esse tanto de mulher em volta dele!) sentava no sofá e lá vinha ele deitar a cabeça no colo e ele pedir um cafuné. Mas exigia que o cafuné fosse feito do seu jeito. "Enrola o dedo no cabelo e puxa". Era exigente até com carinho.

Tinha também seu humor escatológico herdado por todos os filhos. Piadas de peidos e diarréias eram suas favoritas. Vômito não, porque vômito não tem graça. É um infortúnio da pessoa. Vocês que não são nascidos Bruno não vão entender a beleza de uma piada de cocô. Nem vou tentar explicar.

Tinha também sua vocação de avô. Ele dizia que ser avô era muito melhor do que ser pai.

Pai, se der, sai daí da sua nuvenzinha, larga a prosa com o vô, larga o paparico da vó e dá uma chegadinha aqui nesse mundinho complicado no dia dos pais. Dá uma olhada nos seus filhos, olha os meninos que estão crescendo que nem bolinho no forno, dá um cheirinho no seu xará que ainda mora na barriga da Camila, dá um beijo na mamãe.

Te amo todo dia.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Ontem deu a doida na nega e comecei a arrumar tudo. Desci meu armário abaixo e fiz a limpa geral anual. Como eu não sou uma pessoa consumista, pouco saiu do meu armário, mas mesmo assim, a sensação de limpeza é gratificante.

Resolvi também dar uma cara nova a esse blog tão esquecido. De tão esquecido já estava ficando melancólico. De tão melancólico já estava beirando ao inexistente. E esse blog me acompanha há tanto tempo, já me ajudou em tantas passagens complicadas da minha vida, servindo de terapia a quem não tem dinheiro para pagar uma, que eu não poderia deixá-lo de lado.

O problema é que eu quero fazer tudo ao mesmo tempo e sempre tenho algo começado incompleto: é o cachecol pela metade pendurado no tear, é o violão encostado, são quatro fuxicos dentro de uma sacola, conversas pela metade, o firme propósito de emagrecer esquecido por um pudim... Quero dar cabo dos meus começos para fechar os pacotinhos e não pensar mais no assunto.

Acho sinceramente que não sou uma pessoa séria.

terça-feira, agosto 03, 2010

Testando layout novo. O que vocês acham?

segunda-feira, julho 12, 2010

In My Life
(The Beatles)

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I've loved them all.

But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you,
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.
In my life I'll love you more.


Todo ano é isso, eu não sei o que dizer e roubo de alguém mais talentoso que eu. Dessa vez John e Paul me ajudaram.

Eu amo seu cheiro
Amo a turminha que a gente fez juntos
Amo nossa casa, que é um lugar cheio de risadas e gritos e bagunça e papel picado e música e bola
Amo quando rimos das mesmas coisas
Amo tudo que a gente faz juntos
Amo ficar perto de você
Amo sentir saudade de você

In my life, I love you more, neguinho!

terça-feira, junho 15, 2010

Em matéria de Copa do Mundo, eu não sou uma pessoa das mais animadas. Ainda não consegui não torcer pelo Brasil, que era o meu objetivo nessa Copa. Eu queria torcer pra qualquer um desses países do Leste Europeu que não jogam nada e acabar com a Copa logo nas eliminatórias. Mas simplesmente não consigo torcer contra o Brasil.

O problema é que o meu "não-não torcer" não é exatamente "torcer". Mas tenho filhos, eles estão empolgados. Não dá pra ser a chata da mãe que não participa, né?

Pra vocês terem ideia, apenas ontem eu arrumei uma camisa pra assistir aos jogos no Bar Dududu. Bom... ir pro Bar é a parte boa da coisa.

Na verdade a tal camisa funciona mais como uma camuflagem para não ter que responder a perguntas como "por que você não está com a camisa do Brasil? por que você não é patriota? por que você torce contra?". Então, arrumei essa camuflagem que me custou R$ 7,99 e é bem feinha, mas me protege das perguntas dos patriotas de chuteira, que lembram que são brasileiros apenas em época de Copa.

Isso é irritante. Aliás, na minha lista de coisas irritantes da Copa, o Galvão e o torcedor chato estão no topo. Mas essa Copa é Iso 9000 em matéria de chatices: tem essas cornetas desgraçadas que juntas fazem um barulho de uma caixa de marimbondo gigantes. E tem as unhas decoradas. Ah, e as dancinhas de comemoração dos jogadores. Rebolation, baby! Quer dizer...

quinta-feira, maio 27, 2010

Que o Deus Venha
Cazuza / Roberto Frejat / Clarice Lispector

Sou inquieta, áspera
E desesperançada
Embora amor dentro de mim eu tenha
Só que eu não sei usar amor
Às vezes arranha
Feito farpa

Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto
Continuo inquieta
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais

Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É o inesperado

Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida


Estou com essa música na cabeça há dias. Mas não tenho coragem de pegar o disco da Cassia Eller para ouvir, senão meu marido vai querer ouvir as outras 12 músicas e ainda tenho bad trips com a overdose de Cássia Eller que ele me deu há alguns anos atrás.

E eu ando inquieta, áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha.

Peraí que eu vou ali ouvir a música escondidinha.

segunda-feira, maio 17, 2010

Preciso, velho! Preciso mesmo! Uma casinha no interior com um cachorro chamado Ah, Muleque!, uma gata chamada Audrey Hepburn e uma horta. Pra eu começar a ser a mulher das ervas. Varanda e rede. E uma mesa de pingue-pongue. Preciso também de uma base facial oil free porque a minha não é oil free e está detonando meu rosto. Um corte de cabelo urgente que me deixe a cara da Leandra Leal nessa novela nova que vai passar. Uma idinha pra Sampa comer pizza, tomar uma(s) Stella(s) com minha cunhada, curtir um friozinho e rever meus amados. Ah! Preciso também emagrecer e deixar de sentir meus joelhos gritando (o que elimina a pizza, mas não a idinha a São Paulo. Nem a Stella.). Preciso voltar a caminhar. Um empreguinho novo, de preferência lá no interior e que seja em uma área completamente diferente. Um no qual eu não precise usar salto alto nunca. Quem sabe, de mulher das ervas??? Preciso deixar de ser enxerida e de meter esse meu nariz chapoquinha onde não sou chamada.